Durante o Carnaval, um vídeo do ex-ator de Malhação, Daniel Erthal, viralizou nas redes sociais ao mostrar o artista trabalhando como ambulante em Copacabana, na Zona Sul do Rio, em meio ao forte calor que atingiu a cidade nos dias de folia. Ele chegou a cumprir jornadas superiores a 12 horas, empurrando um carrinho com isopor e carregando sacos nos ombros.
Daniel atua como ambulante há cerca de dois anos e frequentemente é reconhecido por pessoas que passam pela orla. Além dessa atividade, também é proprietário de um bar em Botafogo. Outros nomes conhecidos da televisão seguiram caminhos semelhantes, como Marcelo Antony, que passou a trabalhar como corretor de imóveis, e Cecília Dassi, atualmente psicóloga.
O que diz a especialista
Mas o que motiva artistas a deixarem a carreira na televisão e buscarem novas áreas? Para Rosa Bernhoeft, especialista em carreira e gestão de pessoas, o mercado para atores é concentrado em poucas grandes emissoras e, mais recentemente, em plataformas de streaming, que operam com demanda constante por renovação de elenco.
“Esse ciclo de renovação acelerado significa que mesmo profissionais que alcançam um alto nível de visibilidade podem enfrentar períodos de inatividade, simplesmente porque o mercado busca outras figuras. A fama, por si só, não assegura estabilidade financeira nem continuidade profissional. Ela funciona como um capital de visibilidade que abre portas, mas não garante sua permanência”, afirma.
Segundo a especialista, quando os contratos diminuem, a transição profissional deixa de ser opcional e passa a ser uma necessidade. “O que se observa em muitos casos é que a identidade pública do artista fica excessivamente atrelada a um papel de sucesso ou a um período específico da carreira, sem o desenvolvimento paralelo de outras competências ou fontes de renda”, pontua.
Rosa acrescenta que a combinação entre falta de planejamento e escassez de oportunidades contribui para esse movimento. “As oportunidades no setor audiovisual brasileiro são, de fato, limitadas e suscetíveis a ciclos de investimento que fogem ao controle do profissional. Contudo, a vulnerabilidade a essas oscilações aumenta consideravelmente quando não há um planejamento de carreira a longo prazo”, explica.


Daniel Erthal volta a vender cervejas na praia de Copacabana
Reprodução/Instagram

O ator Daniel Erthal
Reprodução/Instagram

O ator Daniel Erthal

Postura ampreendedora
Ao comentar o caso de Daniel, a especialista destaca a postura empreendedora do ator. “Ele não aguardou a falta de convites se agravar e criou o próprio negócio, demonstrando notável visão empreendedora. Sua atitude contrasta com a de muitos que só percebem a necessidade de mudança quando as alternativas já são escassas.”
Para Rosa, mudar de área não significa abrir mão do reconhecimento público. Com o uso estratégico das redes sociais, ex-atores podem utilizar a visibilidade conquistada na televisão como ferramenta de posicionamento. “A principal estratégia é tratar a transição não como um recuo, mas como um reposicionamento de marca pessoal. A visibilidade construída na televisão é um ativo valioso que, se bem gerenciado, pode ser transferido para um novo empreendimento. O objetivo é converter a audiência conquistada na mídia tradicional em uma comunidade engajada em torno da nova fase profissional, transformando seguidores em clientes e apoiadores.”
“Daniel Erthal aplica esse conceito de forma eficaz ao documentar sua rotina de trabalho nas redes sociais. Ele não oculta os desafios da nova atividade; ao contrário, compartilha o dia a dia, mantendo o carisma que o tornou conhecido. A ex-atriz Cecília Dassi, que hoje é psicóloga e utiliza sua experiência prévia para auxiliar outros artistas, também ilustra como o passado profissional pode agregar valor ao presente”, conclui.



