Especialistas que ministraram no Gazeta Summit Alagoas 2050 (Segurança Pública) admitiram, nesta terça-feira (31), que o uso da inteligência artificial (IA) e de ferramentas tecnológicas já está na linha de frente do combate ao crime no Brasil. Eles protagonizaram o Painel 3 (Tecnologia e inovação no combate ao crime) e detalharam como soluções digitais vêm otimizando investigações, antecipando riscos e tornando a atuação policial mais eficiente.
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Um dos destaques do painel foi o delegado do Rio Grande do Sul, Cristiano Ribeiro Ritta, que apresentou um panorama da evolução da IA aplicada à segurança pública. Segundo ele, a tecnologia avançou rapidamente desde a popularização de ferramentas como o ChatGPT, em 2022, até os sistemas multimodais atuais, capazes de processar texto, imagem, áudio e vídeo simultaneamente, além dos chamados agentes autônomos, já presentes em 2026.
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Ritta enfatizou que a análise de dados se tornou o principal pilar da investigação criminal moderna. “A IA generativa e o big data permitem enxergar padrões que antes passavam despercebidos”, afirmou. Como exemplo, ele citou um estudo feito a partir de boletins de ocorrência no Rio Grande do Sul, que identificou que cerca de 30% dos registros de feminicídio não informavam a relação entre autor e vítima — uma lacuna que dificulta a formulação de políticas públicas.
Para enfrentar esse tipo de problema, o delegado desenvolveu soluções tecnológicas dentro da própria corporação, como as chamadas “escrivãs digitais”, um aplicativo que auxilia policiais durante o registro de ocorrências. A ferramenta utiliza IA para identificar ausência de dados relevantes e sugerir perguntas durante interrogatórios, além de apontar linhas preliminares de investigação.
Ele também destacou o uso de vídeos inteligentes, capazes de gerar relatórios automáticos a partir de imagens de ocorrências, além de sistemas de análise massiva de fotos e vídeos, transcrição automática de áudios e biometria de voz. “A tecnologia está libertando o policial do trabalho mecânico para que ele possa focar no que é essencial: pensar, decidir e agir com humanidade”, pontuou.
Outro ponto abordado por Ritta foi o avanço dos chamados agentes inteligentes, que integram dados de diferentes fontes — como redes sociais, bancos públicos e sistemas fechados —, permitindo o cruzamento automático de informações, monitoramento contínuo de suspeitos e análise de vínculos por meio de grafos de relacionamento. Apesar dos avanços, ele destacou que a integração de sistemas ainda é um dos principais desafios da segurança pública.
Representando a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), a cabo PM Larissa Artemis apresentou o Scan, um aplicativo voltado à gestão e análise de dados operacionais. Segundo ela, a ferramenta vai além de um sistema tradicional e propõe um novo modelo de observação e antecipação de cenários.
“O objetivo é ampliar a capacidade de percepção, identificar padrões e antecipar riscos”, explicou. O Scan permite geocodificar informações, mapear áreas com maior incidência de violência — os chamados hotspots — e apoiar decisões estratégicas com base em evidências. Para a policial, trata-se de um modelo replicável que integra ciência, tecnologia e gestão.
Já o sargento PM Tarcísio Lopes destacou o uso da plataforma Defend, um sistema integrado de comando e controle voltado à gestão de incidentes críticos em tempo real. A ferramenta permite visualizar ocorrências de forma simultânea, conectando gestores e equipes operacionais em uma rede colaborativa.
Entre as funcionalidades, estão dashboards georreferenciados, sala de crise virtual, notificações inteligentes e acompanhamento em tempo real das equipes em campo, inclusive offline. “A nova era da segurança exige respostas rápidas e integradas. O Defend surge como um modelo de governança que conecta informação e ação”, afirmou.
Mediando o painel, o professor Bruno Nogueira, do Instituto de Computação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), apresentou a ferramenta COP (Coruja Optimizer Patrol), que utiliza inteligência computacional para otimizar o patrulhamento preventivo.
A solução analisa dados criminais, identifica áreas críticas e gera rotas automáticas para viaturas, com base na metodologia de hotspots. “A ideia é automatizar o planejamento do policiamento, tornando a atuação mais eficiente e orientada por evidências”, explicou.



