PM de Alagoas prende 2 sargentos por críticas a comandante em grupo de mensagens do batalhão


Jonathas Maresia

Dois sargentos do 3º Batalhão da Polícia Militar de Alagoas – unidade responsável pelo policiamento da cidade de Arapiraca – foram presos administrativamente após postar considerações sobre o comandante da unidade em um grupo de mensagens. A informação foi divulgada pelo deputado estadual Cabo Bebeto (PL) durante sessão ordinária nesta quinta-feira (5), no plenário da Assembleia Legislativa.

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Os militares ficarão detidos por 72 horas a partir desta quinta. O parlamentar criticou a prisão e classificou o sistema militar como problemático. “Recebi a informação de que dois sargentos do 3º Batalhão da Polícia Militar foram presos administrativamente”, informou o parlamentar. A Gazetaweb apurou que a prisão se deu após os militares analisarem em tom crítico algumas determinações administrativas do comandante.

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Diante dos fatos, o deputado caracterizou o militarismo como sistema problemático. “Para quem não conhece o militarismo, ele é um sistema arcaico, ultrapassado e abusivo, que se aproveita de uma lei antiga que não cabe mais hoje e que dá brecha para que pessoas sejam presas de forma sumária, sem o devido processo legal e o direito ao contraditório. E é isso que está acontecendo agora no 3º Batalhão”, declarou Bebeto.

GOLPE EM ARAPIRACA

Durante a mesma sessão, Bebeto questionou a concessão de escolta policial a um sócio de construtora acusada de aplicar golpe superior a R$ 50 milhões em Arapiraca. O deputado manifestou críticas ao Conselho Estadual de Segurança Pública de Alagoas (Conseg/AL), ao Governo do Estado e à Justiça pela autorização da proteção ao empresário.

Escolta policial a empresário acusado

Segundo informações apresentadas pelo deputado, um dos sócios da construtora envolvida no caso de fraude está recebendo proteção policial fornecida pelo Estado. A empresa enfrenta acusações relacionadas à venda fraudulenta de imóveis e outras negociações que resultaram em prejuízos para clientes. A construtora entrou em processo de recuperação judicial.

O parlamentar recebeu relatos de pessoas lesadas pela empresa informando sobre a escolta concedida ao empresário. A situação gerou questionamentos sobre a destinação de recursos de segurança pública para proteção de indivíduo acusado de causar danos financeiros a cidadãos.

“Policiais estão fazendo a segurança de um desses sócios que causou um prejuízo de R$ 50 milhões para muitos homens e mulheres de bem, e o Estado está, agora, protegendo quem lesou as pessoas”, afirmou Bebeto. O deputado classificou a situação como inversão de valores.

Amparo legal questionado

A concessão de segurança policial ao sócio da construtora foi autorizada pelo Conseg/AL, com amparo em base legal. O deputado reconheceu a existência de respaldo jurídico para a medida, mas defendeu a necessidade de revisão dessa prática.

“Fica aqui a minha crítica ao Conseg, ao Governo do Estado e à Justiça, porque, se foi feito isso, é porque há algum amparo legal, mas isso precisa ser revisto”, declarou o parlamentar.

O caso da construtora envolve recuperação judicial, processo que impõe aos prejudicados a necessidade de aguardar e aceitar perdas parciais dos valores investidos. “Quem tomou prejuízo terá que esperar, ter paciência e abrir mão de uma parcela dessa perda financeira. Porque assim é o entendimento do direito quando há recuperação judicial de uma empresa”, observou Bebeto.

O golpe atribuído à construtora ocorreu em Arapiraca. O prejuízo causado pela empresa ultrapassa R$ 50 milhões.

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Fonte: Gazetaweb