Um medicamento experimental para doença ocular da tireoide apresentou resultados positivos em um estudo clínico de fase avançada. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (30/3) pela empresa responsável pelo desenvolvimento do tratamento, a Viridian Therapeutics.
O remédio, chamado elegrobart, foi testado em 132 pacientes com a forma ativa da doença. Ao longo de 24 semanas, os participantes receberam aplicações em dois intervalos diferentes, a cada quatro ou oito semanas, além de um grupo que recebeu placebo.
Os resultados indicaram melhora relevante em sintomas característicos da condição, especialmente na protrusão ocular, quando os olhos ficam mais projetados para fora.
No grupo que recebeu o medicamento com maior frequência, mais da metade dos pacientes apresentou melhora, enquanto no grupo placebo esse índice foi significativamente menor.
Também houve melhora nos casos de visão dupla, outro sintoma comum da doença. Ainda assim, a taxa de resposta na redução da protrusão ocular ficou entre 36% e 45% após ajuste em relação ao placebo, abaixo da expectativa do mercado, que era de resultados acima de 50%. Isso levantou dúvidas sobre a competitividade do tratamento em relação a opções já disponíveis.
Como funciona o tratamento
O elegrobart é um anticorpo monoclonal administrado por injeção sob a pele, com o objetivo de atuar sobre um receptor envolvido na inflamação associada à doença. A proposta é oferecer uma alternativa mais simples ao tratamento atual, que exige aplicações intravenosas em ambiente clínico.
Além da praticidade, o medicamento apresentou um perfil de segurança considerado aceitável, com a maioria dos efeitos adversos classificados como leves. Entre eles, foram registrados casos de zumbido, sem impacto significativo na audição dos pacientes.
A empresa pretende avançar com o processo regulatório nos Estados Unidos e planeja solicitar autorização para uso do medicamento a partir de 2027.
O que é a doença ocular da tireoide
A doença ocular da tireoide é uma condição autoimune que provoca inflamação nos tecidos ao redor dos olhos. Isso pode levar ao inchaço, dor, vermelhidão e alterações na visão, incluindo visão dupla.
Em muitos casos, a doença está associada à chamada orbitopatia de Graves, ligada a distúrbios da tireoide. O quadro pode evoluir de forma progressiva e impactar significativamente a qualidade de vida, o que torna a busca por novos tratamentos uma prioridade na área médica.


