Alagoas apresenta hoje uma combinação que ajuda para a entender a queda dos homicídios no Estado: redução consistente das mortes violentas ao mesmo tempo em que a população carcerária cresce de forma acelerada no Estado.
Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram duas trajetórias distintas.
Os homicídios caíram de 2.273 casos em 2013 para 949 em 2025, uma redução de 1.324 mortes, equivalente a -58,2% no período. Em 2026, a tendência segue de queda: foram 289 casos no primeiro quadrimestre, média de 2,4 por dia, contra 6,2 por dia em 2013.
No sentido oposto, o número de pessoas privadas de liberdade aumentou de forma contínua nas últimas duas décadas.
No início da série do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2005, Alagoas tinha cerca de 2,1 mil presos.
Em 2013, esse número já havia mais que dobrado, chegando a 4.333 pessoas privadas de liberdade.
Em 2015, o total sobe para 5.785 presos, crescimento de 33,5% em apenas dois anos.
A expansão continua na década seguinte. Em 2021, Alagoas registra 10.553 presos, mais que o dobro em relação a 2015 (+82,5%).
Nos dados mais recentes, o avanço se mantém. Em 2024, o total chega a 14.077 pessoas privadas de liberdade, crescimento de 3.524 presos em três anos (+33,4%).
Na comparação de longo prazo, o salto é expressivo: de cerca de 2,1 mil presos em 2005 para mais de 14 mil em 2024, aumento superior a 11,9 mil pessoas, o que representa crescimento acima de 560%.
Além do volume, houve mudança no perfil.
Em 2021, 71,1% dos presos em Alagoas eram condenados e 28,9% provisórios.
Em 2024, os condenados passam a representar 79,6%, enquanto os provisórios ficam em 20,4%.
Ou seja, cresce não apenas o número de presos, mas também a proporção daqueles já sentenciados.
Os dados não permitem afirmar causalidade direta, mas indicam uma mudança relevante na política de segurança. Alagoas ampliou sua capacidade de prender, processar e manter condenados no sistema. Isso reduz a circulação de criminosos reincidentes e tende a impactar crimes violentos.
No mesmo período, o Estado reforçou ações de policiamento, uso de inteligência e endureceu o discurso no enfrentamento ao crime.
O resultado aparece nos indicadores: queda contínua dos homicídios e mudança de patamar da violência.
O desafio passa a ser de sustentabilidade. O crescimento da população carcerária pressiona o sistema prisional, eleva custos e exige expansão de infraestrutura e gestão.
Os números mostram avanço na redução da violência, mas também indicam que o modelo adotado cobra seu preço — e exige ajustes para manter resultados no médio e longo prazo.
Veja os principais números e variações:
Homicídios em Alagoas
2013: 2.273 – 2025: 949 / Variação: -1.324 mortes / Queda: -58,2%
Média diária: 2013: 6,2 por dia / 2026 (jan–abr): 2,4 por dia
2026 (jan–abr): 289 homicídios / Projeção anual: abaixo de 900
População carcerária em Alagoas
2005: ~2.100 presos – 2013: 4.333 presos / Variação 2005–2013: +2.233 / Crescimento: +106%
2015: 5.785 presos / Variação 2013–2015: +1.452 / Crescimento: +33,5%
2021: 10.553 presos / Variação 2015–2021: +4.768 / Crescimento: +82,5%
2024: 14.077 presos / Variação 2021–2024: +3.524 / Crescimento: +33,4%
Variação total 2005–2024 +11.977 presos /Crescimento: +570%
Perfil dos presos
2021: Condenados: 7.507 (71,1%) / Provisórios: 3.046 (28,9%)
2024: Condenados: 11.206 (79,6%) / Provisórios: 2.871 (20,4%)
Variação 2021–2024: Condenados: +3.699 (+49,3%) / Provisórios: -175 (-5,7%)
Resumo
Homicídios: -58% em 12 anos
Presos: +570% em 19 anos
Mais condenados, menos provisórios. Média diária de mortes caiu de 6,2 para 2,4



