O professor de matemática afastado definitivamente de um colégio no Benedito Bentes, em Maceió, nega ter cometido injúria racial contra um adolescente durante aula. A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o caso. O episódio ocorreu em sala de aula e foi registrado pelas câmeras de segurança da instituição de ensino.
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A família do estudante formalizou denúncia na Polícia Civil de Alagoas, que abriu inquérito para apurar o crime supostamente cometido pelo docente.
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Versão da defesa sobre o episódio
Segundo a defesa do professor, a imagem de um gorila apareceu fora do que havia sido planejado pedagogicamente. Um estudante teria chamado o docente, conforme mostra a filmagem. O professor não entendeu porque a imagem estava fora do contexto da aula e pediu para o estudante guardar o material. Com uma folha de caderno, o educador apontou para o adolescente, que se sentiu ofendido.
Os demais estudantes começaram a rir, interpretando a situação como brincadeira, já que o professor é conhecido por ser bem-humorado e brincalhão. O docente teria pedido silêncio imediatamente.
O educador possui mais de 20 anos de experiência em sala de aula. Segundo a defesa, o professor nunca se envolveu em casos de racismo anteriormente.
Relato da família do adolescente
O pai do estudante relatou que o filho chegou em casa com expressão de choro, diferente do habitual. Ao ser questionado pela família sobre o que havia acontecido, o adolescente foi para o quarto chorando desesperadamente. A mãe, a avó e o pai tentaram entender a situação, quando o estudante relatou o episódio envolvendo o professor.
O adolescente não conseguiu retornar às aulas após o ocorrido. O pai afirmou que o filho não quis retornar para a escola. Após alguns dias, a família conseguiu convencê-lo a voltar, mas depois que chegou em casa, o estudante disse que realmente não queria voltar e está sem frequentar as aulas no momento.
O pai do adolescente entrou em contato com o colégio no dia 12. No dia 13, foi realizada conversa telefônica com o pai.
Posicionamento do colégio
O colégio adotou medidas institucionais assim que teve conhecimento do caso. A instituição afastou o professor de forma imediata e preventiva, abrindo procedimento interno para apurar a conduta em sala de aula.
Após apuração dos fatos, respeitando o princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, o colégio decidiu afastar o professor de forma definitiva, com base na legislação trabalhista.
O representante do colégio declarou que, “a gente respeitou o princípio constitucional do contraditório da plana defesa. E após uma apuração minuciosa dos fatos, o colégio, com base na legislação trabalhista, decidiu afastar de forma definitiva o professor.”
As equipes pedagógica e psicossocial seguem acompanhando o caso e prestando acolhimento ao aluno e à família. A instituição está elaborando relatório que será entregue ao Conselho Tutelar.
Sobre a colaboração com as autoridades, o colégio informou que, “o dever institucional do colégio é fazer o relatório da sua versão e acompanhar. A gente não pode dar muito de detalhe porque o inquérito é sigiloso, mas o colégio está colaborando com os órgãos competentes e cabe a esses órgãos julgar.”
O colégio não pode fornecer detalhes porque o inquérito é sigiloso. A instituição afirmou que cabe aos órgãos competentes julgar o caso.
Defesa afirma que professor será ouvido
O professor será ouvido nos próximos dias pela Polícia Civil. A defesa do educador afirma que ele vai prestar todas as informações e não está tentando se isentar ou fugir. O advogado declarou que o professor vem contribuindo com as investigações, conversando diariamente e passando informações para construir a defesa.
O advogado afirmou que, “vai ser ouvido, vai prestar todas as informações, não está em um momento se isentando ou tentando fugir, muito pelo contrário, vem contribuindo, inclusive conversando comigo diariamente, constantemente na verdade, passando as informações, para a gente construir uma tese para mostrar claramente que não houve a intenção, certo? Não houve o dolo específico para injuriar o adolescente.”
O advogado do professor declarou que o docente está completamente destruído com a repercussão do caso. Segundo a defesa, comentários nas redes sociais mostram que o professor é uma pessoa querida e respeitada, que sempre respeitou todos os estudantes, e vê sua vida desmoronando.
O advogado afirmou que o professor possivelmente responderá a processo e que é positivo que isso aconteça para mostrar sua inocência. O advogado questionou como ficará a vida do docente caso ele seja inocentado.
Não há informações sobre quando exatamente o professor prestará depoimento à polícia.



