Tribunal do Júri inocenta Luciana Pinheiro


Júri do caso Quitéria aconteceu nesta quinta-feira, 9, em Maceió | Foto: Claudemir Mota

O Tribunal do Júri da 7ª Vara Criminal da Capital inocentou Luciana Lins Pinheiro, nesta quinta-feira (9), em Maceió, pela acusação de ser a mandante do assassinato de sua irmã, a funcionária pública Quitéria Lins Pinheiro. O julgamento, encerrado por volta das 18h no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, é  referente a um crime ocorrido …

O Tribunal do Júri da 7ª Vara Criminal da Capital inocentou Luciana Lins Pinheiro, nesta quinta-feira (9), em Maceió, pela acusação de ser a mandante do assassinato de sua irmã, a funcionária pública Quitéria Lins Pinheiro.

O julgamento, encerrado por volta das 18h no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, é  referente a um crime ocorrido  ainda em agosto de 2012 e motivado por supostas dívidas financeiras.

O embate no tribunal

O Ministério Público, representado pelo promotor Antônio Vilas Boas, sustentou que Luciana planejou a execução da irmã, que era servidora pública e ajudava a família financeiramente.

Os executores — o próprio filho de Luciana, Klinger Lins Pinheiro Dias Gomes, e Mustafá Rodrigues do Nascimento — já cumprem penas superiores a 20 anos de prisão.

Mesmo com a condenação dos comparsas, os jurados decidiram pela absolvição de Luciana nesta data.

O Ministério Público (MPAL), através do promotor Antônio Vilas Boas, não aceitou o veredito e já interpôs recurso contra a decisão.

Depoimentos das irmãs: “Sanguessuga”

As irmãs da ré e da vítima, Talmata e Sandra, foram as primeiras a depor. Ambas reforçaram o perfil generoso de Quitéria, afirmando que ela mantinha financeiramente Luciana e seus três filhos, pagando inclusive planos de saúde.

Talmata relatou que quase foi morta no dia do crime, pois saiu da casa da vítima pouco antes da execução. Ela rebateu a tese de Luciana de que as irmãs tinham inveja dela: “Inveja de quê? Ela não tinha nada […] Quitéria mantinha ela de tudo”.

Sandra emocionou-se ao confrontar o advogado de defesa, Welton Roberto, que insinuou que ela estaria mentindo. “O senhor não tem como saber do que sentimos”, afirmou a testemunha após o advogado oferecer “sentimentos” pela perda.

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Tensão entre Promotoria e Defesa

O clima no Salão do Júri foi de constante hostilidade. O promotor Antônio Vilas Boas chegou a solicitar que constasse em ata um suposto abuso de autoridade da defesa, alegando que o advogado Welton Roberto constrangeu e gritou com as testemunhas.

Durante os debates, Vilas Boas foi incisivo: “Sua cliente, doutor, além de assassina, é estelionatária”, referindo-se a denúncias de que Luciana falsificava assinaturas da irmã e usava seus cartões de crédito.

O defensor, por sua vez, sustentou que Luciana é vítima de uma “luta cruel” que já dura 14 anos e que a culpa pelo crime seria exclusivamente de seu filho, Klinger, afirmando que ela só soube da morte a posteriori.

“Choro de Crocodilo”

Luciana Pinheiro optou pelo silêncio diante das perguntas do promotor, respondendo apenas à defesa. Ela declarou amar a irmã e a chamou de “segunda mãe”.

O MPAL contestou a versão de Luciana de que ela não teria visto os executores no carro após o crime. Para o promotor, o suposto suspiro de dor relatado pela ré ao entrar no veículo foi, na verdade, um “suspiro de alívio” pelo sucesso da execução.

Vilas Boas classificou o comportamento da ré no tribunal como “choro de crocodilo”, uma simulação para comover os jurados.

Luciana Pinheiro é apontada como autora intelectual do crime. Fonte: PC/AL – Arquivo

Relembre o caso

Quitéria Lins Pinheiro, irmã de um ex-deputado, morreu no jardim de sua casa, no bairro Gruta de Lourdes. Quatro homens chegaram em um veículo e a chamaram no portão. Ao atender, os criminosos a atingiram com diversos disparos de arma de fogo.

Irmã de ex-deputado é executada a tiros no jardim de casa

As investigações apontavam que “o homicídio teria sido motivado por uma dívida financeira”. Segundo a denúncia, Klinger e a mãe, Luciana, possuíam débitos com a vítima. Este foi o segundo julgamento de Luciana; no primeiro, ela também havia sido absolvida, mas o MP conseguiu anular a decisão, alegando que o veredito era contrário às provas dos autos. Agora, a Justiça reafirma a inocência da ré.

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