“Não foi uma briga, foi execução”, diz tio de jovem morto por piloto. Veja vídeo


Tio do adolescente Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira. HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto

Tio do adolescente Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, o fisioterapeuta Flavio Henrique Fleury falou com a imprensa na tarde deste sábado (7/2), horas após a confirmação da morte do garoto. Rodrigo foi agredido pelo piloto Pedro Arthur Turra Basso, 19, em 22 de janeiro deste ano e estava internado em estado grave desde então.

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Flávio Henrique fala em injustiça ao refletir sobre a morte do sobrinho. “É muito complicado pensar que um garoto como o Rodrigo foi morto de graça. Um jovem com um futuro enorme, um garoto maravilhoso… Um rapaz resolveu matá-lo e pronto”, lamenta Flávio.

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“É uma gente tão nova, com tanto futuro. O Rodrigo perdeu a vida de forma gratuita. Os pais [dos suspeitos] também vão sofrer, vão pagar por isso. A educação, quando é dada na Justiça, dói muito mais do que a educação dos pais.”

O fisioterapeuta comentou sobre as novas pistas colhidas pelos investigadores de que outro adolescente teria armado uma emboscada para Rodrigo por conta de ciúmes. “[No dia do crime] eles esperaram várias vezes dando voltas no quarteirão esperando o Rodrigo estar sozinho. Um cara de 1,90m pegar um garoto de 1,65m é totalmente desproporcional, não é briga de adolescente. Não foi uma briga, foi execução.”

“Quero que entendam que não foi uma briga que deu errado e ele morreu. Não. Na minha visão, o Rodrigo morrer já era planejado. Aguardo ansiosamente que a Justiça vá atrás dele [jovem que teria tramado a morte]. Acredito muito que a Justiça vai atrás, vai condenar. Por ele ser menor de idade, acredito que devam ir atrás dos pais dele”, disse o tio.

O fisioterapeuta revelou que a mãe de Rodrigo, identificada como Rejane, ainda não conseguiu falar com outros familiares. “Ela me mandou mensagem falando sobre a morte, mas avisou: ‘Não me ligue, porque eu não dou conta’.”

“Torço para que isso não aconteça com novos Rodrigos. Eu vou continuar aparecendo, discutindo, para que novas famílias não passem por isso”, afirma.

Flávio lembra de Rodrigo como um jovem muito ativo. “Ele tinha elo com futebol, paixão pelo futebol, por esporte. Era um menino que não parava, muito atleta, muito ativo. Era muito difícil vê-lo em uma cama. Com certeza ele está num lugar bem melhor.”

O tio também comentou sobre uma possível doação de órgãos de Rodrigo: “Particularmente, acho muito interessante, mas ainda não sabemos”.

Morte após 16 dias internado

Rodrigo morreu após 16 dias internado. HUGO BARRETO / METRÓPOLES @hugobarretophoto

O adolescente agredido pelo ex-piloto da Fórmula Delta estava internado desde o dia 22 de janeiro na UTI do Hospital Brasília em Águas Claras (DF).

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Rodrigo morreu neste sábado (7/2), após duas semanas na UTI

Rodrigo era morador do DF e estudava no Colégio Vitória Régia. Amigos, familiares e jovens da capital realizaram duas vigílias na porta do Hospital Brasília em oração ao rapaz — a última foi realizada nessa sexta-feira (6/2).

Em 30 de janeiro, os tios de Rodrigo disseram que o jovem havia reagido a estímulos nos últimos dias. Desde então, os pais decidiram suspender as visitas para preservá-lo.

Apesar dos esforços médicos, Rodrigo Castanheira morreu em decorrência das complicações.

Como a briga começou

Segundo a investigação, a confusão teve início na noite do dia 22/1. Testemunhas relataram que Turra jogou um chiclete mascado em um amigo da vítima. Após provocações, os dois passaram a se agredir fisicamente.

Vídeos gravados no local mostram o momento em que Turra desfere um soco que faz Rodrigo Castanheira bater violentamente a cabeça contra um carro. O impacto o deixou desacordado. Ele chegou a vomitar sangue enquanto era socorrido.

Durante coletiva de imprensa, o delegado responsável pelo caso, Pablo Aguiar, apresentou detalhes adicionais da investigação. Ele afirmou que o investigado já teria se envolvido em outros episódios violentos, incluindo a suposta tortura de uma adolescente com um taser, e classificou o comportamento de Turra como “sociopata”. Emocionado, o delegado comentou a gravidade do caso.

Prisão preventiva

Pelo Código Penal, a lesão corporal seguida de morte (art. 129, §3º) ocorre quando há intenção de agredir, mas a morte acontece por imprudência, negligência ou imperícia — sem intenção direta de matar. Trata-se de um crime chamado preterdoloso, cuja pena varia de quatro a 12 anos de reclusão.

Turra foi preso preventivamente no dia 30/1, em casa, sob protestos de moradores. Ele já havia sido detido anteriormente, mas foi liberado após pagamento de fiança de R$ 24 mil. Agora, permanece à disposição da Justiça.

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Fonte: Gazetaweb