Uma influenciadora francesa com milhões de seguidores nas redes sociais provocou repercussão internacional ao afirmar que removeu parte das próprias costelas para reduzir a cintura. O caso ganhou ainda mais atenção após a criadora de conteúdo dizer que teria preparado um caldo com os ossos retirados na cirurgia, levantando alertas de especialistas sobre riscos graves à saúde.
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Entenda
Leia também
- Influenciadora diz ter retirado costelas para alcançar “cintura de vespa”;
- Vídeos nas redes sociais mostraram o resultado da cirurgia e uma encenação polêmica;
- Especialistas alertam para riscos médicos e alta taxa de complicações;
- Debate reacende discussão sobre limites éticos e padrões estéticos extremos.
@victoriaolv_c ELA NÃO FOI MAL TRATADA NEM JUDIADA NESSE VIDEO TA GENTE!!ELA TAVA ABANDONADA PERTO DA MINHA CASA TEM UNS 2 DIAS E ACOLHEMOS ELA!!Não vejam com olhos ruins! #cachorros #engracado #fyp #viral #foryou ♬ som original – victória
Cirurgia extrema e repercussão nas redes
Conhecida pelo nome de usuário @adee.ah, Adee Ah tem cerca de 1,7 milhão de seguidores e chamou atenção ao relatar que se submeteu a um procedimento cirúrgico raro e invasivo para afinar drasticamente a cintura. Segundo a influenciadora, o objetivo era alcançar o que descreve como uma “cintura de vespa”.
A polêmica ganhou força após a publicação de vídeos no TikTok em que ela exibe o resultado da cirurgia. Em uma das gravações, Adee Ah encena o preparo de um caldo com costelas que afirma serem suas, retiradas durante o procedimento. No vídeo, ela aquece os ossos em uma panela e prova o líquido, comentando: “Tem gosto de frango!”.
O que dizem os especialistas
Do ponto de vista médico, segundo Tárik Nassif, cirurgião plástico e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, as costelas têm uma função muito importante na sustentação da parede torácica, dando estabilidade ao tórax.
“Elas protegem órgãos como o coração e os pulmões, além dos órgãos do abdômen superior, como fígado, baço, estômago e rins. Também auxiliam na respiração, por conterem cartilagens flexíveis que se expandem e se retraem. São justamente essas costelas (a décima primeira e a décima segunda), chamadas de flutuantes, que são removidas ou fraturadas, dependendo da técnica.”
No Brasil, a técnica mais utilizada é o remodelamento costal. Essa técnica não remove as costelas, sendo um procedimento menos invasivo. O remodelamento consiste na fratura da costela para proporcionar o afinamento da cintura.
Riscos à saúde e restrições legais
Segundo o cirurgião, a remoção dessas estruturas pode causar complicações graves, como infecções, dificuldades respiratórias e danos permanentes ao organismo. “Entre as complicações podemos citar também assimetria da cintura, consolidação óssea inadequada, instabilidade torácica e dor crônica.”
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica recomenda cautela em relação a esses procedimentos, que ainda têm caráter experimental. “Apesar disso, o método começa a ganhar espaço e apresenta potencial de crescimento no país”, afirma o especialista.
O médico também faz um alerta sobre o caldo de ossos mencionado pela influenciadora. Segundo ele, a prática não é recomendada devido a riscos sanitários, como o transporte de material cirúrgico, armazenamento inadequado e possibilidade de contaminação. No Brasil, esse tipo de conduta não é comum e tampouco indicada por profissionais de saúde.
Debate sobre influência e responsabilidade
O episódio reacendeu discussões sobre padrões estéticos extremos e a influência de criadores de conteúdo sobre públicos jovens. Especialistas em saúde e comportamento digital reforçam que intervenções médicas desse porte não devem ser tratadas como espetáculo ou tendência, sobretudo quando divulgadas sem contexto clínico adequado ou alertas claros sobre os riscos envolvidos.


