Search

Os eleitores brasileiros adoram um sem-vergonha. Desde que seja o seu sem-vergonha


Em qualquer época, o sem-vergonha é o herói nacional.

O colega de Metrópoles Tácio Lorran informa que “o escritório de advocacia do presidenciável Flávio Bolsonaro emitiu e cancelou duas notas fiscais no valor total de R$ 1 milhão em favor de uma empresa de fachada (Copenhagen Consultoria e Assessoria, usada por Daniel Vorcaro para movimentar R$ 58 milhões do Banco Master”.

O jornalista noticia, ainda, que “dois dias depois, o escritório de Flávio faturou uma terceira nota, também de R$ 500 mil, desta vez em favor da Contábil Correa. Nesse caso, não há registro de cancelamento”.

A Copenhagen, veja só, tem como único diretor responsável o contador Rogério Lourenço Novo, que consta como único sócio da Contábil Correa.

Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles

Não é que tenha caroço nesse angu; tem é pouco angu nesse caroço “completamente legal e privado”, nas palavras do cândido Flávio Bolsonaro.

Os eleitores brasileiros dizem incomodar-se com a desonestidade dos políticos e demais homens públicos brasileiros. Reclamam, lamentam-se, afirmam nas pesquisas que a corrupção é um problema enorme, mas acabam votando em quem não confiariam a chave de casa.

Vamos deixar de hipocrisia de uma vez por todas: os eleitores brasileiros adoram um sem-vergonha, desde que seja o seu sem-vergonha, e não vou entrar na sociologia que entronizou a malandragem como valor pátrio.

Prova definitiva do nosso fascínio pela desonestidade é que chegamos ao ponto de eleger pela terceira vez para a presidência da República, e estamos indo para a quarta, um sujeito condenado por corrupção e lavagem de dinheiro em todas as instâncias do Judiciário, que foi solto com base em mensagens roubadas sobre nada e coisa nenhuma, sem que qualquer prova contra ele tenha caído por terra.

Não há polarização nenhuma no Brasil da idolatria por sem-vergonhas. Ela é de fachada assim como a empresa para a qual Flávio Bolsonaro emitiu duas notas fiscais de meio milhão cada uma. Emitiu, mas cancelou. Apertou, mas não acendeu, como no samba de Bezerra da Silva.



Metropole