SAÚDE
Inaugurado em setembro de 2019, a unidade ampliou a assistência especializada
O número de mortes maternas caiu 42,6% em Alagoas entre 2021 e 2025, segundo indicadores da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). A redução — de 54 para 31 registros — ocorreu num período marcado por investimentos para ampliar e qualificar a rede de atenção à saúde da mulher. Os avanços também se mostram na mortalidade infantil, cuja taxa caiu para 12,4 óbitos por mil nascidos vivos em 2025, abaixo dos 13,8 registrados no ano anterior.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!
Um dos principais marcos desse processo foi a inauguração do Hospital da Mulher, entregue em setembro de 2019 pelo então governador Renan Filho. A estrutura reorganizou o atendimento especializado ao reunir, em um único espaço, serviços que antes estavam distribuídos entre diferentes unidades da rede pública.
Leia também
Antes de o hospital se tornar referência, as mulheres precisavam percorrer diferentes unidades de saúde para consultas, exames, cirurgias e assistência obstétrica. Essa fragmentação dificultava o acesso, especialmente para pacientes do interior, que dependiam de sucessivos encaminhamentos.
“EU ME SENTI RESPEITADA”
É justamente na assistência obstétrica e no acompanhamento do parto que os indicadores de saúde materna do estado refletem a mudança na prática. A enfermeira Cynthia Kássia, de 34 anos, conheceu os dois lados da assistência.
O primeiro filho nasceu em um hospital particular; a segunda gestação foi acompanhada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), quando chegou ao Hospital da Mulher. A experiência anterior na rede privada despertava dúvidas sobre como seria atendida em uma unidade pública.
As incertezas, porém, desapareceram ainda no pré-parto. “Quando a minha bolsa estourou, automaticamente procurei o Hospital da Mulher”, conta.
Cynthia lembra que em nenhum momento teve sua decisão questionada ao optar por um parto cesariano com anestesia raquidiana. “Eu me senti muito respeitada”, afirma.
Durante as 48 horas de internação, o recém-nascido recebeu as vacinas de rotina, foi registrado em cartório dentro do próprio hospital e passou por avaliações de especialistas, incluindo fonoaudióloga.
Cynthia também teve assistência pós-parto e consultoria em aleitamento materno. “Nas 48 horas em que fiquei lá, tudo o que foi preciso foi feito antes de a gente vir para casa”, resume, destacando o cuidado integral que evitou a necessidade de buscar outros serviços após a alta.
LINHA DE CUIDADO BASEADA NA ESCUTA
Para garantir que a paciente não enfrente interrupções no tratamento, o hospital estruturou um fluxo contínuo que vai da primeira consulta à cirurgia ou ao pós-parto.
Segundo a diretora-geral da unidade, Yarin Rocha, as consultas chegam via Sistema Nacional de Regulação (Sisreg), e a própria Central de Agendamentos do hospital organiza os exames e retornos subsequentes.
“Esse modelo reduz interrupções e evita deslocamentos desnecessários de mulheres que residem no interior do estado”, explica.
Na prática, o acolhimento começa na chegada. A enfermeira Anne Costa ressalta que a humanização é a chave do fluxo assistencial: “Buscamos acolher cada mulher com respeito, empatia e escuta qualificada. Humanizar é cuidar da paciente como um todo, entendendo que cada uma tem sua história, seus medos e suas necessidades”, conclui.
SERVIÇOS E ESPECIALIDADES
Especialidades: Ginecologia | Mastologia | Obstetrícia | Endocrinologia | Cirurgia Ginecológica | Cardiologia | Urologia | Nutrição | Psicologia
Exames: Mamografia | Ultrassonografia | Tomografia | Colposcopia | Citologia | Biópsias | Exames Laboratoriais | Ecocardiograma | Eletrocardiograma
PROGRAMAS ESPECIALIZADOS
Programa Decidiu: Planejamento reprodutivo (oferta de DIU e laqueaduras).
Área Lilás: Atendimento especializado a mulheres em situação de violência.
Ambulatório de Endometriose: Primeiro serviço estadual para tratamento clínico da condição.
Programa Respirar & Saúde Até Você Digital: Atendimento infantil para doenças respiratórias e consultas via telemedicina.
Além do parto: quando o tempo faz a diferença no combate ao câncer
Além de estruturar a rede de maternidade, a concentração de serviços no Hospital da Mulher reduziu gargalos em outra área: a oncologia. Quem enfrenta um câncer sabe que o tempo define o rumo da doença — o diagnóstico precoce amplia as possibilidades de tratamento e aumenta as chances de cura.
Esse foi o caso da assistente social e remadora Gilvânia Célia, de 37 anos. Em maio de 2025, ao fazer o autoexame, ela percebeu um pequeno nódulo na mama esquerda. A ultrassonografia na rede privada apontou suspeita de câncer.
Impactada pela notícia, Gilvânia já conhecia o acolhimento da unidade, onde havia realizado uma cirurgia de vesícula meses antes. “Com o laudo na mão, tomada pelo desespero, só conseguia pensar em um lugar onde sabia que seria acolhida: o Hospital da Mulher”, relata.
Dois dias depois, ela realizou a mamografia na unidade estadual, passou por biópsia e, no dia 27 do mesmo mês, recebeu a confirmação do diagnóstico. Na mesma data, foi encaminhada para a mastologista do Hospital Metropolitano para iniciar o tratamento.
“Tudo aconteceu de forma extraordinariamente rápida. Da suspeita inicial ao diagnóstico confirmado, foram apenas 21 dias”, lembra Gilvânia.
“O Hospital da Mulher foi a porta de esperança e agilidade que salvou o meu tempo de resposta contra o câncer. A equipe não deixou a minha dor esbarrar na burocracia. A cura do câncer passou por ali.”
Assim como Gilvânia, outras 183 mulheres passaram pelo acompanhamento oncológico no Hospital da Mulher, sendo 79 com diagnóstico de câncer de mama, colo do útero ou outra neoplasia ginecológica.
ESTRUTURA INTEGRADA E AGILIDADE NO ATENDIMENTO
Construído com investimento de R$ 30,8 milhões em recursos próprios do Governo de Alagoas, o Hospital da Mulher já realizou mais de 71.766 atendimentos, 120.000 exames, 16.210 cirurgias, 19.500 partos e 41.264 internações. Mais de 12.000 mulheres foram encaminhadas por municípios do interior.
Um dos destaques da unidade é o exame de mamografia, principal ferramenta para a descoberta do câncer de mama. O serviço funciona em sistema de porta aberta e não registra fila de espera, permitindo o atendimento de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.


