A vitória de Lula no segundo turno, neste domingo (25/10), mudou o cenário político nacional e importantes reflexos em Alagoas. O presidente foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, numa virada sobre Flávio Bolsonaro, que terminou com 48,21%.
Lula chega ao quarto mandato com uma vitória apertada e o desafio de governar um país dividido. Terá de negociar com um Congresso de diferentes forças políticas, enquanto a oposição mantém uma base eleitoral expressiva.
A eleição também mostrou uma capacidade de mobilização da esquerda que não havia aparecido com a mesma intensidade no primeiro turno. Manifestações nas ruas e uma campanha mais ativa nas redes ajudaram Lula a ampliar sua votação e superar o adversário.
Em Alagoas, a vitória foi mais ampla. Lula recebeu 1.152.621 votos, ou 60,77% dos válidos, contra 744.140 votos de Flávio Bolsonaro. A diferença chegou a 408 mil votos.
Agora, com resultados do primeiro e segundo turno, é possível avaliar quem se fortalece ou perde força no Estado com a vitória de Lula .
O que se espera em Alagoas é o fortalecimento do grupo que apoiou Lula. Renan Filho, derrotado por JHC na disputa pelo governo, poderá recuperar espaço de articulação em Brasília e reorganizar a oposição estadual. Nos últimos dias ele voltou com forças as redes, intensificou a atuação no Senado e nas ruas.
Ex-ministro dos Transportes, Renan mantém uma relação próxima com Lula e poderá ter participação nas articulações do novo governo. A derrota para JHC não será revertida, mas a reeleição do presidente lhe dá novas condições de atuação.
Paulo Dantas também sai politicamente fortalecido. O governador encerra seu mandato em janeiro, mas continuará com um aliado no Palácio do Planalto e condições de participar da reorganização do grupo que apoiou Lula em Alagoas – integrado por ele, Marcelo Victor e os Renans.
O resultado favorece ainda os deputados federais Isnaldo Bulhões e Rafael Brito. Ambos mantêm relações com o governo federal e poderão ampliar sua participação nas negociações políticas e administrativas em Brasília.
Arthur Lira fez uma escolha no segundo turno. Declarou apoio a Flávio Bolsonaro, mobilizou prefeitos e participou da campanha. A derrota do candidato do PL cria uma dificuldade para o senador eleito. Lira, que manteve relações de proimidade com Lula durante a presidência da Câmara dos Deputados, terá agora de reconstruir canais de diálogo com o governo.
Lira foi o senador mais votado de Alagoas, mantém uma base de apoio nos municípios e tem experiência nas negociações do Congresso. Pode inlclusive, no próximo ano, aumentar sua influência a partir da articulação do centrão.
Projeção nacional
Alfredo Gaspar fez uma aposta de alto risco. Deixou de disputar o Senado, onde aparecia entre os nomes mais competitivos, para integrar a chapa de Flávio Bolsonaro como candidato a vice-presidente. Perdeu a eleição e abriu mão da possibilidade de conquistar um mandato de oito anos no Senado. Também não disputou a reeleição para a Câmara dos Deputados.
O custo político da decisão é ficare sem mandato a partir de 2027. Mas a campanha também lhe deu projeção nacional. Participou de debates, percorreu o país e passou a integrar o grupo de lideranças da direita brasileira.
Em Alagoas, sai da eleição como principal nome desse campo político. Poderá agora de transformar a visibilidade em capacidade de organização e liderança, mesmo sem mandato. E claro, que poderá ser convocado para outras missões “fora de Alagoas”.
Esquerda
A vitória de Lula poderá fortalecer o PT e seus aliados em Alagoas. O presidente ampliou sua votação estadual de 54,73% no primeiro turno para 60,77% no segundo, numa campanha que foi liderada em Alagoas pelo partido, com ajuda do governador Paulo Dantas e do senador Renan Filho;
Foram mais de 157 mil votos a mais entre os dois turnos. O crescimento também ocorreu em Maceió, onde Lula recebeu quase 47 mil votos a mais no segundo turno. Flávio Bolsonaro venceu na capital, mas com vantagem menor do que a registrada no primeiro turno.
A mobilização espontânea de apoiadores nas ruas e nas redes, observada durante a campanha, poderá contribuir para reorganizar a militância petista. O desafio será manter essa participação depois da eleição.
O PT também terá três deputados na Assembleia Legislativa, incluindo Teca Nelma, eleita com mais de 44 mil votos, e Ronaldo Medeiros, que participou da coordenação da campanha de Lula em Alagoas.
Um novo cenário
A vitória de Lula não apaga a derrota do MDB na eleição estadual nem retira a força dos grupos de Arthur Lira e Alfredo Gaspar. Mas muda as condições de negociação.
Renan Filho e Paulo Dantas poderão reorganizar seu grupo com um aliado no Planalto. Lira terá de administrar sua relação com o governo que ajudou a combater. Gaspar seguirá como liderança da direita, agora sem mandato.
E o PT terá a oportunidade de transformar a mobilização do segundo turno em maior presença política nos municípios e na capital.



