Evento de decoração ao longo de metade do ano, churrascaria temporária que se estabelece em definitivo em galpão, museu transformado em escritório privado e teatro entregue a escola particular. Desde a concessão, há pouco mais de três anos, o Parque da Água Branca, em São Paulo, passou por transformações profundas que vão além das aves presas, gatos confinados e tapumes cercando boa parte das áreas antes destinadas ao lazer.
Localizado estrategicamente no miolo da zona oeste, região mais rica da cidade, o Água Branca foi entregue à Reserva Novos Parques Urbanos junto com o Villa-Lobos e o Cândido Portinari por pouco mais de R$ 60 milhões, em uma concessão de 30 anos. Questionada pela reportagem, a concessionária nega que o parque foi loteado entre diversas empresas e diz respeitar a vocação do local e as questões ambientais (veja abaixo).
Um dos principais eventos de decoração do país, a Casacor já provocou polêmica no ano passado e gerou multa de R$ 899 mil para concessionária e organizadora por exibir um veículo no estande de uma marca automotiva, sem a autorização para isso. O valor ainda não foi pago e pode acabar virando um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que representantes da sociedade pedem que se torne um processo público, aberto à consulta.
Neste ano, a instalação da Casacor começou no fim de março. A obra segue a todo vapor, inclusive no período noturno, com barulho, movimentação de material e operários ao longo de todo o dia no parque. A desmontagem deverá terminar somente no fim de setembro. Na prática, o evento ocupará parte relevante da Água Branca por metade do ano.
A montagem e desmontagem dos eventos têm atrapalhado, inclusive, o serviço social de equoterapia. O barulho incomoda os cavalos e, entre pais de crianças que participam das atividades, existe o receio de que ocorra algum acidente, como um galope em disparada.
Parte dos frequentadores aponta a utilização de parte da área de proteção permanente (APP) do parque como espaço para a instalação de expositores da Casacor. Já uma academia ao ar livre teve local alterado para uma trilha de angicos, também em APP.


Parque da Água Branca, em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

Parque da Água Branca, em São Paulo
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Parque da Água Branca, em São Paulo
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Parque da Água Branca, em São Paulo
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Parque da Água Branca, em São Paulo
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Parque da Água Branca, em São Paulo
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Parque da Água Branca, em São Paulo
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Parque da Água Branca, em São Paulo
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Parque da Água Branca, em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles

Parque da Água Branca, em São Paulo
William Cardoso/Metrópoles
A presença da Casacor vai além do evento em si. Pouco antes da concessão, o Museu Geológico (Mugeo) foi fechado e transferido para o Instituto Biológico, na Vila Mariana, como reserva técnica, sem visitação do público. O imóvel que o abrigava dentro do Água Branca virou escritório da responsável pela mostra de decoração.
Fechado até hoje também está o Aquário do parque, bem como o bosque de leitura. Tapumes cobrem parte das atrações do local.
Frequentadores falam em descaracterização do parque
Entre pessoas que acompanham o Água Branca há décadas, a percepção é a de que o parque tem sido descaracterizado após a concessão.
“É uma concessão de um bem público, não é uma prestação de serviço tarifado. Então como essa concessionária vai obter retorno? Locando espaço. Ela [concessionária] virou uma grande imobiliária”, afirma a ex-conselheira e integrante de movimento de frequentadores do parque, Regina Lima.
A ex-conselheira cita ainda a locação da Fazenda Churrascada, que teria autorização para ser um evento temporário de seis meses, mas teve um contrato de locação de 54 meses.
“O contrato de locação da Fazenda Churrascada é como se fosse de um restaurante em um shopping. Não tem diferença. A mesma coisa em um evento como o da Casacor, parece que está alugando um andar em um shopping. É a mesma lógica de consumo, de serviço e exposição de marca”, diz.
Uma ação civil pública trata a respeito da instalação da Casacor em 2025. O processo tem como alegação principal a denúncia de que o evento foi executado sem as licenças obrigatórias, tanto ambientais quanto urbanísticas e patrimoniais, e causa prejuízo à fauna, flora e ao patrimônio histórico e cultural do parque.
Segundo o advogado Roberto Cosso, que acompanha o caso, esse prejuízo se evidencia pela supressão de vegetação nativa, instalação de estruturas em áreas de preservação permanente (APP), cercamento de áreas públicas num bem de uso comum do povo e funcionamento em horário regular e irregular.
“Eles vão tentando ganhar dinheiro das mais diferentes formas possíveis, sem grande respeito às obrigações contratuais”, afirma Cosso.
Na última quarta-feira (20/5), a juíza da 5ª Vara da Fazenda Pública, Larissa Kruger Vatzco, determinou que a prefeitura e responsáveis informem se houve a efetiva assinatura pelas partes do TAC “e se o estudo histórico do paisagismo e da vegetação do Parque da Água Branca já foi iniciado ou entregue”.
Procurado, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) não se manifestou especificamente sobre o Parque da Água Branca. Ao longo desta última semana, o MPSP divulgou que pretende investigar as concessões dos parques Villa-Lobos e Cândido Portinari, ambos sob responsabilidade da Reserva.
O que dizem Casacor e Fazenda Churrascada
A Casacor afirma que o perímetro de ocupação do evento foi “devidamente aprovado pela concessionária do parque e respectivos órgãos de patrimônio”. Também disse que “todas as atividades realizadas no período de obras estão de acordo com as orientações operacionais da concessionária do Parque Água Branca, estando também devidamente aprovadas com os órgãos de patrimônio”.
A Casacor também diz que fez sua primeira ocupação no Parque Água Branca em 2025, sem qualquer envolvimento com a remoção do Museu Geológico.
Sobre a reforma da escadaria do imóvel principal, a organizadora do evento disse que, em 2025 e 2026, promoveu a higienização das fachadas com empresa especializada em caráter de conservação dos imóveis utilizados em seu evento. “Já a escadaria, se mantém interditada, aguardando aprovação dos órgãos de patrimônio para eventual restauro”, diz.
Questionada sobre o TAC, a Casacor afirma que se trata “de instrumento legalmente previsto e amplamente utilizado em processos administrativos dessa natureza, voltado à implementação de medidas de interesse público relacionadas à preservação e valorização do patrimônio cultural”.
Responsável pela Fazenda Churrascada, o Heat Group diz que a unidade pop-up foi concebida para ser um projeto temporário, em estrutura reversível, com a possibilidade de extensão. “Desde o início, foi ressaltado que essa eventual continuidade dependeria do sucesso da ativação e de aprovações específicas, cumprimento de condicionantes e implantação de contrapartidas e melhorias em benefício do parque”, afirma, citando que o prazo contratual não substitui nem dispensa as autorizações públicas.
O Heat Group diz que nunca impôs, solicitou ou condicionou a realocação da Feira de Orgânicos ou do Baile da Terceira Idade, “que não causam qualquer incômodo ou impacto à sua operação no parque”.
A empresa também diz que o projeto respeita integralmente as normas ambientais definidas pela concessionária e pelos órgãos responsáveis. Também afirma que os horários seguem os limites permitidos e as atividades foram planejadas para não gerar impactos sobre a fauna e a flora.
O que dizem o governo estadual e a prefeitura
A Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), do governo estadual, diz que “acompanha de forma contínua o andamento das fiscalizações realizadas pelo órgão responsável e mantém atenção permanente à regularidade das atividades desenvolvidas no parque, com foco na adequada prestação de serviços à população, na preservação do patrimônio histórico, ambiental e cultural do espaço, bem como no respeito às normas legais e contratuais vigentes”.
A Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa disse, por meio do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), que direcionou ao Poder Concedente questões relacionadas ao caso, para manifestação preliminar. “O Conpresp aguarda as respostas do Poder Concedente para encaminhamento.”
O que diz a concessionária Reserva
A reportagem enviou 15 perguntas à Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), que encaminhou diretamente à concessionária Reserva, antes que esta fosse acionada pelo Metrópoles.
A concessionária afirmou que “é importante esclarecer que o Parque da Água Branca não foi ‘loteado’ após a concessão”.
“O que existe é a implantação gradual de um modelo de gestão previsto no contrato de concessão, com diferentes usos, serviços, atividades, eventos e parcerias compatíveis com o Plano Diretor do Parque, sua vocação histórica, cultural, ambiental, agroeducativa e de lazer, sempre sujeitos às autorizações do Poder Concedente, dos órgãos de preservação, nos termos do Plano de Intervenções amplamente debatido junto ao Conselho de Orientação e das demais instâncias públicas de acompanhamento”, diz.
Segundo a Reserva, a concessão não transfere a titularidade do parque, não privatiza áreas públicas e não altera sua função coletiva.
1 – Notamos que área destinada à Casacor avança sobre APP (na lateral), levando inclusive ao deslocamento da academia para um bosque da trilha de angicos (também em APP). Por qual motivo?
As ocupações e eventos realizados no parque, inclusive a Casacor, são objeto de análise e autorização pelos órgãos competentes, observadas as restrições ambientais, patrimoniais e operacionais aplicáveis. As estruturas temporárias são implantadas com acompanhamento técnico e medidas de mitigação, sem afastar a obrigação de recomposição das áreas utilizadas e de preservação dos elementos protegidos.
2 – Barulho, circulação de carrinhos pelas alamedas, iluminação intensa, mesmo tarde da noite, obras e ocupação por um longo período do ano, de março a setembro, têm gerado críticas. Qual a posição sobre isso?
As atividades realizadas no parque seguem planos operacionais próprios, com controle de horários, rotas internas, iluminação, montagem e desmontagem, além de medidas de segurança e mitigação. As críticas pontuais são recebidas com atenção e podem gerar ajustes operacionais sempre que necessário. É importante destacar, porém, que a percepção geral dos frequentadores é positiva. Nos termos do contrato de concessão, a satisfação dos visitantes é aferida por empresa independente e auditada por auditor independente, tendo sido registrado índice de 90% de aprovação da atuação da concessionária pelos usuários. Esse resultado demonstra que a requalificação gradual do parque, embora envolva obras e ajustes operacionais, tem sido percebida de forma amplamente favorável pelo público.
3 – Em novembro de 2022, o Museu Geológico foi removido de imóvel no interior do parque e, hoje, existe apenas como reserva técnica no Instituto Biológico, na Vila Mariana, sem abertura à visitação. Atualmente, o prédio onde ficava o museu é usado como escritório permanente da Casacor. Qual a posição sobre isso?
O antigo espaço do Museu Geológico e a destinação institucional do acervo não são decisões tomadas pela concessionária, visto que a concessionária recebeu as edificações desocupadas no início da concessão. A Reserva não é responsável pela remoção do museu nem pela definição da política pública de guarda, transferência ou exposição do acervo. Quanto ao uso das edificações do parque, qualquer ocupação deve observar as autorizações aplicáveis e as diretrizes de preservação do patrimônio.
4 – Por qual motivo a Casacor não fez o restauro da parte externa do imóvel principal, que tem até escadaria interditada?
As intervenções em imóveis históricos são submetidas aos órgãos de patrimônio e executadas conforme escopo autorizado. Em bens tombados, nem toda intervenção pode ser realizada de forma imediata ou simultânea, pois depende de aprovação técnica, compatibilização com segurança, definição de responsabilidade, priorização de etapas e viabilidade executiva. O processo de restauro da escadaria em questão está em trâmite perante os órgãos de preservação do patrimônio e a Concessionária vem diligenciando para que, assim que expedida a autorização de restauro, seja efetivada.
5 – Por qual motivo a Casacor pretende transformar a multa de R$ 899 mil em um TAC? Qual produto/serviço surgirá a partir do TAC? O poder concedente tem ciência disso? Por qual motivo não é dada publicidade ao TAC?
Do ponto de vista da gestão do parque, é importante registrar que as manifestações técnicas e a deliberação do Conselho competente foram claras ao reconhecer que não houve dano ao patrimônio histórico no caso analisado. A partir dessa premissa, eventual Termo de Ajustamento de Conduta, caso venha a ser admitido pela autoridade competente, deve ser compreendido como instrumento de interesse público, voltado a produzir medida útil ao próprio patrimônio protegido, e não como substituição de reparação por dano inexistente.
6 – Embora caracterizada como evento temporário, a Reserva e a Fazenda Churrascada firmaram contrato de 54 meses. Isso não caracteriza um evento permanente?
A Fazenda Churrascada foi estruturada como projeto compatível com a vocação agropecuária, cultural e gastronômica do Parque da Água Branca, observadas as aprovações e condicionantes aplicáveis. A existência de instrumento contratual de prazo mais longo não transforma, por si só, uma atividade temporária ou reversível em ocupação permanente. A permanência, forma de operação, estruturas e usos dependem sempre das autorizações públicas, das regras da concessão e da compatibilidade com o parque.
7 – A Fazenda Churrascada pretende utilizar a área anteriormente ocupada pela Feira de Orgânicos. Segundo críticos, também pretende remover o Baila da Terceira Idade do local onde está instalado, evitando vazamento de som para dentro da churrascaria. Qual a posição sobre isso?
A afirmação não corresponde à realidade. A Reserva reconhece a relevância histórica, social e afetiva da Feira de Orgânicos, do Baile da Terceira Idade e das demais atividades tradicionais do Parque da Água Branca, que são consideradas no planejamento da concessão como usos importantes e compatíveis com a vocação do parque.
Não há qualquer diretriz da concessionária de eliminar ou enfraquecer essas atividades. Ao contrário, os eventuais ajustes de localização, infraestrutura, fluxo e convivência de usos vêm sendo tratados tecnicamente, com o objetivo de ampliar segurança, acessibilidade, conforto, organização e qualidade da experiência dos frequentadores.
No caso do Baile da Terceira Idade, a proposta prevê sua realocação para uma área completamente requalificada, mais adequada ao uso, climatizada, com melhores condições de acolhimento e permanência. O projeto foi desenvolvido com diálogo e participação do Instituto da Melhor Idade, justamente para assegurar a continuidade da atividade em melhores condições.
O mesmo cuidado vem sendo adotado em relação à Feira de Orgânicos. O projeto prevê sua instalação em área maior, qualificada e de destaque no parque, compatível com a relevância da feira para a história, a identidade e a função social do Parque da Água Branca. A proposta já foi aprovada pelo CONDEPHAAT e encontra-se em fase de análise pelo CONPRESP. Uma vez concluídas as aprovações necessárias, a implantação permitirá entregar à Feira de Orgânicos um espaço mais estruturado, valorizado e adequado ao seu funcionamento, sendo que, no mesmo sentido, os projetos agurdam aprovação para requalificação da área do Baile da Terceira Idade.
Portanto, não se trata de remoção de atividades tradicionais, mas de um processo de requalificação e organização de usos, conduzido com participação dos envolvidos e submetido às aprovações dos órgãos competentes.
8 – A concessionária pode transformar as cocheiras em uma espécie de praça de alimentação? Qual a posição sobre isso?
A proposta para as antigas cocheiras não é a transformação do espaço em uma “praça de alimentação”. As cocheiras possuem projeto em fase de aprovação para requalificação de espaço adequado a outro projeto social de relevância para o Parque, a Equoterapia, desenvolvido por organização não governamental, em parceria com a Secretaria Estadual do Deficiente. Trata-se de um projeto de requalificação de uma área histórica e subutilizada, com implantação de estrutura mais adequada ao projeto social de relevância.
9 – O espaço conhecido como Tattersal está em reforma, mas já foi cedido para escola Red House International. Quais os termos do contrato? O espaço ficará indisponível para a população em geral?
O Tattersal integra o conjunto de espaços históricos do Parque da Água Branca em processo de requalificação, com o objetivo de recuperar sua infraestrutura, ampliar sua segurança e permitir usos compatíveis com a vocação cultural, educativa, cultural do parque.
A Reserva não comenta condições comerciais específicas de instrumentos privados, que estão sujeitos a cláusulas de confidencialidade. De todo modo, é importante esclarecer que a parceria não implica exclusividade absoluta de uso, visto que a proposta contempla uso compartilhado do espaço, compatibilizando atividades educativas e institucionais com a possibilidade de programação, fruição e usos de interesse do parque, conforme a natureza do equipamento, sua capacidade operacional, as regras de segurança e as autorizações aplicáveis.
Também é importante destacar que as parcerias comerciais desenvolvidas no âmbito da concessão buscam gerar contrapartidas concretas para o próprio parque, por meio de legados, benfeitorias, melhorias de infraestrutura, recuperação de espaços, qualificação de serviços e ampliação da experiência dos frequentadores. A lógica não é apenas permitir a ocupação de áreas, mas viabilizar usos que contribuam para a conservação, ativação e melhoria contínua do equipamento público, inclusive em edificações que antes da Concessão eram de acesso restrito ao público e que após suas requalificações poderão ser percebidas, usufruídas e vividas pela população.
10 – Eventos e obras constantes prejudicam o trabalho de equoterapia existente no local. Qual a posição sobre isso?
A informação não corresponde à realidade. A concessionária atua para compatibilizar a rotina da equoterapia com as demais atividades do parque, incluindo obras de requalificação, eventos temporários, circulação interna e fluxos de apoio. Quando há qualquer atividade com potencial de eventual interferência, são adotadas medidas de organização e mitigação, como definição de rotas, controle de horários, comunicação prévia, orientação de equipes e ajustes operacionais nas áreas de apoio.
11 – Laudo produzido em 2025 ((Maria Eugenia Carretero, médica veterinária de CRMV-SP 27670, mestre e doutora em ciências na área de patologia ambiental) mostra que iluminação atrapalha os animais do local. Entretanto, eventos e obras são realizados até o início da madrugada. Qual a posição sobre isso?
Reserva trata o bem-estar animal como uma diretriz permanente da gestão do Parque da Água Branca. A concessionária conta com equipe técnica interna dedicada aos cuidados dos animais e realiza monitoramentos periódicos, com laudos e relatórios próprios de acompanhamento, os quais vêm atestando as condições de manejo e o cuidado com o bem-estar animal no parque.
A concessionária respeita manifestações técnicas apresentadas no âmbito dos processos de acompanhamento do parque, mas informa que não teve acesso ao referido laudo, motivo pelo qual solicita o encaminhamento para uma análise técnica adequada.
12 – Animais estão confinados: aves não circulam mais sob a alegação de risco de gripe aviária, gatos escondidos e mantidos por voluntários. Por qual motivo houve essa descaracterização do local?
A afirmação não reflete a realidade da gestão atual dos animais no Parque da Água Branca. As medidas adotadas em relação às aves e demais animais não representam descaracterização do parque, mas sim a implantação de um modelo técnico de cuidado, controle sanitário, segurança e bem-estar animal.
Historicamente, o parque chegou a registrar uma superpopulação de aves soltas, com mais de 2.000 animais entre galos, galinhas, patos, gansos e pavões, expostos a riscos como atropelamentos, ataques de animais externos, acidentes com frequentadores, ninhos em locais inseguros, doenças, ausência de abrigo adequado e vulnerabilidade climática. O próprio material técnico histórico decorrente de convenio firmado junto à USP (antes da Concessão) registra que essa situação gerava riscos sanitários e de bem-estar, além de dificultar o controle veterinário e populacional.
O Plano Diretor do Parque também reconheceu a existência de “explosão populacional” de galos, galinhas e patos, com risco de competição com aves nativas e de transmissão de doenças, indicando como diretriz a redução do número de animais, com atenção à saúde e às atividades exercidas no parque. Os espaços zootécnicos foram, assim, reformados e ampliados para permitir acompanhamento técnico, controle de parasitas, vacinação, controle reprodutivo e manejo adequado.
A medida também se tornou ainda mais relevante diante do alerta de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade iniciado em 2023, que exigiu providências preventivas para proteção dos animais, dos frequentadores e do próprio parque. Segundo o material técnico, a ocorrência de foco de influenza aviária pode levar a medidas severas de emergência sanitária, inclusive restrições de circulação e abate sanitário de animais doentes e aparentemente saudáveis, o que reforça a importância do manejo preventivo.
Portanto, a permanência das aves em espaços zootécnicos adequados não decorre de uma tentativa de descaracterizar o parque, mas de uma decisão técnica voltada à saúde pública, ao controle sanitário, ao bem-estar animal e à segurança dos frequentadores. Nesses espaços, as aves têm alimentação balanceada, água, abrigo, vacinação, vitaminas, acompanhamento veterinário e enriquecimento ambiental, podendo ciscar, explorar, tomar banho de terra, areia, água e sol, em condições mais controladas e seguras.
A concessionária conta com equipe dedicada, composta por cuidadores, biólogos, médico veterinário e profissional ambiental, além de manter programas de medicina preventiva, vacinação, vermifugação e monitoramento sanitário. O próprio material técnico registra que, após a concessão, houve melhora no manejo e no atendimento dos animais, inclusive em relação aos gatos, que passaram a ser incorporados às ações de cuidado e acompanhamento.
O objetivo da Reserva é preservar a vocação agroeducativa do Parque da Água Branca com responsabilidade técnica. A interação entre visitantes e animais continuará sendo estimulada, mas de forma segura, monitorada e compatível com as exigências sanitárias, ambientais e de bem-estar animal.
13 – Aquário segue fechado quase quatro anos depois da concessão. Por qual motivo?
A requalificação do espaço já foi aprovada pelos órgãos de patrimônio competentes, e há previsão de início das intervenções ainda neste ano, já que os projetos técnico e conceitual estão em fase final. A demora decorre justamente da necessidade de cumprir as etapas técnicas e institucionais aplicáveis a um equipamento dessa natureza, evitando soluções improvisadas ou incompatíveis com a realidade do local. A diretriz da concessionária é recuperar o Aquário de forma responsável, segura e adequada, para que o espaço possa voltar a integrar a experiência do público em melhores condições de visitação, operação e manutenção.
14 – Parque está repleto de tapumes, com áreas fechadas, incluindo lago de carpas e bosque de leitura, limitando o espaço de circulação. Quando os espaços serão entregues plenamente à população?
As áreas temporariamente isoladas no Parque da Água Branca correspondem a frentes de manutenção, restauro, reforma ou requalificação, executadas dentro de um cronograma coordenado de intervenções. Há, de um lado, ações permanentes de manutenção e conservação do parque e, de outro, obras de restauro e reformas mais estruturais, que vão integrando o cronograma após as aprovações compatíveis dos órgãos competentes.
Importante esclarecer que mesmo em intervenções de manutenção, o isolamento adequado das áreas é medida técnica necessária e exigida pelas normas de segurança vigentes, incluindo as normas da ABNT aplicáveis a canteiros, e proteção de usuários. Em um parque aberto, com circulação de pessoas, crianças, idosos e trabalhadores, a instalação de tapumes ou barreiras físicas tem por finalidade evitar riscos, impedir acesso indevido a áreas em intervenção e proteger o público, as equipes técnicas e o próprio patrimônio.
Portanto, os fechamentos temporários não têm por finalidade restringir o uso público, mas permitir que as intervenções ocorram de forma segura.
A entrega dos espaços ocorre de forma gradual, conforme a conclusão de cada etapa e as liberações técnicas necessárias. A diretriz da concessionária é reduzir os impactos durante o período de intervenção e devolver as áreas à população em melhores condições de conservação, acessibilidade, segurança, permanência e fruição.
15 – Concessionária instalou totens luminosos de publicidade inclusive em frente às luminárias do parque, como ocorre logo no jardim em frente à entrada da Francisco Matarazzo. Qual a posição sobre isso?
A implantação dos totens foi efetuada de acordo com as diretrizes aprovadas pelos órgãos competentes, inclusive de preservação do patrimônio. Além disso, a intensidade luminosa é reduzida no período noturno, como medida de mitigação e adequação à ambiência do espaço.


