Paulo Dantas sai da disputa para comandar vitória do grupo em Alagoas


Paulo Dantas fala a imprensa. Reprodução

Paulo Dantas poderia ser eleito senador ou deputado federal com facilidade se tivesse renunciado ao mandato nesse sábado (04/04). Ao ficar, torna-se inelegível. Permanece no cargo até o fim do mandato e, com isso, sai definitivamente da disputa eleitoral de 2026. Mas apenas como candidato.

Ao optar por ficar no governo, o governador abre mão de um mandato praticamente assegurado para comandar a construção da vitória do seu grupo político na sucessão estadual.

Paulo virou a chave e passa a concentrar esforços na coordenação da campanha de Renan Filho ao governo e na organização das chapas proporcionais que darão sustentação ao projeto do grupo, formado por eles mais Marcelo Victor e Renan Calheiros.

O governador atuou até o último minuto na montagem das chapas proporcionais. Em articulação direta com Marcelo Victor, conseguiu ampliar a base governista no parlamento. O grupo passa a contar agora com 21 deputados estaduais — sendo 17 no MDB e 4 na federação Brasil.

A oposição ficou reduzida. São apenas seis parlamentares: um no PL e cinco no bloco PP/União. O movimento reposiciona forças.

Paulo também foi decisivo na montagem das chapas de deputado federal. No PSD, ajudou a estruturar nominata para eleger dois nomes. Entre os pré-candidatos estão Luciano Amaral, Júlio Cezar, Davi Maia, Marcos Madeira, Rui Palmeira, Samyra do Basto, Rute Nezinho e Thais Canuto.

No MDB, contribuiu diretamente para fortalecer a chapa federal, liberando nomes, a exemplo de Tereza Nelma e da pastora Cláudia Balbino.

Nos bastidores, avançou ainda na desincompatibilização de sete secretários e outros auxiliares, reforçando nominatas, devendo consolidar, nos próximos dias, o fechamento completo das chapas.

Mas nem só de eleição vive o governador. Entre uma articulação e outra, Paulo Dantas mantém o ritmo da gestão. O governo segue com entregas de obras e programas, ao mesmo tempo em que sustenta índices de aprovação acima de 65%.

Embora a permanência não tenha surpreendido, havia pressão — sobretudo no interior — para que o governador disputasse a eleição deste ano. A avaliação era de que ele seria competitivo no Senado ou Câmara dos Deputados. Não será agora.

Ao decidir ficar, Paulo Dantas troca um projeto pessoal por uma estratégia de grupo. Prefere encerrar o mandato com as entregas consolidadas e assumir o papel de articulador da sucessão, tentando garantir a continuidade do ciclo político iniciado pelo seu campo.

Ao mesmo tempo, o governador deixa aberta a porta para o futuro. Já afirmou que não pretende se aposentar da política, sinalizando que deve seguir ativo após 2027 — possivelmente com novos projetos eleitorais mais adiante. Mas essa é outra história.



Fonte: Gazetaweb