O prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa, tem pouco tempo para uma escolha importante que para seu grupo político – a escolha de uma legenda para os filhos. Faltam poucos dias para o fim da janela partidária e o destino de Daniel e Lucas Barbosa segue em aberto.
Até aqui, a tendência é de manutenção do quadro atual. Luciano permanece no MDB, enquanto Daniel caminha para disputar a reeleição pelo PP. O convite do PT existiu, avançou, mas perdeu força diante da demora. O partido cansou de esperar. E seguiu em frente.
Se não houver fato novo, Daniel fica onde está. E, nesse cenário, o caminho natural é que Lucas Barbosa também vá para o PP, alinhando o projeto eleitoral da família. Mas a decisão ainda não foi fechada. E passa pelo pai. É o prefeito que negocia, articula e monta todas as estratégias em nome dos dois filhos.
Nos bastidores, interlocutores apontam que Luciano avalia o cenário com cautela, especialmente no que diz respeito à disputa majoritária. O peso político dele muda conforme o desenho da eleição para o governo.
Se houver disputa — por exemplo, com JHC enfrentando Renan Filho — o prefeito ganha mais valor. E aumenta o poder de barganha.
Por outro lado, se não houver adversário competitivo para Renan Filho, o cenário muda completamente. Nesse caso, Luciano tende a manter a posição atual, evitando movimentos bruscos e preservando alianças.
Fica como está. Mas o problema não é só estadual. Em Arapiraca, o ambiente político começa a se tensionar. E deve piorar.
A família Nezinho já se movimenta para ampliar espaço. Além da reeleição de Ricardo Nezinho, que aparece bem posicionado em diferentes levantamentos, o grupo trabalha a candidatura de Rute Nezinho para a Câmara dos Deputados.
O confronto está desenhado. Lucas x Ricardo. Daniel x Rute. E com potencial de acirramento.
Nos últimos dias, o vereador Rogério Nezinho, irmão de Ricardo e Rute, fez novas críticas ao prefeito, elevando o tom do debate local. É um sinal claro de que o embate saiu dos bastidores e começa a ganhar as ruas. Outros grupos também entram no jogo.
Lideranças como Severino Pessoa e Fabiana Pessoa devem disputar espaço com força, ampliando a pressão sobre o grupo de Luciano.
Sem uma aliança sólida no plano estadual, o prefeito corre o risco de enfrentar um isolamento político na segunda maior cidade do estado. Terá que lidar, ao mesmo tempo, com adversários tradicionais e novos concorrentes.
Ricardo Nezinho avança rapidamente para tomar o lugar de Luciano Barbosa. Salvo fato novo, ele será candidato a prefeito daqui a dois anos. E deve disputar a eleição como franco favorito. Ou seja, Luciano Barbosa terá que trabalhar muito para manter o mandato e Daniel e ampliar com Lucas. Do contrário, pode perder força na política local já a partir de outubro deste ano.
O cenário mais provável, hoje, é que a família Nezinho mantenha o mandato de Ricardo e os Barbosa garantam pelo menos um mandato – seja o de Lucas ou de Daniel.
Mas e tudo correr errado para Luciano e nenhum dos filhos forem eleitos, ele vai viver o começo de um período de isolamento. Por a decisão que ele precisa tomar agora vai além da escolha partidária.
Define o tamanho do seu grupo. E o nível de enfrentamento que terá pela frente.
Sem maternidade
O vereador Rogério Nezinho (MDB), fez críticas ao prefeito Luciano Barbosa (MDB), seu ex-aliado político, a quem atribuiu responsabilidade pelo fechamento de cinco maternidades no município durante suas gestões no Executivo.
Atualmente, as gestantes de Arapiraca são direcionadas para outras cidades da região na hora do parto, como Santana do Ipanema, Palmeira dos Índios e Penedo, desde o fechamento da instituição Nossa Senhora de Fátima, em 2022, a mais antiga da cidade e que foi comprada pelo deputado estadual Ricardo Nezinho, irmão do vereador, segundo a prefeitura.
Rogério afirma que a cidade não possui maternidades na rede pública nem privada para garantir o nascimento de crianças no município. A última unidade de saúde que fazia partos, o Hospital Chama (Complexo Hospitalar Manoel André), fechou as portas em 2025 para as gestantes, após amargar um débito de R$ 20 milhões ainda não repassados pelo governo do estado e pela falta de credenciamento para atendimentos de alto risco.


