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Novo governo da Síria localiza armas químicas deixadas por Assad


O novo governo da Síria disse ter encontrado locais ligados ao programa de armas químicas da era de Bashar al-Assad, deposto do poder em dezembro de 2024. A informação foi divulgada pela mídia estatal do país nesta terça-feira (26/5).

Em um comunicado, a Missão Permanente da República Árabe da Síria junto à Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) afirmou ter encontrado munições aéreas e terrestres, além de materiais para a fabricação do gás sarin, um agente neurotóxico extremamente letal.

Ao todo, 54 bombas aéreas e 25 terrestres foram localizadas. Elas são semelhantes às armas que teriam sido utilizadas pelo governo Assad entre 2013 e 2017.

Imagem colorida mostra armas químicas na Síria - Metrópoles
Bombas aéreas semelhantes às utilizadas durante ataques com armas químicas na guerra civil da Síria foram localizadas por autoridades nesta semana

Além da apreensão dos materiais, que foram transferidos para locais de armazenamento seguros, autoridades sírias afirmaram ter detido 18 pessoas — incluindo oficiais de alta patente e cientistas. Elas são investigadas por supostas ligações com o programa de armas químicas da antiga administração do país. 

Desde o fim de 2024, a Síria é governada por Ahmed al-Sharaa. Apesar do passado ligado ao jihadismo, o atual presidente sírio tem recebido apoio internacional após promessas de um governo menos truculento do que o anterior. Com isso, diversos nações, incluindo os Estados Unidos e membros da União Europeia (UE), retiraram sanções contra o país e reataram laços diplomáticos. 

Uso de armas químicas na Síria

O uso de armas químicas, cujo poder de destruição pode ser em massa, foi um dos principais fatores que influenciaram a intervenção estrangeira na Síria após a guerra civil explodir no país em 2011.

Em 2013, Bashar al-Assad chegou a assinar um tratado para eliminar estoques de armas químicas em 2013, e formalizou a entrada da Síria na Convenção sobre Armas Químicas.

Mesmo assim, investigações de órgãos internacionais independentes apontam que tais munições, proibidas pelo Direito Internacional, foram utilizados contra a oposição e civis em ao menos duas ocasiões durante os anos do conflito sírio.

O uso de tais armas de destruição em massa também foi empregado pelo Estado Islâmico (ISIS), que chegou a ocupar dois terços do território sírio no auge do grupo, entre 2015 e 2017. 



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