PREVISÃO
Fenômeno do El Niño atua sobre uma base de elevação de temperatura preexistente causada pelas mudanças climáticas
Durante a primavera e com aproximação do verão, o El Niño fica no centro das atenções no Brasil, mas nem todo evento extremo é causado diretamente por esse fenômeno, como as ondas de calor.
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De acordo com o ClimaInfo, o aquecimento que o El Niño provoca é temporário e, apesar de contribuir com alguns episódios, ocorre sobre uma base de aquecimento que já existe independentemente dele: aquele causado pelas mudanças climáticas.
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O calor extremo, por exemplo, tem sua ligação mais forte e direta com o aquecimento global do que com o próprio El Niño.
Dados do CEMADEN (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação mostram um crescimento na frequência das ondas no Brasil durante os episódios de El Niño:
- 1982–1983: 3 episódios de onda de calor.
- 2023–2024: 9 episódios de onda de calor.
Eventos ligados ao El Niño
Historicamente, o fenômeno aumenta o volume de chuva no Sul do Brasil e, junto às mudanças climáticas, pode resultar em tragédias como as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul.
As tempestades extremas, no entanto, ocorrem mesmo sem ele. Em fevereiro de 2023, a cidade de São Sebastião, em São Paulo, registrou mais de 600 mm de chuva em menos de 24 horas por fatores meteorológicos locais somados ao aquecimento global, que adicionou até 50 mm extra à tempestade.
Situação atual
No Pacífico Equatorial, foi registrado 2,3 °C acima da média na última segunda-feira (5), a quarta semana seguida na faixa muito forte do El Niño. As anomalias chegam a 4,5 °C na costa do Peru e do Equador.
A previsão indica que o padrão de escassez de chuva deve se manter na Amazônia, onde o nível do Rio Branco, em Roraima, está em 82 centímetros, perto das mínimas históricas. O Rio Negro, no Amazonas, também recua, embora ainda siga acima da seca recorde recente.
A estiagem também impacta os reservatórios do Nordeste, com os açudes de Pernambuco e do Piauí operando perto do pré-colapso, enquanto a capacidade do subsistema Sudeste/Centro-Oeste caiu para 56,1%.
Além disso, houveram impactos humanos fortes. Entre setembro e outubro, temporais e quedas de granizo deixaram mais de 30 mil pessoas fora de casa no país, com destaque para São Paulo e Rio Grande do Sul, representando um volume 33 vezes maior que no mesmo período do ano anterior.
No total, em 2026, 567,5 mil pessoas já foram desabrigadas ou desalojadas por desastres climáticos no país, o que representa um crescimento de 68,8% em relação ao ano passado.


