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Mulher denuncia dentista por importunação sexual em bar


Mulher denuncia dentista por importunação sexual em bar de Fortaleza; suspeito foi preso — Foto: Reprodução

Uma empresária denunciou ter sido vítima de importunação sexual em um bar no dia 4 de julho, no bairro Aldeota, em Fortaleza, depois que um dentista pôs a mão dentro da bermuda e fez gestos de cunho sexual para ela e suas amigas. A cena foi filmada e apresentada à polícia. O homem de 69 anos…

Uma empresária denunciou ter sido vítima de importunação sexual em um bar no dia 4 de julho, no bairro Aldeota, em Fortaleza, depois que um dentista pôs a mão dentro da bermuda e fez gestos de cunho sexual para ela e suas amigas. A cena foi filmada e apresentada à polícia.

O homem de 69 anos foi identificado como Paulo Roberto Pinheiro Beltrão, vice-presidente da Academia Cearense de Odontologia. Ele foi preso em flagrante. O g1 não conseguiu encontrar a defesa do dentista. Ao procurá-lo por meio da sua clínica, a reportagem foi informada de que ele estava viajando.

Ao g1, a vítima, que não quis se identificar, relatou que estava com um grupo de amigos em uma mesa próximo à do suspeito. Ela e mais duas pessoas saíram para fumar, do lado de fora do estabelecimento, quando o dentista se aproximou delas.

Na primeira aproximação, ele reclamou do cheiro do cigarro. Na segunda vez, ele pediu um cigarro. Na terceira vez, ele ficou de pé, próximo a elas, colocou a mão dentro da bermuda e fez gestos semelhantes a masturbação. Depois, ele cheirou a mão.

Uma das mulheres do grupo notou o ato e passou a reclamar. “Ela começou a gritar, falar, de alguma forma, para constranger. ‘O que é que o senhor está fazendo? O senhor está passando mal? O que é que está acontecendo aí?’ E aí, ele calado estava, calado ele ficou, voltou para a mesa dele”, relembra a empresária.

Após voltarem para dentro, as mulheres do grupo notaram que o dentista, sentado na mesa próximo, continuou a fazer os movimentos enquanto olhava para elas. Neste momento, uma delas conseguiu filmar brevemente ação. O vídeo mais tarde foi entregue à equipe policial.

“Na hora que isso acontece você fica até meio assim, você fica tão chocado que você não acredita. Eu sabia que aquilo era um crime mas você fica assim tentando entender, o que é isso? Como é que isso está acontecendo aqui com você? Você fica meio choque”, relata.

Depois do segundo episódio, a empresária e as amigas acionaram a gerência do bar. Elas contam que a equipe do estabelecimento pediu que Paulo Roberto se retirasse do local e ele deixou a mesa próximo às vítimas.

A empresária também reclama que, neste momento, a gerência deixou a conta delas na mesa, o que o grupo entendeu como uma sugestão para eles também deixassem o local. Quando questionaram se estavam sendo expulsas assim como agressor, a gerência teria liberado a permanência do grupo.

Minutos depois, as vítimas foram informadas por testemunhas de que ele estava em outra mesa do mesmo bar, apenas mais distante. As mulheres foram até o local indicado e encontraram Paulo Roberto.

Neste ponto, o grupo voltou a pedir que o homem fosse retirado do local. Um cliente, que estava no bar e se apresentou como delegado de Polícia Civil, se aproximou da cena e deu voz de prisão ao dentista. Na sequência, a Polícia Militar foi acionada.

Por meio de nota, a Polícia Militar informou que, ao chegar ao local, duas mulheres relataram que o suspeito praticava atos de cunho sexual em meio aos frequentadores do estabelecimento.

“Uma testemunha apresentou à composição um vídeo gravado no momento dos fatos, cujo conteúdo corroborou os relatos das vítimas. Diante das informações e das imagens, os policiais localizaram o suspeito, realizaram a abordagem e efetuaram a prisão, sem que houvesse resistência”, disse a corporação.

O homem de 69 anos foi conduzido ao 2º Distrito Policial, onde foi autuado em flagrante por importunação sexual e ficou à disposição da justiça. O g1 procurou o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) para saber se, após audiência de custódia, o dentista foi solto e sob quais condições. A Corte respondeu apenas que o “procedimento judicial está em segredo de justiça e informações não podem ser repassadas”.

O Boteco do Ciço, local onde aconteceu o caso, publicou uma nota nas redes sociais na qual manifestou “o mais profundo repúdio ao episódio de importunação sexual” e afirmou que a equipe do estabelecimento agiu “prontamente” para retirar o suspeito do local, ” que insistiu em retornar, contrariando determinação dos responsáveis pelo estabelecimento”.

“Reforçamos que o Boteco do Ciço adota uma política de tolerância zero contra qualquer forma de assédio, importunação sexual, discriminação ou violência. Em razão deste episódio, serão intensificadas as medidas de prevenção, incluindo o reforço dos protocolos internos de atendimento, treinamento das equipes para identificação e acolhimento de vítimas e aprimoramento dos procedimentos de segurança”, disse o estabelecimento.

 

Por meio de nota, a Academia Cearense de Odontologia, na qual Paulo Roberto ocupa a primeira vice-presidência, informou que, até o momento, não possui “conhecimento ou registro formal acerca dos fatos relatados”, portanto a entidade “não encontra sustentação no que foi relatado” para se manifestar por ora.

“Ressaltamos que se houve envolvimento de qualquer membro da ACO aguardaremos a devida apuração”, completou.





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