Relator dos casos Master e do INSS, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça será homenageado nesta segunda-feira (6/4) em evento na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) com presença de autoridades como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O ministro está nos holofotes por atuar nos dois maiores escândalos do país. Como foi indicado pelo Jair Bolsonaro (PL), tem tido suas ações em ambos os casos capitalizadas pelos bolsonaristas, apesar da presença de todos os matizes ideológicos nos esquemas, incluindo partidários do ex-presidente.
Mendonça receberá o Colar da Honra ao Mérito Legislativo na Alesp, proposição de um evangélico como ele, o deputado federal Oseias de Madureira (PL). Marcada para as 19h, a sessão solene terá a presença dos chefes de todos os poderes paulistas: além de Tarcísio, o presidente da Alesp, André do Prado (PL), e o presidente do Tribunal de Justiça de SP (TJSP), desembargador Francisco Eduardo Loureiro.
As investigações a cargo de Mendonça são usadas pelos bolsonaristas para atacar os dois maiores alvos do grupo, o ministro do STF Alexandre de Moraes e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Recentes decisões de Mendonça, como a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha, serviram de munição para o bolsonarismo.
Inteligência artificial
Um vídeo feito por inteligência artificial e compartilhado por Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, por exemplo, mostra Moraes e Vorcaro caminhando lado a lado até que o relator do caso Master entra em cena com uma algema nas mãos, em frente a uma viatura da Polícia Federal.
A imagem de André Mendonça também tem sido turbinada por perfis bolsonaristas de alto alcance. A página de Instagram Tarcísio Governador, por exemplo, que tem 1,8 milhão de seguidores, compartilhou a notícia de que a segurança do ministro seria reforçada em meio ao caso Master, com a seguinte mensagem: “Que Deus proteja o Mendonça e sua família! #jairbolsonaro”.
Moraes, que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, agora virou vidraça devido à suposta proximidade com Daniel Vorcaro, exposta pelas mensagens que ambos teriam trocado já durante o período de investigação, e ao contrato de R$ 129 milhões do escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci Moraes, com o Banco Master.
Se atinge o principal algoz do bolsonarismo, o caso Master também desgasta os aliados do ex-presidente. Para ficar no caso mais simbólico, o ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, senador Ciro Nogueira (PP-PI), foi chamado nas mensagens obtidas pela PF de “grande amigo” por Vorcaro, que também comemorou emenda de autoria do senador que poderia beneficiar o Master. Além disso, o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, foi o maior doador de Bolsonaro e Tarcísio — para quem enviou R$ 3 milhões e R$ 2 milhões, respectivamente.
Petistas têm argumentado que o caso foi descoberto no governo Lula e que o Banco Central liquidou o Master na gestão de Gabriel Galípolo, indicado pelo petista. Daí a importância para a oposição do ministro “terrivelmente evangélico” de Bolsonaro como protagonista no caso, permitindo que o inquérito sobre a fraude bilionária avance depois que o ministro Dias Toffoli se viu pressionado a deixar a relatoria.
INSS
No caso do INSS, cujas fraudes aconteceram nos governos Bolsonaro e Lula, a gestão petista está em uma situação mais delicada no momento. Filho mais velho do atual presidente, Lulinha é alvo da CPMI que apura o escândalo revelado pelo Metrópoles e que mira a relação dele com Antonio Carlos Camilo Antunes, o lobista conhecido como Careca do INSS.
Lulinha e Careca viajaram juntos para Portugal para conhecer uma fábrica de cannabis medicinal. A interlocutores, Lulinha tem dito que não fechou negócio, embora tenha viajado com o lobista.
A Polícia Federal investiga anotações do Careca do INSS para pagar R$ 300 mil ao “filho do rapaz”. Um ex-funcionário do lobista disse à PF que o valor era pago a Lulinha, por meio de uma empresa de cannabis sediada em Portugal. A defesa do Lulinha nega a relação do filho do presidente com os fatos investigados na comissão.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou um pedido da Polícia Federal para a quebra de sigilo do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A decisão atende a uma solicitação da PF no… pic.twitter.com/nXoY0si2qy
— Bibo Nunes (@bibonunes1) February 26, 2026
Como relator do caso, Mendonça autorizou o pedido de quebra de sigilo de Lulinha feito pela PF. Um dos que usou a figura do ministro foi o deputado bolsonarista Bibo Nunes (PL-RS), que divulgou imagem de Mendonça e Lulinha lado a lado, sob a legenda “pegaram ‘o filho do rapaz’”.
Perfis apoiadores do PT, por sua vez, têm acusado André Mendonça de liderar o embrião de uma segunda Operação Lava Jato, que ficou marcada por acusações de perseguição política contra petistas e seus aliados, levou à prisão de Lula e acabou praticamente anulada por decisões do STF.



