Uma vacina em spray nasal desenvolvida por pesquisadores dos Estados Unidos mostrou uma proteção promissora contra a gripe aviária H5N1 em testes com animais. A proposta da vacina é barrar o vírus logo na porta de entrada do organismo, no nariz e nas vias aéreas. O estudo foi publicado no dia 30 de janeiro deste ano na revista científica Cell Reports Medicine.
A gripe aviária não costuma infectar humanos, mas quando acontece, pode provocar casos graves. Nos últimos anos, o vírus parou de circular só entre aves e passou a infectar outros mamíferos, fomentando a pesquisa sobre o potencial de novas formas de transmissão.
Nos Estados Unidos, a identificação do H5N1 em rebanhos de vacas leiteiras chamou a atenção dos especialistas porque o episódio foi visto como um sinal de que o vírus continua se adaptando a espécies novas — um passo importante para uma possível disseminação mais ampla entre humanos.
Vacina experimental age onde o vírus entra no corpo
Com esse cenário, pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington em St. Louis desenvolveram uma vacina intranasal que foi testada em hamsters e camundongos.
Diferente das vacinas injetáveis tradicionais, o spray nasal estimula uma resposta imune das mucosas do nariz e dos pulmões, que são justamente as principais portas de entrada do vírus. Os resultados mostraram que a estratégia pode diminuir a gravidade da doença e a disseminação do patógeno.
No laboratório, os animais vacinados apresentaram proteção quase que completa mesmo depois de uma grande exposição ao vírus. Por outro lado, as vacinas convencionais contra a gripe sazonal ofereceram pouca ou nenhuma proteção contra o H5N1.
Imunidade prévia não reduziu a proteção da vacina
Um dos principais resultados do estudo é que a vacina nasal continuou funcionando bem mesmo em quem já teve contato com a gripe comum. Em geral, a imunidade adquirida em infecções anteriores pode atrapalhar a resposta do organismo a novos imunizantes contra o vírus da influenza. Porém, nesse caso, isso não aconteceu, com a proteção alta nos testes com animais.
Tecnologia já foi usada em vacina contra a Covid-19
A tecnologia usada na vacina nasal não é novidade e já serviu de base para uma vacina contra a Covid-19 que foi aprovada para uso na Índia. Agora, os pesquisadores adaptaram o mesmo método para criar uma versão voltada ao H5N1, com foco nas cepas que já infectaram humanos e estão em circulação.
Por que as vacinas atuais não são suficientes
Hoje, já existe uma vacina contra a gripe aviária, mas ela foi feita com base em versões mais antigas do vírus. Por isso, pode não proteger bem contra as variantes que circulam atualmente. Além disso, outro ponto é que esse imunizante não está disponível de forma ampla para a população.
Próximos passos da pesquisa
Os próximos passos da pesquisa incluem testes novos em modelos que simulam tecidos humanos e fazer ajustes na fórmula para tentar aumentar a proteção contra variantes diferentes do vírus.
Se os próximos resultados confirmarem o que foi visto até agora, o imunizante nasal pode virar uma opção importante no combate a surtos novos de gripe com potencial de se espalhar rapidamente.



