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Tratamento que manteve Sam Neill livre do câncer já existe no Brasil; entenda quem pode fazer e quais são as regras de acesso.


A CAR-T já está disponível no Brasil para alguns pacientes com câncer do sangue

Foto: Divulgação/ Reprodução

A morte do ator Sam Neill, aos 78 anos, voltou a chamar a atenção para a terapia CAR-T, tratamento que o manteve em remissão do câncer até o fim da vida. A tecnologia, considerada uma das maiores revoluções da oncologia, já existe no Brasil, mas ainda está longe da realidade da maioria dos pacientes.

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Embora muitas pessoas tenham ouvido falar da terapia após o caso do astro de “Jurassic Park“, o acesso continua bastante restrito. Isso acontece porque o tratamento é indicado apenas para determinados tipos de câncer, exige centros altamente especializados e tem um custo elevado, que pode variar entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões por paciente.

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Quem pode fazer a terapia CAR-T?

Hoje, a terapia CAR-T é indicada principalmente para pacientes com cânceres do sangue, como linfoma não Hodgkin, leucemias e mieloma múltiplo. Além disso, ela costuma ser utilizada apenas quando os tratamentos convencionais, como a quimioterapia, deixam de funcionar ou quando a doença volta após outras terapias.

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Foi exatamente esse o cenário enfrentado por Sam Neill. Diagnosticado com linfoma não Hodgkin em estágio avançado, o ator viu a quimioterapia perder o efeito. Depois de receber a terapia celular, entrou em remissão e permaneceu sem sinais da doença até sua morte.

Terapia CAR-T no Brasil: disponibilidade e desafios

Sim. O Brasil já conta com produtos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para alguns tipos de câncer hematológico. No entanto, o tratamento ainda não está amplamente disponível para toda a população.

O principal obstáculo continua sendo o alto custo e a necessidade de hospitais especializados. Além disso, muitos pacientes precisam recorrer à Justiça para conseguir acesso ao tratamento, situação apontada por especialistas como um fator que amplia as desigualdades no sistema de saúde.

Acesso ao tratamento pelo SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não oferece a terapia CAR-T de forma ampla. Para que isso aconteça, as versões nacionais do tratamento precisam concluir todas as etapas de pesquisa, obter registro definitivo da Anvisa e passar pela análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

Enquanto isso, alguns pacientes conseguem acesso por meio de pesquisas clínicas, judicialização ou atendimento em centros especializados.

Como a terapia CAR-T funciona?

Diferentemente da quimioterapia, que destrói células que se multiplicam rapidamente, a CAR-T utiliza o próprio sistema imunológico do paciente.

Primeiro, os médicos retiram os linfócitos T, responsáveis pela defesa do organismo. Depois, essas células passam por uma modificação genética em laboratório para receber um receptor artificial capaz de identificar as células cancerígenas.

Após serem multiplicadas, elas retornam ao organismo por meio de uma infusão semelhante a uma transfusão de sangue. A partir desse momento, passam a localizar e destruir as células do câncer de forma muito mais precisa.

Avanços na produção nacional da CAR-T

Apesar das dificuldades de acesso, o país avança na produção da própria terapia. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Butantan e o Hemocentro de Ribeirão Preto, divulgaram resultados considerados promissores com uma versão nacional da CAR-T para pacientes com linfoma não Hodgkin.

Outro estudo, realizado pelo Hospital Israelita Albert Einstein, também apresentou índices elevados de resposta ao tratamento em pacientes com leucemias e linfomas avançados.

Caso essas pesquisas sejam concluídas com sucesso e recebam aprovação dos órgãos reguladores, especialistas acreditam que o tratamento poderá chegar a um número maior de brasileiros e, futuramente, ser incorporado ao SUS.

Enquanto isso não acontece, a terapia CAR-T continua representando esperança para pacientes que já esgotaram outras opções contra o câncer, mas também evidencia um dos principais desafios da saúde no país: transformar uma tecnologia inovadora em um tratamento realmente acessível para quem precisa.



Fonte: Gazetaweb