O Centro Educacional de Pesquisa Aplicada (CEPA), em Maceió enfrenta redução no número de estudantes. O complexo, que já foi referência como o maior centro educacional da América do Sul, vive um cenário de incertezas. Professores temem o fechamento de escolas e a possibilidade de realocação para outras unidades.
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O Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal) marcou reunião com o Ministério Público para esta sexta-feira (6). Na segunda-feira(9), haverá encontro com a secretária Roseane e técnicos para discutir a temática em mesa de negociação.
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Queda acentuada no número de alunos
A Escola Estadual Moreira e Silva, uma das unidades do CEPA, registrou queda acentuada nas matrículas. O pátio da escola, que antes era ocupado por cerca de 12 mil estudantes, hoje tem cerca de 430 frequentando o local.
O professor Rummenigge Pereira, da Escola Estadual Moreira e Silva, atribui a queda nas matrículas à implantação do ensino integral em 2020. Ele está na unidade há sete anos.
“Eu estou aqui na unidade há sete anos e desde que foi implantado o ensino integral, a gente tem tido uma queda de 2.100 alunos para atualmente. Ele fala ainda da apreensão que ele e os colegas vivem com a possibilidade de uma realocação para uma outra unidade escolar e que pode acontecer de uma forma súbita, sem aviso prévio. Há professores que estão sendo exatamente nesse momento devolvidos para a gerência de ensino, justamente pelo fato de não terem turmas para serem realocados. Então, impacta diretamente, no caso, no número de professores. Inclusive, a gente tem atualmente a gestão, ela está colhendo dados e estima devolver 15 professores até a próxima semana”, afirmou Rummenigge.
O professor também destacou que, “então, uma unidade que já teve mais de 2 mil alunos é preocupante essa situação”.
A gestão da escola está colhendo dados e estima devolver 15 professores até a próxima semana. Professores estão sendo devolvidos para a gerência de ensino pela falta de turmas para alocação.
Outras unidades do complexo apresentam redução
Outras unidades do complexo seguem a mesma tendência nos últimos 10 anos. A Escola Estadual Princesa Isabel tinha 561 alunos matriculados em 2015 e passou para 416 em 2025.
A Escola Estadual Professora Laura Dantas tinha 809 alunos em 2019 e passou para 168 em 2025. A Escola Estadual Professor José da Silveira Camerino tinha 1.288 alunos matriculados em 2019 e passou para 397 em 2025.
Estudantes relatam que turmas que antes tinham 40 alunos agora contam com 22 matriculados. Algumas salas que eram lotadas atualmente funcionam com apenas seis estudantes.
Uma estudante relatou que, “quando eu cheguei aqui no meu primeiro ano, eu via como era ocupado por vários estudantes, as salas eram lotadas de pessoas e hoje em dia tem salas com seis pessoas. Antigamente tinha 40 alunos na minha sala e agora tem somente 22”.
Silmara, de 19 anos, estudante do terceiro ano do ensino médio, acredita que o modelo de escola em tempo integral colaborou para a saída de amigos da escola. Ela declarou que, “eu vi na minha turma que tinha 40 alunos e foi para 22. Outra questão apontada são as aulas de educação física, que ainda não começaram”.
Os estudantes apontaram outra questão relacionada às aulas de educação física, que ainda não foram iniciadas.
Mobilização de professores
Os professores iniciaram um movimento para mudar o cenário. O representante do Sinteal declarou que, “o CEPA sempre foi um espaço de formação e de referência para todo o Estado. Hoje nós estamos percebendo que o CDR para fechar, o teatro fechado, a escola de línguas fechada, e a CEDUC vai sair daqui também. Então, o que está acontecendo no CEPA? É isso que a gente quer compreender e buscar de forma transparente alternativas junto com a comunidade escolar e com os profissionais da educação”.
O representante acrescentou que, “pedimos ajuda do Ministério Público, teremos uma reunião sexta-feira e na segunda-feira iremos nos reunir com a secretária Roseane, com os técnicos, para que possamos discutir essa temática numa mesa de negociação e buscar alternativas para resolver esse problema. Nós não podemos continuar nessa situação, aflição, e vendo profissionais da educação adoecendo com essa situação. Não só os profissionais, mas estudantes e pais de alunos”.
A comunidade escolar está apreensiva com a situação. Professores vivem a apreensão com a possibilidade de realocação para outra unidade escolar, o que pode acontecer de forma súbita, sem aviso prévio.
Posicionamento da Seduc
A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) divulgou nota informando que realiza atualização da lotação dos professores de educação física da rede estadual. O objetivo é assegurar que os profissionais atuem prioritariamente no ambiente escolar para atender a base pedagógica e o cumprimento do currículo obrigatório nas unidades de ensino.
A Seduc informou em nota que não procede a informação de suspensão de aulas ou evasão generalizada no Centro Educacional de Pesquisa Aplicada. Os dados oficiais de matrículas de fevereiro de 2026 revelam cenário de reordenamento demográfico e não de crise estrutural, segundo a Seduc.



