O Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), marcado para os dias 18 e 20 de março pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) pode confirmar a aposta feita recentemente no setor energético em Alagoas.
De Alagoas estão inscritas sete termelétricas a gás natural que podem viabilizar a construção de um complexo energético no município de Pilar. Se ao menos parte desses projetos for contratada, a expectativa é que o estado entre em uma nova fase na geração de energia — o leilão pode inaugurar uma nova era do gás em Alagoas.
Os empreendimentos foram cadastrados pela Origem Energia e fazem parte do plano de expansão da companhia no chamado Polo Alagoas, área que reúne campos terrestres de petróleo e gás natural anteriormente operados pela Petrobras.
A participação no leilão é decisiva porque apenas os projetos vencedores poderão avançar para a fase de implantação.
Projetos
As sete usinas cadastradas para Alagoas estão previstas para o município de Pilar, na região metropolitana de Maceió, e fazem parte da estratégia da Origem Energia de integrar produção de gás natural, estocagem subterrânea e geração elétrica.
Segundo a diretora de comercialização da empresa, Flávia Barros, os projetos foram estruturados para atender os diferentes produtos ofertados no leilão.
“Os projetos que forem consagrados no leilão serão os executados e construídos”, afirmou a diretora ao Movimento Econômico.
A implantação das usinas está ligada a um plano mais amplo de investimentos da companhia, que prevê cerca de US$ 700 milhões até 2030 em projetos relacionados ao gás natural em Alagoas.
Entre eles está a implantação da primeira estocagem subterrânea de gás natural do Brasil, também prevista para o município de Pilar.
Esse sistema permitirá armazenar gás em reservatórios geológicos naturais para uso estratégico na geração elétrica, funcionando como uma espécie de “bateria energética” para o sistema.
Impacto econômico
Além da importância para o sistema elétrico nacional, os projetos também têm potencial impacto direto na economia local. O governador Paulo Dantas destacou recentemente que a implantação das usinas pode gerar mais de 10 mil empregos na região metropolitana de Maceió, considerando as fases de construção e operação.
“A notícia é que nós vamos promover mais de 10 mil empregos para a região metropolitana de Maceió”, afirmou.
A secretária da Fazenda, Renata dos Santos, também ressaltou o peso do projeto para o futuro econômico do estado.
“A nossa ida à ANEEL foi maravilhosa. O diretor Gentil confirmou que o leilão da térmica a gás vai acontecer agora em março. Imagina isso, mais de 10 mil empregos gerados só na região metropolitana. Fora os indiretos que vão vir depois disso. É segurança energética, é desenvolvimento, é Alagoas daqui para o futuro realmente.”
Se os projetos previstos para Pilar avançarem após o leilão, Alagoas poderá consolidar um novo papel no mapa energético brasileiro, integrando produção de gás natural, armazenamento e geração de energia para o sistema elétrico nacional.
Disputa nacional
O leilão organizado pelo governo federal tem como objetivo contratar potência disponível para o sistema elétrico, garantindo geração rápida de energia quando houver picos de consumo ou queda na produção das fontes renováveis.
Dos 368 projetos cadastrados, a grande maioria é formada por termelétricas a gás natural. No leilão principal, marcado para 18 de março, foram inscritos 330 projetos, sendo 311 usinas movidas a gás, além de três térmicas a carvão e ampliações de hidrelétricas existentes.
No total, os projetos cadastrados somam mais de 125 gigawatts (GW) de potência, volume muito superior ao que o governo pretende contratar, o que indica uma disputa acirrada entre os empreendimentos.
A lógica desse tipo de leilão é diferente da contratação tradicional de energia. O objetivo não é comprar eletricidade continuamente, mas garantir capacidade de geração disponível para momentos críticos do sistema.
É exatamente nesse espaço que entram as térmicas flexíveis.




