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Terceirizado da UNE ameaça indígena em ato de apoio aos povos originários


São Paulo— Um ato em apoio aos povos indígenas, que estão sendo ameaçados por antipetistas desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ocorreu no último domingo (1/11), na Praça Franklin Roosevelt. Durante a manifestação, puxada por movimentos progressistas, lideranças dos povos originários foram mais uma vez desrespeitados, inclusive por um funcionário terceirizado da União Nacional dos Estudantes (UNE). O órgão estudantil se retratou nas redes sociais.

Segundo relato publicado nas redes sociais, o coordenador da Aliança dos Indígenas Estudantes da Universidade de São Paulo (USP), Tuza Median, afirmou que um funcionário contratado pela UNE ameaçou de morte o jovem. Na ocasião, um grupo de pessoas ocupavam o palco serem impedidos de realizarem falas pela organização estudantil.

No vídeo, Tuza faz uma linha cronológica de uma série de desrespeitos por parte da UNE naquela tarde. O ato, que inicialmente foi organizado em apoio aos povos originários, tornou-se uma festa com palco, equipamento de som e banda. “Nós [povos indígenas] nos unimos e decidimos que não queríamos ficar num ato daquela forma, então começamos um canto, uma ritualística indígena, com nossos cantos sagrados, com as nossas palavras, com a nossa cultura.”

Ele conta que se aproximaram do palco e pediram direito ao microfone, o que foi negado porque o show da banda precisava continuar. O direito à fala só seria possível após essa apresentação, informou um integrante da direção da UNE. Pouco tempo depois, a música foi paralisada para dar espaço para Bianca Borges, presidenta da UNE.

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do Metrópoles SP

“Ela [Bianca] estava com uma estrutura de som de show, superalta. Nós continuamos com nossa ritualística sagrada que não deveria ser interrompida. Mas a Bianca fez uma fala enorme, um tanto quanto insensível, com o microfone superalto em que a gente mal conseguia se ouvir durante nossos cantos”, criticou Tuza.

Quando a presidenta da UNE terminou de usar o palco, o grupo pediu, mais uma vez, o direito à fala. Novamente, foi negado. Nesse momento, os povos originários decidiram ocupar o palco. “A gente queria que nossos mais velhos pudessem ecoar a voz dos povos indígenas: o pedido de socorro pelas queimadas, o socorro pela vingança [dos antipetistas] e o pedido de demarcação já.”

Ao subirem no palco, funcionários contratados e a direção da UNE começa a discutir com os indígenas. As cenas foram filmadas por presentes e flagraram o momento em que um dos trabalhadores ameaça Tuza de morte: “Se um ele encostar um dedo em você, eu mato ele.”

O vídeo publicado por Tuza tem mais de 170 mil visualizações. Após a repercussão negativa, a UNE publicou nota de retratação nessa quarta-feira (4/11). Leia a íntegra:

“A União Nacional dos Estudantes (UNE) repudia a declaração feita por um contratado terceirizado durante a manifestação do último domingo em São Paulo, que pautou a defesa da democracia e soberania brasileiras e também a denúncia contra a violência sofrida pelos povos indígenas.

A fala é inaceitável e não representa, sob nenhuma circunstância, os princípios e posicionamentos da nossa entidade. A UNE tem um compromisso histórico com a defesa da vida, dos direitos humanos e das lutas dos povos indígenas, compromisso que reafirmamos de maneira inequívoca, e ao tomarmos conhecimento sobre a pauta, instantaneamente acrescentamos também à palavra de ordem do ato, e atuamos para a construção conjunta com os coletivos de estudantes indígenas presentes.

Em nome de sua diretoria, a UNE pede desculpas pela declaração ocorrida durante a mobilização e reconhece a responsabilidade de assegurar que seus espaços de atuação sejam coerentes com os valores que defendemos.

Estamos apurando o ocorrido e adotaremos todas as providências cabíveis. Colocamos a UNE à disposição para dar o suporte jurídico necessário ao estudante ameaçado.

A luta pela democracia é inseparável da defesa da vida e dos direitos dos povos indígenas. Seguiremos ao lado dessa luta, com respeito, responsabilidade e compromisso.”

Assista ao vídeo de Tuza:



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