Search

Subir é só metade do caminho


Volta Redonda, campeão da Série C de 2024 (FOTOS: BRENO BABU/CBF).

Subir de divisão virou obsessão no futebol brasileiro. Mas o que deveria ser ponto de virada, muitas vezes, só escancara a fragilidade estrutural dos clubes. Nas Séries A, B e C, os sinais são claros: quem não se prepara, cai.

A temporada 2024 terminou com o roteiro conhecido: festa no acesso, drama no rebaixamento. Mas quem observa a movimentação entre as divisões com lupa, percebe um padrão incômodo. Muitos dos que subiram no ano passado, já figuram entre os piores neste ano.

Retrô, campeão Série D de 2024 (Foto: Divulgação/Retrô).

Anápolis, Retrô, Itabaiana e Maringá subiram da Série D para a C. Hoje, três deles estão na zona de rebaixamento da Terceirona. Maringá é o único fora, mas ainda sem consistência. Isso mostra que a euforia do acesso não é garantia de estabilidade — muito pelo contrário.

Na Série B, Volta Redonda, Remo, Athletic Club e Ferroviária foram os promovidos da Série C. Apenas o Remo faz campanha sólida e está no G6. Os demais estão no bloco inferior da tabela, com o Volta Redonda já dentro da zona de rebaixamento. A diferença entre os que se prepararam e os que apenas subiram é gritante.

Lateral Alagoano Reinaldo – destaque do Mirassol.. Foto: Marcos Freitas/Agência Mirassol

Na elite, o contraste também chama atenção. Subiram Santos, Sport, Ceará e Mirassol. O Sport é o lanterna da Série A e ainda não venceu. O Santos briga na parte de baixo. Ceará e Mirassol conseguem respirar, mas não há margem para erro. O Mirassol, que subiu com projeto consolidado, faz a melhor campanha entre os quatro.

O recorte fica ainda mais forte quando olhamos para o CSA. Em três temporadas, o clube alagoano saiu da Série D para a Série A. Parecia o conto de fadas perfeito. Mas a falta de estrutura cobrou seu preço. Dois rebaixamentos consecutivos jogaram o clube na Série C, onde agora luta para retornar à B. A ascensão meteórica se transformou em queda acentuada.

A lição é clara: subir é só o começo. O verdadeiro desafio começa quando os refletores se apagam, os boletos chegam e a cobrança do novo nível exige mais do que raça. Exige gestão, adaptação e projeto.



Fonte: Gazetaweb