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Por que o agro precisa incluir saúde dos oceanos na conta da produção?


Ele explica que a capacidade dos oceanos de resfriar o ar está menor, portanto, retirando menos calor da atmosfera. Junto a isso, soma-se a bolha de ar muito seco fruto do desmatamento da Amazônia e Cerrado. Logo, a umidade da Amazônia desceu pelo Centro-Oeste e Sudeste, ficando barrada na Cordilheira dos Andes, até que a umidade se concentrasse no Sul.

Em 18 meses, a temperatura das águas aqueceu o equivalente ao ocorrido nos últimos 30 anos. “Isso muda toda a dinâmica atmosférica de ventos, de massas de ar. Então, o oceano mais quente jogou mais umidade e dificultou a movimentação da bolha de ar seco que estava na região central do Brasil”, esclarece Christofoletti, se referindo à época das inundações no Rio Grande do Sul.

Entender este episódio, ele diz, ajuda a provisionar o impacto à balança comercial brasileira, sobretudo para o agronegócio. Isso porque, a Antártica está em suspensão de formação de gelo e o oceano mais quente joga mais umidade. Isso dificulta a previsão do clima e a condução das lavouras.

“O agronegócio passa a viver mais instabilidades, encarar uma nova realidade de quebras de safra mais constantes. As plantações precisam estar preparadas para essa instabilidade climática e os produtores devem ver a produtividade cair”, estima o professor da Unifesp.

Em setembro, Ilan Goldfajn, presidente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), afirmou que o impacto econômico total causado pela enchente histórica no Rio Grande do Sul chegou a R$ 87 bilhões.

A CNM (Confederação Nacional dos Municípios) estima que os prejuízos específicos à agropecuária sejam superiores a R$ 5 bilhões. Os valores, no entanto, ainda podem passar por revisão, além das perdas ocultas, ou seja, aquilo que não foi possível precificar.



Fonte: Uol