O Ministério Público de Alagoas denunciou os proprietários de uma clínica terapêutica pela morte da esteticista Cláudia Pollyanne. Na ação, o órgão também requereu a prisão preventiva de ambos, destacando a gravidade dos crimes e o risco que a liberdade dos denunciados pode representar para a sociedade e para as testemunhas do caso.
A acusação aponta crimes de homicídio mediante tortura e cárcere privado, além de indicar o risco de intimidação de testemunhas e prejuízo às investigações caso os denunciados permaneçam em liberdade.
De acordo com o promotor de Justiça Adriano Jorge, da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca, há elementos que indicam práticas sistemáticas de violência contra internos, incluindo o uso de técnicas agressivas como o golpe conhecido como “mata-leão”. A esposa do acusado também foi apontada como cúmplice direta, sendo mencionada em relatos de agressões e ameaças dentro da unidade.
“Entendemos que a soltura dos proprietários da clínica pode afetar a ordem pública, atrapalhar a instrução criminal, bem como colocar em risco a vida das pessoas que tiveram a coragem de denunciar, pois, em liberdade terão capacidade de intimidar testemunhas que, também, afirmam ter sofrido maus-tratos. O caso é de revolta social, pois a vítima, sentindo necessidade de tratamento, procurou um espaço terapêutico nas redes sociais e acreditou que lá poderia encontrar acolhimento, profissionais capacitados que a ajudassem a superar os problemas causados pela dependência química, no entanto passou a ser dopada, torturada e, por fim, foi assassinada”, declara o promotor.
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O membro ministerial lembra que o acusado confessou à autoridade policial que, para conter os internos, costumava utilizar o golpe hadakajime, oriundo das artes marciais japonesas, considerado violento e fatal, conhecido no Brasil como mata-leão. Já a sua esposa também foi apontada como cúmplice direta, agredindo e ameaçando os internos.
Na denúncia, uma nova personagem aparece, uma tia da vítima que, segundo Adriano Jorge, embora não tenha participado diretamente das sessões de tortura contribuiu para que ocorressem já que manteve Cláudia Pollyanne internada, contra a sua vontade, mesmo após o período combinado, em coluio com os donos.
“O contrato para a internação era de oito meses, o dono fez contato com a tia avisando que daria alta à dona Cláudia, no entanto ela fez um acordo para que mantivesse a sua sobrinha por mais sete meses na comunidade terapêutica, sem aval de médico registrado no CRM e sem comunicar ao Ministério Público, o que caracteriza cárcere privado. Se a tia aprovasse a alta, a vítima, provavelmente, estaria viva”, destaca o promotor de Justiça.
Quebra de sigilo e de dados
Além da busca e apreensão no imóvel onde funcionada a Comunidade terapêutica Luz e Vida, o Ministério Público requereu a quebra de sigilo de dados e telemáticos com eventuais dispositivos eletrônicos apreendidos no local como computadores, pen drives, CDs, telefones celulares. Além deles, em receituários e laudos médicos, contratos de serviços com os pacientes, termos de consentimentos dos pacientes, prontuários psicológicos e médicos entre outros documentos que a autoridade policial julgar pertinentes.
“Foi solicitada uma investigação em todos os dispositivos, inclusive em aplicativos de mensagens no período que antecedeu a internação, após a morte da senhora Cláudia, no caso, de primeiro de março de 2024 até 20 de agosto de 2025, bem como os seus desdobramentos.
Entenda o caso
Cláudia Pollyanne morreu no dia 9 de agosto de 2025, após ser levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Marechal Deodoro. Familiares relataram à polícia que o corpo apresentava hematomas e sinais de violência, o que motivou o registro de boletim de ocorrência e a abertura de investigação.
Dias após o caso vir à tona, a Polícia Civil prendeu a proprietária da clínica, que resistiu à abordagem e acabou conduzida ao Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) de Marechal Deodoro. As investigações policiais apontaram ainda que a clínica funcionava de forma irregular, sem autorização necessária, e vinha liberando pacientes às pressas após a repercussão do caso.
O laudo cadavérico divulgado pelo Institito Médico Legal (IML) indicou que a esteticista de 41 anos sofreu agressões e intoxicação medicamentosa. O exame, realizado pelo perito médico-legista Lucas Emanuel, indicou múltiplas lesões externas distribuídas por diferentes regiões do corpo e em estágios evolutivos variados. As marcas mais recentes estavam localizadas na face, com destaque para uma extensa equimose no olho direito.
Após a decisão da Câmara Criminal sobre a manutenção da prisão da acusada, os amigos de Cláudia Pollyanne emitiram nota alegando que a notícia foi recebida com alívio e ressaltando que o caso não ficará impune.
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