ARTIGO
Mês nos convida a olhar com mais atenção para a saúde da mulher, reforçando a importância da prevenção
Existe uma pergunta que toda mulher deveria se fazer, especialmente em um mês dedicado à conscientização sobre a saúde feminina: quem cuida de tudo e de todos também está cuidando de si mesma?
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Ao longo da vida, muitas mulheres aprendem a conciliar inúmeras responsabilidades. Cuidam dos filhos, da família, da casa, da carreira e das pessoas que amam. Trabalham, enfrentam desafios, recomeçam quando necessário e seguem em frente, mesmo quando o cansaço parece não dar trégua.
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Mas, em meio a tantas obrigações, há algo que frequentemente fica para depois: o cuidado com a própria vida, com os próprios direitos e com o futuro que está sendo construído.
O Outubro Rosa nos convida a olhar com mais atenção para a saúde da mulher, reforçando a importância da prevenção, da informação e do acompanhamento adequado. Essa reflexão, porém, também nos permite ampliar o olhar: cuidar de si é uma atitude que deve alcançar todas as dimensões da vida, inclusive a segurança previdenciária.
Afinal, de que adianta planejar tantas coisas para o amanhã sem conhecer as condições que poderão garantir tranquilidade nessa etapa da vida?
A mulher que cuida de todos também precisa estar na própria lista de prioridades
Quantas mulheres adiam consultas, deixam exames para depois e encontram tempo para resolver os problemas de todo mundo, mas têm dificuldade para reservar alguns minutos para pensar em si mesmas?
Essa mesma lógica aparece quando o assunto é aposentadoria.
Muitas acreditam que ainda é cedo para se preocupar com o tema. Outras imaginam que basta trabalhar por determinado número de anos para ter a situação previdenciária resolvida. Há, ainda, aquelas que só começam a buscar informações quando a aposentadoria parece próxima.
O problema é que o futuro não começa quando chega a idade de parar de trabalhar. Ele é construído ao longo de toda a trajetória profissional.
Por isso, assim como a prevenção em saúde busca identificar necessidades antes que elas se tornem mais difíceis de enfrentar, a organização previdenciária permite conhecer a própria realidade, identificar pendências e avaliar possibilidades com antecedência.
Não se trata de viver preocupada com o amanhã. Trata-se de não deixar que a falta de informação decida por você.
Você conhece o futuro que está construindo?
Quando poderá se aposentar? Quanto poderá receber? Seu tempo de trabalho está corretamente registrado? Existem períodos que precisam ser conferidos? Você conhece as regras previdenciárias aplicáveis à sua situação?
Essas perguntas merecem atenção porque cada mulher tem uma história profissional diferente.
Há quem tenha trabalhado durante anos com carteira assinada e depois se tornado empreendedora. Há servidoras públicas que também tiveram vínculos na iniciativa privada. Existem mulheres que passaram por contratos temporários, períodos de contribuição como autônomas ou outras mudanças profissionais ao longo da vida.
Essas trajetórias não são iguais — e a análise previdenciária também não pode ser.
A regra que se aplica a uma colega de trabalho pode não ser a mesma que se aplica a você. O tempo de contribuição, os vínculos profissionais, o regime previdenciário e as regras pertinentes ao caso precisam ser examinados individualmente.
No Brasil, o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), ligado principalmente ao INSS, e os Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), destinados a determinados servidores públicos titulares de cargos efetivos, possuem regras que precisam ser consideradas conforme a situação de cada pessoa.
Por isso, conhecer a própria trajetória é essencial para compreender quais possibilidades podem existir.
Trabalhar muito não significa que tudo esteja registrado corretamente
Existe uma diferença importante entre o tempo que uma pessoa acredita ter trabalhado, o período que efetivamente contribuiu e aquilo que consta nos registros previdenciários.
Documentos e informações precisam ser conferidos. No caso de quem está vinculada ao RGPS, o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) é uma das fontes importantes para essa análise. A Carteira de Trabalho e outros comprovantes também podem ser necessários.
Para servidoras públicas, os registros funcionais, as informações sobre vínculos e contribuições e a documentação previdenciária correspondente podem ter papel fundamental.
Uma informação ausente, um período não registrado ou uma divergência documental pode exigir providências e influenciar a análise do direito ao benefício.
Também merece atenção o histórico profissional de quem passou por regimes diferentes. Em determinadas situações, períodos anteriores podem ser aproveitados conforme as regras aplicáveis, desde que observados os requisitos legais e os procedimentos necessários. A possibilidade de receber benefícios em regimes distintos também depende das condições previstas para cada caso.
É justamente por isso que não se deve presumir que está tudo certo sem antes verificar.
Seu trabalho tem valor. Sua história profissional também. E essa história merece ser conhecida, documentada e analisada.
A aposentadoria não deve ser uma surpresa. Precisa ser um projeto.
Planejar a aposentadoria não significa apenas fazer uma conta ou descobrir quantos anos faltam para alcançar determinada idade.
Um planejamento previdenciário individualizado permite examinar a trajetória profissional e contributiva, conferir documentos, identificar possíveis pendências e avaliar os cenários que podem ser aplicáveis.
Também ajuda a compreender que cumprir os requisitos de uma regra de aposentadoria não significa, automaticamente, receber o valor que se imaginava. O cálculo depende das normas pertinentes e do histórico contributivo, entre outros fatores.
A informação permite substituir suposições por decisões mais conscientes.
E não é necessário estar perto de se aposentar para começar. Quanto antes a mulher conhecer sua situação, maior poderá ser sua capacidade de identificar questões que merecem atenção e avaliar, com orientação adequada, as providências possíveis.
Conhecer a própria realidade é um passo importante para decidir com mais clareza e segurança.
Outubro Rosa também é um convite para olhar para si
O cuidado com a saúde, o conhecimento dos direitos e a organização do futuro não precisam caminhar separados.
Uma mulher que procura informação sobre prevenção e acompanhamento médico está reconhecendo a importância de cuidar da própria vida. Da mesma forma, quando ela busca compreender sua situação previdenciária, está dando atenção a uma dimensão importante de sua segurança futura.
Não se trata de transformar a aposentadoria em mais uma preocupação. Trata-se de reconhecer que a vida não é feita apenas das urgências de hoje.
Há sonhos, projetos, necessidades e uma etapa futura que também merece ser considerada.
A mulher que trabalha, contribui, empreende, educa, administra, cuida e sustenta tantos projetos tem o direito de olhar para a própria história com atenção. Não precisa esperar que a aposentadoria esteja próxima para descobrir se seus registros estão corretos ou quais regras podem se aplicar à sua situação.
Assim como a saúde merece prevenção, informação e acompanhamento, o futuro previdenciário merece planejamento.
Não espere o tempo decidir por você. Transforme informação em direção.
Neste Outubro Rosa, o convite é para que cada mulher se coloque na própria lista de prioridades. Cuide da sua saúde, procure orientação profissional quando necessário, conheça seus direitos e reserve espaço para pensar no futuro que deseja construir.
Porque cuidar de você por inteiro também significa olhar para o amanhã.
Dra. Váubia Garrote
Advocacia Previdenciária | RGPS e RPPS
Atendimento em Maceió/AL e on-line para todo o Brasil.
Instagram: @vaubiagarrote
WhatsApp: (82) 99645-1822
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.



