Após a Prefeitura de São Paulo ter iniciado a derrubada do Teatro de Contêiner, no centro da cidade, a programação de peças da Cia Mungunzá – que ocupou o local por 10 anos – agora será apresentada no Complexo Cultural Funarte, nos Campos Elíseos.
Entre os próximos 3 de abril e 24 de maio, a Fundação Nacional de Artes (Funarte) recebe os espetáculos gratuitos Luis Antonio-Gabriela, Elã e anonimATO.
A derrubada do Teatro de Contêiner, iniciada no último sábado (21/3), ocorre em meio a uma batalha judicial travada entre a gestão Ricardo Nunes (MDB) e a Cia. Mungunzá, até então responsável pela programação do espaço.
Em nota oficial, a Funarte e o Ministério da Cultura (MinC), repudiaram a derrubada. “O Teatro de Contêiner e a Cia Mugunzá são referências nacionais e internacionais, devem ser protegidos, fomentados, e não destruídos. Teatro não se derruba”, diz a nota
Embate entre Prefeitura e Teatro de Contêiner
- O impasse entre a Prefeitura de São Paulo e a Companhia Munguzá começou em maio de 2025, quando artistas do Teatro de Contêiner foram surpreendidos por uma notificação extrajudicial de despejo com prazo de 15 dias para desocupação do terreno.
- Em agosto passado, um protesto de artistas ligados ao teatro terminou em confronto com agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM).
- Em setembro, a Justiça de São Paulo deu 90 dias para que a companhia deixasse o endereço na Rua dos Gusmões.
- Além dos custos da mudança, a Cia. Mungunzá levantou o risco de um novo despejo no endereço então oferecido pela Prefeitura, localizado na Rua Helvétia, nos Campos Elíseos.
- De acordo com o grupo de teatro, foi solicitada a cessão do terreno por 30 anos, mas a contraproposta foi de dois anos.
- Em janeiro deste ano, a 5ª Vara da Fazenda Pública decidiu que a Cia. Munguzá, responsável pelo teatro, perdeu o prazo para deixar o local. Com isso, no dia 15 do mês, a Prefeitura iniciou a retomada do terreno.
“Desde a total interdição do Teatro, em janeiro de 2026, o MinC e a Funarte vêm solicitando à Prefeitura de São Paulo que retome as negociações com a Cia Mugunzá para a reinstalação do Teatro de Contêiner em outro terreno municipal, como já havia sido pactuado. Lamentavelmente, a Prefeitura tem se mantido irredutível em apresentar qualquer alternativa para a permanência das atividades do Teatro de Contêiner”, argumentam os órgãos federais.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo disse que a área vinha sendo ocupada irregularmente por quase uma década pelo Teatro de Contêiner e a reintegração cumpriu decisão judicial. A área será destinada para a construção de empreendimento habitacional e área de lazer.
Ao Metrópoles, Marcos Felipe, ator e produtor da Cia. Mungunzá, afirmou que não se sabe o que vai acontecer com os contêineres retirados do local. Felipe afirma que o teatro foi erguido em 2016 com recursos próprios da companhia, que investiu de cerca de R$ 300 mil à época.




