Réu por violência doméstica por agredir a ex-mulher, em outubro de 2023, o delegado licenciado e deputado federal Carlos Alberto da Cunha (PP-SP) participou, na quinta-feira (12/2), da reinauguração da 2ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e do 16° Distrito Policial (Vila Clementino), em São Paulo, e causou uma onda de críticas de entidades ligadas na defesa de mulheres vítimas de violência.
A presença de Da Cunha ocorre dois anos após um vídeo com ameaças dele a então companheira Betina Grusiecki, em outubro de 2023, ser divulgado. À época, a nutricionista acusou Da Cunha de ter batido sua cabeça na parede, a esganá-la até ficar desacordada e fazer ameaças de morte durante a discussão, ocorrida no apartamento onde o casal vivia, em Santos, no litoral sul. Os vídeos com as ameaças foram divulgados pela própria vítima em 2024.
Entidades ligadas à defesa de mulheres vítimas de violência doméstica criticaram a presença de Da Cunha, em especial se tratando da reinauguração de uma delegacia especializada no combate a este tipo de crime. Entre as frases de protesto: “escárnio” e “retrocesso”, salientaram.
Entenda Protestos
Da Cunha publicou fotos e vídeos ao lado do secretário da Segurança Pública (SSP), Osvaldo Nico Gonçalves, que repostou a publicação. O deputado, ainda, posou com delegadas que atuam na DDM. Na ocasião, ele discursou elogiando Nico, o delegado-geral Artur Dian e uma delegada.
O Metrópoles questionou a SSP sobre a presença de Da Cunha em cerimônia marcada pela reinauguração de uma delegacia especializada no atendimento às vítimas de violência doméstica, crime pelo qual o delegado licenciado é réu, e aguarda um posicionamento da pasta.
Polêmicas
Da Cunha, que acumula 1,8 milhão de seguidores no Instagram e mais de 3,5 milhões no Youtube, foi centro de uma série de polêmicas desde quando exercia apenas a função de delegado.


Betina acusa delegado Da Cunha de espancá-la no seu apartamento em Santos
Reprodução/Redes Sociais

Rogerinho e Da Cunha
Reprodução

O deputado Delegado Da Cunha, do PP de São Paulo
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Deputado federal
Bruno Spada/Câmara dos Deputados


Delegado Da Cunha foi denunciado pelo MPSP por agressão, ameaça e dano
Reprodução

O Delegado Da Cunha foi eleito deputado federal em 2022
Reprodução/Redes Sociais
Em 2020, ele obrigou a vítima de sequestro e o criminoso a retornarem ao local do cativeiro, para gravar um vídeo e depois divulgar as imagens, como se tivesse capturado um suposto chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O hoje deputado federal admitiu a encenação, e pagou fiança de pouco mais de R$ 14 mil para encerrar e arquivar o caso. A Justiça arquivou o processo em 2024 ao qual era réu por abuso de autoridade e constrangimento ilegal.
Em 2021, Da Cunha foi afastado da Polícia Civil após declaração de que “havia ratos na polícia”. À época, a arma e o distintivos dele foram recolhidos. Naquele mesmo ano, ele pediu licença não remunerada. Já em 2022, o delegado foi eleito deputado federal com mais de 180 mil votos.


