O jogo começou antes do apito. O CSA entrou devendo dois gols no agregado. Isso, no futebol, não é detalhe, é roteiro. Quem está atrás precisa atacar, e quem precisa atacar deixa espaço. A semifinal virou uma questão simples: quem entende primeiro onde o campo aparece.
Itamar mexeu em três peças. Saíram Dudu, Mateus Santos e Lucão, este último marcado pelos erros do primeiro duelo. Entraram Robinho, Matheus Melo e Marlon. Aí começa o drama azulino: os três que entraram não melhoraram o time. Marlon voltava de lesão, visivelmente sem ritmo e inseguro. Em clássico, meio segundo de dúvida vira metro de vantagem.
Sem bola, o CSA manteve o 1-4-4-2. Com bola, virou abafa, 1-3-1-6 ( ver imagem acima) em vários momentos, linha alta, encaixes agressivos, seis atacando o último terço.
O CRB respondeu com desenho claro: sem bola, 1-4-5-1 para fechar corredor e proteger a frente da área. Quando o CSA colocou seis na última linha e começou a encher a área, o CRB ajustou para 1-5-3-2, Dadá virava ala esquerdo, e Alemão, Henri e Lovat formavam a trinca por dentro, defesa bem postada dentro da área para atacar o cruzamento. Baggio saía da ponta e virava segundo atacante. O recado era simples: pode levantar bola, mas vai achar gente lá dentro para disputar, cortar e sair no espaço.
E o jogo encaixou para o CRB. A única mudança regatiana já era um recado: João Neto no lugar de Mikael, expulso no primeiro duelo. Para este cenário, foi um presente. João Neto ataca a profundidade com velocidade. Com o CSA adiantado, a bola direta virou atalho, e ele fez Marlon e Rayan sofrerem. O goleiro Wellerson precisou ganhar dois duelos no mano a mano para segurar o estrago antes do placar mexer.
O primeiro golpe veio numa leitura fina do meio. O CSA marca muito no individual, e quando os meias e volantes do CRB trocam posição, alguém demora a passar a responsabilidade. Danielzinho e Pedro atraem Bigode e Kayllan, Crystopher acelera no espaço vazio, Lovat entra por dentro, e o passe encontra o camisa 8 com vantagem, dominando orientado.
Rayan salta para pressionar e não acha. Abriu um buraco. Dadá invade, Wellerson chega atrasado: pênalti. Baggio bate com calma, 1 x 0. No agregado, 3 x 0. Ali o jogo ficou pesado para o CSA.
No intervalo, Itamar fez o que precisava: desfez as apostas iniciais. Voltaram Dudu e Mateus Souza, entrou Rian Santana. O CSA aumentou a intensidade, teve volume, criou sua melhor chance em cruzamento com cabeçada de Serafini e defesa grande de Albino. Teve também o chutaço de Kayllan, rebote, e Ciel sem conseguir dominar a bola na frente do gol. O problema é que volume sem gol vira ansiedade.
Do outro lado, o CRB entendeu o momento e ajustou. Entrou Luizão para dar fôlego e força pelo alto, justamente quando o CSA passou a insistir em bola parada e cruzamentos. E entrou Vinícius Nunes. Com o CSA desesperado para fazer o primeiro, ele recebeu livre, atacou por dentro, ganhou na passada e tocou com categoria na saída do goleiro. 2 x 0. Aí acabou a discussão.
O CSA tentou transformar urgência em futebol. Só que urgência costuma virar pressa. Pressa vira erro. Erro vira espaço. E quando você dá espaço num clássico, o adversário agradece com gol.



