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O mesmo elenco, o mesmo treinador… então o que mudou no CRB?


(Foto: Francisco Cedrin CRB)

O futebol brasileiro costuma pedir ruptura antes mesmo de entender o problema.

Troca treinador, muda esquema, desmonta elenco, reinicia tudo. O ambiente do resultado imediato quase sempre trata sequência ruim como prova absoluta de fracasso total.

Mas os números do CRB ajudam a mostrar um outro caminho.

O comparativo entre o período de 11 jogos sem vencer e a atual sequência de cinco vitórias seguidas revela algo interessante: não houve uma revolução tática. Houve refinamento.

Os scores de comportamento coletivo continuam muito próximos em vários fundamentos do jogo. O CRB já pressionava, construía, chegava ao último terço e tentava controlar espaços. O problema estava na forma como executava as ações decisivas.

Mikael – Artilheiro do CRB. (Foto: Francisco Cedrin CRB)

A principal mudança apareceu na efetividade.

O Índice de Conversão Ofensiva saltou de 0,82 para 2,33 por jogo, crescimento de 184,1%. Mais do que finalizar, o time passou a concluir melhor as jogadas.

Hoje, o CRB agride os espaços com mais clareza. Danielzinho infiltra melhor entre linhas. Mikael passou a atacar profundidade e rebotes com mais frequência. Os movimentos ofensivos ficaram mais coordenados e menos aleatórios.

O time deixou de apenas ocupar o campo ofensivo. Passou a transformar presença em impacto.

Comissão e Eduardo Barroca no treino do CRB.. (Foto: Francisco Cedrin CRB)

Defensivamente, os ajustes também aparecem de forma clara. O Índice de Vulnerabilidade Defensiva caiu de 1,73 para 0,67 por jogo, redução superior a 61%.

O bloco médio ficou mais sincronizado, a equipe balança melhor defensivamente e encurta espaços com mais agressividade e leitura coletiva. A pressão parece mais coordenada e a última linha mais protegida.

Henri em disputa pela posse da bola.. (Foto: Francisco Cedrin CRB)

Os dados reforçam isso.

As finalizações médias cresceram de 10,3 para 16 por partida. As finalizações sofridas caíram de 12,2 para 10,4.

Curiosamente, a posse de bola diminuiu.

O CRB saiu de 57,3% de posse média para 49,7%. Menos posse estéril, mais objetividade. Menos controle vazio, mais agressividade funcional.

Talvez esteja aí a maior chave dessa transformação.

Não foi ruptura. Foi ajuste.

No futebol de resultado imediato, quase sempre se vende a ideia de que não vencer exige destruir tudo e começar do zero. Os números do CRB apontam outra leitura: às vezes, a evolução está em corrigir detalhes, manter convicções e melhorar a execução.

Porque no futebol profissional, muitas vezes a diferença entre crise e consolidação mora exatamente nos detalhes que quase ninguém tem paciência para enxergar.

Dados comparativos: Outlier Play.



Fonte: Gazetaweb