MRE hospeda de Janja a Porchat e põe em sigilo lista de convidados


O Ministério das Relações Exteriores (MRE) se recusou a fornecer, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), a lista de hóspedes recebidos em residências oficiais do país ao longo do governo Lula (PT). As residências oficiais já deram pouso à primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e ao ator Fábio Porchat, entre outros.

Em 2025, a operação dos prédios de embaixadas e residências oficiais do Brasil no exterior custou pelo menos R$ 240,5 milhões (leia mais abaixo).

No começo de fevereiro, a coluna pediu, via Lei de Acesso à Informação, acesso à lista de hóspedes de 24 residências oficiais brasileiras no exterior, em localidades como Buenos Aires (Argentina), Roma (Itália) e Washington (EUA).

O número representa uma fração do total de representações brasileiras no exterior, atualmente em 133.

O Itamaraty negou os pedidos alegando que seriam “desproporcionais” e “desarrazoados”, exigindo trabalho que poderia “sobrecarregar o órgão destinatário, desestabilizar suas operações e desorganizar suas funções”. Na prática, o pedido diz respeito a uma informação que já existe nos postos no exterior e que, portanto, não requer trabalho adicional.

A coluna recorreu nas três instâncias previstas na Lei de Acesso à Informação. O caso agora será decidido pela Controladoria-Geral da União (CGU).

É comum que as residências oficiais do Brasil em países centrais deem abrigo a cidadãos ilustres — inclusive políticos, artistas e servidores.

Em abril de 2025, por exemplo, o presidente Lula (PT) e a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, se hospedaram na residência oficial do Brasil em Roma, no Palácio Pamphilij, na Praça Navona. Eles estavam na cidade para acompanhar o funeral do papa Francisco (1936–2025).

No fim de 2025, a mesma residência oficial em Roma hospedou o ator e humorista Fábio Porchat, a convite do embaixador do Brasil na Itália, Renato Mosca de Souza.

Depois de gravar um vídeo polêmico na embaixada, Porchat pediu aos internautas para fazerem uma pausa na militância online.

“Feliz Natal! Sejam leves, sejam felizes, transem, comam, riam e parem de viver para a política. Isso só corrói a vida de vocês e não muda nada a vida de 90% desses safados que estão no poder!”, disse o humorista à época.

Procurado, o Itamaraty disse apenas que “os pedidos e os respectivos recursos interpostos junto ao MRE foram indeferidos nos termos do art. 13, inciso II, do Decreto nº 7.724/2012”. Trata-se do artigo que diz respeito a pedidos “desarrazoados” na Lei de Acesso à Informação.

MRE gastou R$ 2,5 mil em velas para visita de Janja a Roma

Para manter de pé a infraestrutura no exterior, o MRE empenhou (isto é, reservou para pagamento) pelo menos R$ 240,5 milhões no ano passado.

Essa cifra inclui desde gastos com salários dos funcionários locais que atendem as residências e as embaixadas até pagamentos de aluguéis, obras e reparos. O valor foi levantado pela reportagem com base nas notas de empenho publicadas pelo próprio MRE no Siafi, consultado por meio da ferramenta Siga Brasil.

Em alguns casos, as notas explicitam gastos decorrentes das estadias de Lula e Janja nas residências oficiais.

Em outubro passado, por exemplo, a embaixada em Roma fez um empenho de R$ 10,1 mil para a “aquisição de insumos em função da visita oficial a Roma do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama”. Os dois estiveram na cidade para o Fórum Mundial da Alimentação.

Na mesma visita oficial de Lula e Janja, outros R$ 2,5 mil foram reservados para a “aquisição de velas para os candelabros da ala de representação” da residência oficial.

Em outra ocasião, a representação brasileira em Nova York gastou R$ 9,6 mil com a contratação de garçons para atender Lula e Janja enquanto eles estiveram hospedados na residência oficial durante a 80ª Assembleia Geral da ONU.



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