INVESTIGAÇÃO
Presença de coliformes e E. coli na água expõe estudantes e população quilombola a risco de doenças
Investigação comandada pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL) identificou a presença de água contaminada em escolas e comunidades rurais de Monteirópolis e Olho d’Água das Flores, no Sertão do estado. As análises feitas a partir de pedido feito pelo órgão apontaram coliformes totais e até a bactéria Escherichia coli, evidenciando risco à saúde de estudantes e moradores.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!
Em Monteirópolis, o MPAL instaurou dois procedimentos administrativos para acompanhar a correção de falhas graves identificadas em escolas da rede municipal. As auditorias foram feitas nas unidades Santa Ana, no povoado Lagoa das Ovelhas, e José Clemente, localizada na comunidade quilombola Paus Pretos.
Leia também
Os relatórios apontam a presença de coliformes totais na água consumida pelos alunos, além de baixos índices de cloro residual livre — parâmetro essencial para garantir a potabilidade. Também foram verificadas deficiências estruturais nos sistemas hidráulicos, como ausência de hidrômetros e falta de manutenção periódica em cisternas e caixas d’água.
A situação se agrava com problemas de saneamento básico. Segundo a fiscalização, há destinação inadequada de águas servidas e resíduos sólidos nas unidades escolares, comprometendo as condições sanitárias do ambiente. Nos sistemas de dessalinização que atendem comunidades como Paus Pretos e Lagoa do Rancho, foram constatadas falhas como ausência de cloração, falta de manutenção e inexistência de identificação dos equipamentos.
Já em Olho d’Água das Flores, o cenário é considerado ainda mais crítico. Análises laboratoriais confirmaram a presença da bactéria Escherichia coli em sistemas de dessalinização que abastecem comunidades rurais, como Alto da Boa Vista, Toco da Aroeira e Sítio Lagoa do Mato.
A detecção de E. coli indica contaminação fecal da água e evidencia que o abastecimento está fora dos padrões de potabilidade, elevando o risco de surtos de doenças infectocontagiosas entre a população atendida.
Diante da gravidade das constatações, o promotor de Justiça Rômulo de Souto Crasto Leite converteu os relatórios da FPI em procedimentos de acompanhamento contínuo. A medida visa garantir que as prefeituras adotem providências imediatas para corrigir as irregularidades e assegurar o fornecimento de água segura.
As ações do Ministério Público estão alinhadas à Recomendação PGJ nº 02/2026, que orienta os membros da instituição a fiscalizar o cumprimento das metas do Novo Marco Legal do Saneamento. A legislação estabelece que, até 2033, 99% da população brasileira deve ter acesso à água potável.




