ARTIGO
Problema começa quando essa ansiedade deixa de ser passageira e se transforma em sofrimento constante
A ansiedade faz parte da experiência humana. Em níveis moderados, ela funciona como um mecanismo natural de proteção, preparando o organismo para enfrentar desafios, perigos e situações importantes. O problema começa quando essa ansiedade deixa de ser passageira e se transforma em sofrimento constante, intenso e incapacitante.
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Nos últimos anos, os transtornos de ansiedade cresceram de forma alarmante. O excesso de estímulos, a pressão social, as inseguranças econômicas, a hiperconectividade e o ritmo acelerado da vida moderna têm contribuído significativamente para o adoecimento emocional da população. O Brasil, inclusive, está entre os países com maiores índices de ansiedade no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).
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O que são os transtornos de ansiedade?
Os transtornos de ansiedade são condições psicológicas caracterizadas por medo excessivo, preocupação constante e sintomas físicos persistentes, mesmo quando não existe um perigo real imediato. Diferente da ansiedade comum do cotidiano, o transtorno interfere diretamente na qualidade de vida, nas relações pessoais, no desempenho profissional e na saúde física do indivíduo.
Existem diferentes tipos de transtornos de ansiedade, entre eles:
* Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
* Síndrome do Pânico
* Fobia Social
* Fobias Específicas
* Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)
* Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)
Cada um possui características próprias, mas todos compartilham um ponto em comum: o sofrimento emocional intenso e recorrente.
Sintomas mais comuns
Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas alguns sinais são bastante frequentes:
Sintomas emocionais:
* preocupação excessiva;
* medo constante;
* sensação de perigo iminente;
* irritabilidade;
* dificuldade de concentração;
* sensação de perda de controle;
* pensamentos acelerados.
Sintomas físicos:
* taquicardia;
* falta de ar;
* tensão muscular;
* tremores;
* suor excessivo;
* dores no peito;
* tontura;
* insônia;
* fadiga constante;
* desconfortos gastrointestinais.
Muitas pessoas procuram inicialmente médicos cardiologistas, clínicos gerais ou emergências hospitalares acreditando sofrer de problemas cardíacos, quando, na verdade, estão enfrentando crises de ansiedade ou ataques de pânico.
Ansiedade e sociedade moderna
Vivemos uma era marcada pelo imediatismo e pela cobrança constante por produtividade. As redes sociais também contribuem para comparações excessivas, sensação de inadequação e esgotamento mental. O cérebro humano não foi preparado para lidar com tantos estímulos simultâneos durante todo o tempo.
Além disso, observa-se um aumento significativo da ansiedade em crianças e adolescentes, frequentemente relacionado ao uso excessivo de telas, exposição precoce a conteúdos adultos, bullying virtual e dificuldades emocionais familiares.
A ansiedade também tem aparecido associada a outras formas de adoecimento emocional, como depressão, burnout e dependências comportamentais, incluindo jogos online e apostas esportivas.
Formas de tratamento
O tratamento dos transtornos de ansiedade precisa ser individualizado e considerar a história, a intensidade dos sintomas e os fatores emocionais envolvidos.
A psicoterapia é uma das principais formas de tratamento. Por meio dela, o paciente aprende a compreender seus gatilhos emocionais, identificar padrões de pensamento disfuncionais e desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com emoções e situações estressantes.
Abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) apresentam excelentes resultados científicos no tratamento da ansiedade. Técnicas de respiração, manejo emocional, reorganização da rotina e fortalecimento emocional também fazem parte do processo terapêutico.
Em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico e o uso de medicação podem ser necessários, principalmente quando os sintomas estão muito intensos ou incapacitantes. O uso de medicamentos, porém, deve sempre ocorrer com orientação médica especializada.
Além disso, hábitos saudáveis têm impacto significativo na saúde mental:
* prática regular de atividade física;
* sono adequado;
* alimentação equilibrada;
* redução do consumo de álcool e estimulantes;
* diminuição do excesso de exposição digital;
* fortalecimento das relações sociais.
A importância de buscar ajuda
Muitas pessoas ainda convivem com preconceito e culpa ao falar sobre saúde mental. É comum ouvir frases como “isso é falta de força de vontade” ou “é só pensar positivo”. No entanto, transtornos de ansiedade não são fraqueza emocional, mas condições reais que merecem acolhimento e tratamento adequado.
Buscar ajuda psicológica não significa incapacidade, mas sim coragem para enfrentar o sofrimento e cuidar da própria saúde emocional.
A ansiedade pode ser tratada, controlada e compreendida. Quanto mais cedo houver identificação e intervenção, maiores são as chances de recuperação e qualidade de vida.
Cuidar da mente também é cuidar da vida.
Por Rayssa Coutinho Tavares
Psicóloga – CRP-AL 15/3328
Especialista em Dependência Química e Doenças Emocionais pela USP
*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.




