Má notícia para Flávio Bolsonaro, vulgo “Tariflávio”, por obra e graça do seu anjo da guarda Donald Trump. Ao que tudo indica, para não ter que arcar com uma pena pesada como estrela do maior escândalo financeiro da história do Brasil, Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, decidiu entregar cabeças que preservava. Uma delas, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, é a do senador Ciro Nogueira, presidente do partido Progressistas (PP), a quem Vorcaro chamava de “um dos grandes amigos de vida”. Bons companheiros.
Na sua primeira tentativa de delação premiada, recusada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Vorcaro disse que pagou viagens, festas e imóveis para Nogueira apenas por amizade, sem buscar nada em troca. Já na sua segunda tentativa, passou a admitir que bancou tais benesses com a esperança de cooptar o senador para a defesa dos seus interesses. Em outras palavras: subornou-o com propinas.
O pavor de Flávio Bolsonaro é que Vorcaro acabe arrastando-o para o lamaçal em que se meteu ao pedir-lhe dinheiro para financiar o filme sobre seu pai. Contudo, a PF e a PGR estão prestes a rejeitar também essa segunda proposta de delação do ex-banqueiro, por julgarem que ela pouco acrescenta ao que os investigadores já sabem.
Se isso de fato acontecer, Vorcaro, hoje detido em uma sala da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, será transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda. É para lá que poderá ir também, até o final deste mês, o ex-presidente Jair Bolsonaro, caso o ministro Alexandre de Moraes não prorrogue o seu período de prisão domiciliar.
Diante desse cenário, a direita tradicional está pasma, confusa e sem saber o que fazer. Se tivesse votos suficientes para empurrar um candidato próprio para o segundo turno, abandonaria Flávio e sairia à procura de outro nome. No entanto, a direita não detém esse capital político; quem o possui é Bolsonaro pai, que transferiu seu eleitorado para o filho primogênito.
Ainda assim, Flávio carrega vários estigmas: suas relações com Vorcaro estão amplamente documentadas; a vassalagem que presta a Trump gera desgastes; o radicalismo da extrema-direita afasta moderados; e seu passado é repleto de episódios polêmicos, que vão desde o caso das “rachadinhas” até ligações estreitas com milicianos.
Nas simulações de segundo turno, as pesquisas mostram que Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, e Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, seriam capazes de enfrentar Lula de igual para igual. No caso de Caiado, as condições são inclusive melhores do que as de Flávio. Só que há um detalhe: para chegar lá, Caiado ou Zema teriam que ultrapassar Flávio na primeira fase, classificando-se para a batalha final. Mas como? Ambos parecem conformados com a situação de reservas de Flávio, esperando que o acaso entre em campo e apronte uma das suas surpresas.
A essa altura, já era para Flávio ter escolhido o candidato a vice em sua chapa, conforme havia prometido. O adiamento da decisão para o início de agosto é um claro sinal de fraqueza, ou denota o comportamento dos que não querem correr riscos desnecessários no momento.



