Nova Délhi – O ministro da Fazenda Fernando Haddad comentou o novo episódio na disputa sobre tarifas comerciais nos Estados Unidos. Nesta sexta-feira, o presidente Donald Trump assinou decreto que reduz as tarifas sobre produtos estrangeiros para 10%. Antes disso, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as tarifas impostas pelo presidente norte-americano.
Haddad nega que as tarifas afetem a competitividade brasileira:
“Nossa competitividade não é afetada, como já não era. Nós dissemos desde sempre que isso ia prejudicar o consumidor americano, que no café da manhã, no almoço e na janta, consome produtos brasileiros. Eles foram paulatinamente revendo as tarifas sobre vários produtos, sobretudo esses de consumo de massa, mas nós já tínhamos a percepção de que íamos chegar a bom termo”, avaliou.
O ministro reconhece, contudo, que a instabilidade no cenário – com seguidas mudanças nas alíquotas tarifárias – afeta o país, mas acredita que a situação é passageira.
“Afeta um pouco, mas penso que está durando pouco. Nós estamos colhendo frutos da ação diplomática brasileira com uma velocidade razoável. Obviamente que não queríamos estar passando por isso, mas penso que, diante do desafio, o Brasil e a diplomacia brasileira andaram bem”, avaliou.
A declaração foi dada a jornalistas neste sábado (21) após o ministro discursar na abertura do Fórum Empresarial Brasil-Índia, em Nova Délhi. O ministro acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em sua viagem à capital indiana.
Para ele, ainda é preciso ver os próximos passos do governo americano e compreender o alcance da decisão: “Vamos ver quais vão ser os próximos passos do governo americano, mas independentemente da reação do Executivo à decisão do Judiciário lá, temos certeza que estamos construindo uma ponte robusta para restabelecer a normalidade das nossas relações. Vamos, obviamente, compreender primeiro o alcance da decisão que foi tomada, mas o nosso curso está definido desde o primeiro momento pelo presidente Lula. Vamos restabelecer condições de normalidade, uma vez que entendemos que os 200 anos de amizade que unem os nossos países não podem ser comprometidos por razões ideológicas”, declarou o ministro.
Com o novo desdobramento na situação das tarifas comerciais americanas, o ministro pensa que o processo de derrubada das tarifas vai se acelerar e destaca que o governo brasileiro está focado em amadurecer as parcerias, não apenas com os EUA. “Agora, tudo o que queremos é, em relação à Ásia, em relação à Europa, em relação aos Estados Unidos, ter parcerias maduras, com vantagens mútuas. Não pode ser bom para um lado e ruim para o outro. O Brasil é grande demais para ser quintal de quem quer que seja, nós temos que ser parceiros do mundo todo”, destacou.
Na sexta-feira (20), logo após a decisão da Suprema Corte americana, o ministro reconheceu que o efeito imediato é positivo para os países afetados pelas tarifas. “O efeito imediato, evidentemente, é favorável aos países que foram sancionados”.
E afirmou que o Brasil se comportou “diplomaticamente da maneira mais correta” para lidar com o tarifaço de Donald Trump.
“O Brasil, em todos os momentos, se comportou diplomaticamente da maneira mais correta. Acreditou no diálogo, acreditou na disputa pelos canais competentes. Na contestação pelos canais competentes. Tanto na OMC quanto no judiciário americano. Estabeleceu uma relação diplomática, uma conversa direta para falar de temas relevantes”, afirmou o ministro.



