O atleta ucraniano Vladyslav Heraskevych, de 27 anos, especialista no skeleton, anunciou que acionará a Justiça após ser desclassificado das Olimpíadas de Inverno Milão-Cortina 2026. A punição ocorreu após ele insistir em usar um capacete personalizado com imagens de mais de 20 atletas e treinadores ucranianos mortos desde o início da invasão russa, em 2022.
O incidente aconteceu na quinta-feira (12/2), minutos antes do início da competição masculina de skeleton, no Centro de Deslizamento de Cortina d’Ampezzo, na Itália.
O Comitê Olímpico Internacional (COI) considerou o capacete, apelidado de “capacete da memória”, uma violação da Regra 50 do Olimpismo, que proíbe manifestações políticas, religiosas ou de qualquer natureza que interfiram na neutralidade dos Jogos.

Durante encontro, Volodymyr Zelensky condecorou o atleta com a Ordem da Liberdade e reforçou críticas ao Comitê Olímpico
Gabinete presidencial da Ucrânia/ reprodução

Durante encontro, Volodymyr Zelensky condecorou o atleta com a Ordem da Liberdade e reforçou críticas ao Comitê Olímpico
Gabinete presidencial da Ucrânia/ reprodução

Heraskevych havia usado o capacete durante treinos oficiais na segunda-feira (9/2), quando o COI permitiu a peça como exceção. No entanto, para a prova oficial, o comitê exigiu a remoção ou a substituição por uma alternativa: uma braçadeira preta simples.
O atleta recusou a troca, argumentando que a homenagem não era política, mas um tributo humano a colegas que “nunca mais poderão competir”.
O COI retirou a acreditação de Heraskevych, impedindo sua participação. A Ucrânia reagiu com indignação: o presidente Volodymyr Zelensky condecorou o atleta com uma honraria estatal, afirmando que sua coragem “vale mais do que qualquer medalha” e criticando o COI por “dar munição aos agressores” em vez de promover a paz. O ministro do Esporte ucraniano classificou a decisão como “vergonhosa” e “injusta”, mas descartou boicote aos Jogos.
A equipe ucraniana recorreu imediatamente ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), em Lausanne, na Suíça, com um pedido urgente. O CAS analisou o caso em caráter emergencial, mas rejeitou o recurso, mantendo a desclassificação.
Heraskevych, porta-bandeira da Ucrânia na cerimônia de abertura, planeja agora prosseguir com ações judiciais adicionais, possivelmente em cortes suíças ou internacionais, alegando violação de direitos humanos e liberdade de expressão.
A Ucrânia vê na proibição uma “dupla moral” do COI. Outros atletas ucranianos, como a equipe de revezamento do luge, prestaram solidariedade ao erguer capacetes em apoio durante suas provas.
Decisão do CAS e defesa pessoal
O atleta, em seu depoimento, diz que o COI quis desvalorizá-los como vítimas, mas acabou desvalorizando a si mesmo.
“Apesar da decisão do CAS, sigo acreditando sinceramente que não cometi nenhuma das infrações das quais sou acusado pelo COI. Continuarei lutando pelos meus direitos ao lado da minha equipe de advogados e confio que levaremos esse caso até que a justiça seja feita”, afirmou.
“A luta também acontece no esporte”
Ele continuou dizendo que a batalha não ocorre apenas no campo de guerra. “Ela se estende a diversas áreas, e o esporte, infelizmente, não é exceção. A presença e a influência da propaganda russa no cenário esportivo internacional são inaceitáveis, pois essa narrativa tem um preço muito concreto: vidas humanas”, disse.
Às vésperas dos Jogos Paralímpicos, que terão início logo após os Jogos Olímpicos, a situação se torna ainda mais delicada. “A Rússia foi autorizada a competir sob sua bandeira e com seus símbolos nacionais. Entre os integrantes da delegação paralímpica russa há ex-militares, o que amplia a controvérsia e reforça o debate sobre os limites entre esporte, política e responsabilidade internacional”, revelou.


