O fantástico Banco Master virou um daqueles casos em que cada porta aberta revela outras portas. Há a do banqueiro Danny Vorcaro, a dos negócios com o Banco de Brasília, a dos fundos de previdência de servidores e a das sexy relações que precisam ser esclarecidas no entorno do Supremo Tribunal Federal. No fim do corredor está a vítima predileta dos inescrupulosos, o aposentado, que não escolheu participar de nenhuma aventura financeira dos piratas modernos.
É de boa paciência começar pelo chão firme. Em setembro de 2025, o Banco Central rejeitou a compra do Banco Master pelo BRB. Em novembro, decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e tornou indisponíveis os bens de seus controladores e ex-administradores, entre eles, o playboy internacional que humilhou Porfírio Rubirosa, Dodi Al-Fayed, Aly Khan, Alain Delon, Marcelo Mastroiani e outros favorecidos pela beleza e dinheiro: o inimaginável predador Danny Vorcaro. Não se trata, portanto, de um banco que amanheceu em dificuldades de surpresa. Houve uma sequência de decisões, alertas e responsabilidades que merece ser reconstruída em público.
A pergunta incômoda é simples: enquanto se discutia o destino do banco, quem ainda lhe entregava dinheiro e com base em quais avaliações? Quando os recursos vêm de regimes de previdência de estados e municípios, não estamos falando de fichas numa mesa de jogatina de bar. Estamos falando das reservas destinadas a pagar professores, enfermeiros, policiais e outros servidores, depois de uma vida de trabalho duro e intenso.
O Senado do Alcolumbre já pediu informações sobre operações do BRB com fundos de previdência, folhas de pagamento e entidades públicas. Também solicitou documentos sobre auditorias de negócios entre fundos previdenciários e o Banco Master. Esses requerimentos não são as provas de que todo gestor agiu de má-fé. São provas de que há perguntas oficiais à espera de respostas verificáveis.
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do Metrópoles
E o nosso Supremo, o guardião da nossa Constituição? As notícias sobre vínculos de Vorcaro com pessoas próximas a integrantes da Corte exigem apuração séria, individual e transparente. Contrato de escritório de advocacia não é, por si só, crime. Conhecer um banqueiro também não. Mas, quando aparecem cifras elevadas, relações pessoais, passeios de jatinho e decisões capazes de afetar interesses bilionários, a sociedade tem o direito de saber quem recebeu, por qual serviço, quando e se havia algum conflito de interesses. A toga não elimina esse dever; aumenta-o.
É tentador resumir tudo dizendo que a Corte Suprema esvaziou os cofres do Banco Master e que autoridades conheciam, por informações privilegiadas do Banco Central, o risco assumido pelos fundos de aposentadoria. Seria uma acusação gravíssima. Os documentos públicos consultados não demonstram essa cadeia de fatos. Publicá-la como certeza daria aos responsáveis por eventuais irregularidades um presente: a chance de desqualificar perguntas legítimas apontando um exagero.
As perguntas legítimas já são duras o bastante. Quais gestores autorizaram cada aplicação previdenciária? O que sabiam sobre o risco naquele momento? Que alertas receberam? Quem intermediou os negócios? Como o BRB avaliou os ativos ligados ao Banco Master do Super Vorcaro? Houve autoridades com acesso a informações sigilosas atuando em benefício privado? E, no Judiciário, quem deveria ter declarado impedimento ou prestado esclarecimentos sobre relações profissionais e familiares?
Cada resposta precisa vir acompanhada de data, documento e assinatura. Se houver crime, que se prove e puna. Se houver apenas uma decisão financeira desastrosa, que se identifique quem a tomou e como o prejuízo será enfrentado. O inocente aposentado não pode receber como explicação um empurra-empurra entre banco, governo, fiscalizadores e tribunais. E o encantador inocente Danny Vorcaro sempre no meio.
O Brasil conhece bem a cerimônia posterior ao desastre: instala-se uma comissão, prometem-se providências e todos juram que foram os últimos a saber. Desta vez, a cronologia deve vir primeiro. Ela mostrará quem abriu a porta, quem viu o dinheiro entrar e quem deixou de perguntar de onde ele vinha. Achar que, advogados faziam contratos milionários, vendo a quebra iminente do Master, pode ser pensado. E os aposentados? Por que não foram avisados por tais escritórios? Para puxar mais dos maqueiros, enfermeiros e outros aposentados da indústria e do comércio? Que coisa feia!
Porque, quando o cofre é da aposentadoria, a conta não pode desaparecer junto com a memória dos responsáveis. Esse cofre dos velhinhos não pertence ao Frei Chico, ao Pequeno Molusco com as suas coleguinhas e muito menos aos homens de preto com mentes negras. É preciso saber de onde veio e virá o ressarcimento da mão leve dos nepotes e se é da mesma teta grande e leiteira.
Roberto Caminha Filho, economista, aposentado solidário, é por um Brasil mais justo e sem patifarias e covardias, qualquer que seja o donatário da Capitania de Brasília.



