Com mais de 1,5 milhão de seguidores só no Instagram, o advogado Nelson Wilians, que foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal (PF) em São Paulo nesta sexta-feira (12), exibe sua rotina em palestras e ostenta viagens de luxo com a família nas redes sociais.
Tudo em um só lugar.
Receba notícias da GazetaWeb no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo!
Willians é investigado em uma operação contra fraudes no INSS. Na casa dele, foram apreendidas esculturas eróticas, arma e carros de luxo, incluindo uma Ferrari e um Porsche.
Leia também
Além do advogado, foram feitas apreensões em endereços ligados ao empresário Maurício Camisotti, que foi preso na ação. Também foi preso Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”. Em endereços de Brasília, a polícia também apreendeu vários carros e dinheiro em espécie.
Em nota à imprensa, a defesa de Wilians afirmou que tem colaborado integralmente com as autoridades e confia que a apuração demonstrará sua total inocência. Também destacou que sua relação com Camisotti é estritamente profissional e legal, reiterando que continuará atuando em algumas ações para o empresário. (veja abaixo)
Nelson Wilians é natural de Cianorte (PR) e fundador do Nelson Wilians Advogados (NWADV). Ele foi advogado de Rose Miriam, mãe dos filhos do Gugu, na disputa judicial pela herança do apresentador.
O advogado já foi capa da revista Forbes, sendo o primeiro da categoria a ser destaque na revista, e se apresenta também como empreendedor.
Ele também é um dos patrocinadores do piloto automobilismo Paulinho De’ Carli e tem registro como CAC (Colecionador, Atirador e Caçador), com mais de 10 armas, incluindo o fuzil encontrado durante a operação. A Polícia Federal informou que irá solicitar à Justiça a cassação do registro dessas armas.
Em endereços ligados ao advogado e ao empresário, a PF apreendeu:
Dinheiro: R$ 240 mil, US$ 20 mil e € 22,6 mil
Veículos de luxo: Ferrari, Porsche e Rolls-Royce
Obras de arte: quadros e esculturas eróticas
Armas de fogo, incluindo um fuzil registrado em nome de Wilians
Garrafas de vinhos raras, sendo algumas delas avaliadas em R$ 50 mil
O Rolls-Royce apreendido tem banco de couro, teto estrelado e é avaliado R$ 11 milhões.
Peritos em obras de arte e especialistas em museologia consultados pelo g1 avaliaram fotos das apreensões e indicaram que parte das pinturas pode pertencer a consagrados artistas nacionais e internacionais.
Se confirmada a autenticidade dessas obras, o acervo recolhido pela PF pode incluir dois quadros de Cândido Portinari, um dos principais nomes da arte brasileira e expoente do modernismo. Com forte engajamento político, ele é conhecido por seus murais – caso de Guerra e Paz.
Segund Suzana Pirani Meyer Castilho Garcia, perita especialista em obras de arte da Associação dos Peritos Judiciais do Estado de São Paulo, obras de Portinari podem ser avaliadas entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões, dependendo do tamanho, da técnica empregada e da fase da produção — algumas delas alcançam maior valorização no mercado do que outras.
A análise preliminar também indica a possível presença de pelo menos seis quadros de Emiliano Di Cavalcanti, outro ícone do modernismo que participou ativamente da Semana de Arte Moderna de 1922. Obras do artista costumam atingir valores entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões.
Outros trabalhos apreendidos podem ser atribuídos, caso a perícia confirme, a Tomie Ohtake, Orlando Teruz e Dario Mecatti, além de esculturas do artista Flory Gama.
Segundo os especialistas, a autenticidade das obras só pode ser atestada por um perito ou curador de arte. Mas os investigadores da PF acreditam que os integrantes do esquema usavam parte do dinheiro desviado do INSS para aplicar em obras de arte.
O acervo também inclui estátuas de bronze, entre elas uma reprodução de “O Pensador”, de Auguste Rodin. Há ainda peças de caráter sensual e erótico, assinadas pelo escultor austríaco Bruno Zach.
Entre as imagens colecionadas pelo alvo da PF, há algumas imagens de leões e tigre — entre elas uma assinada por Thomas Cartier, escultor francês especializado em esculpir animais.
Wilians é acusado de ter ligação com Camisotti e com a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec) — uma das principais entidades investigadas ao esquema de fraudes no INSS.
A investigação
Uma investigação da PF revelou um amplo esquema de fraudes e desvios de dinheiro de aposentadorias e pensões do INSS. Antunes é o lobista apontado pela PF como “facilitador” do caso.
👉 A PF afirma que associações e entidades que oferecem serviços a aposentados cadastravam pessoas sem autorização, com assinaturas falsas, para descontar mensalidades dos benefícios pagos pelo INSS.
O prejuízo, entre os anos de 2019 e 2024, pode chegar a R$ 6,3 bilhões. Em abril, quando a fraude veio à tona, o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi demitido.
Antunes foi levado para a Superintendência do Distrito Federal. Os agentes também fizeram buscas na casa dele. Segundo as investigações, ele transferiu R$ 9,3 milhões para pessoas relacionadas a servidores do INSS entre 2023 e 2024. Por telefone, a defesa de Antunes afirmou à TV Globo que vai buscar a liberdade do seu cliente.
Camisotti, que foi preso em São Paulo, é apontado como sócio oculto de uma entidade e beneficiário das fraudes na Previdência. A defesa do empresário disse não haver “qualquer motivo que justifique sua prisão no âmbito da operação relacionada à investigação de fraudes no INSS”.
Em nota, a defesa do advogado Nelson Wilians esclareceu que ele “tem colaborado integralmente com as autoridades e confia que a apuração demonstrará sua total inocência”.
No total, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e 13 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e no Distrito Federal, expedidos pelo ministro do STF André Mendonça.




