Depois do Carnaval e de um início de 2026 acelerado, cresce nas grandes cidades um movimento silencioso: a busca por pausas curtas, estratégicas e confortáveis dentro da própria rotina urbana. Longe da lógica das viagens e dos hotéis lotados, os motéis vêm se consolidando como uma alternativa inesperada e cada vez mais frequente, para descanso, reorganização da agenda e bem-estar.
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A mudança reflete um novo comportamento do consumidor urbano, que passou a valorizar experiências de conforto e privacidade sem precisar sair da cidade ou enfrentar longos deslocamentos. Nesse cenário, os motéis deixam de ser apenas uma hospedagem pontual e passam a ocupar um novo papel: o de espaço de pausa entre compromissos, trabalho e vida pessoal.
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Horários flexíveis, entrada direta na suíte, silêncio, controle do ambiente e alimentação de qualidade no próprio local, estão entre os fatores que explicam esse reposicionamento. Arquitetura diferenciada, suítes temáticas, projetos assinados, iluminação cênica, hidromassagem, piscinas privativas e ambientes pensados para o conforto fazem parte da experiência oferecida por muitos motéis, aproximando a motelaria de conceitos ligados à hospitalidade e ao bem-estar urbano.
A gastronomia acompanha esse reposicionamento e passa a integrar a experiência de descanso. Cardápios mais elaborados, opções leves, serviço de quarto estruturado e propostas pensadas para quem deseja permanecer no espaço, reforçam a ideia de uma estadia completa, não apenas funcional, mas sensorial.
“A motelaria acompanhou a mudança no comportamento urbano. As pessoas querem parar, descansar e viver experiências de conforto dentro da própria cidade. O motel passou a ser visto como esse espaço de pausa possível, acessível e discreto”, afirma Larissa Calabrese, presidente-executiva da Associação Brasileira de Motéis (ABMotéis).
Mais do que uma alternativa pontual, esse movimento indica uma transformação na forma como o lazer e o descanso são consumidos nas grandes cidades. Em vez de grandes deslocamentos, cresce a valorização de experiências próximas, personalizadas e adaptáveis à rotina, um reflexo direto de discussões atuais sobre saúde mental, gestão do tempo e qualidade de vida.
Em um cenário urbano marcado por excesso de estímulos e agendas cada vez mais comprimidas, os motéis passam a ocupar um lugar simbólico e prático: o de pausa possível dentro da própria cidade. Não como substituição às viagens ou aos hotéis, mas como resposta a uma necessidade contemporânea, a de desacelerar sem precisar ir longe.



