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Você não manifesta o que deseja. Você manifesta quem acredita ser


Antes de mudar o que está ao meu redor, eu preciso mudar a maneira como me enxergo.

Durante muito tempo, eu acreditei que manifestar era simplesmente desejar alguma coisa com força suficiente. Hoje, depois de estudar comportamento, crenças, espiritualidade e, principalmente, depois de viver o meu próprio processo de transformação, entendo que existe algo muito mais profundo por trás daquilo que chamamos de manifestação.

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Antes de mudar o que está ao meu redor, eu preciso mudar a maneira como me enxergo.

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É por isso que, para mim, manifestação nunca foi apenas sobre conseguir dinheiro, conquistar um relacionamento, mudar o corpo ou alcançar uma vida aparentemente perfeita. É sobre identidade. Porque existe uma pergunta que considero muito mais importante do que “o que eu quero ter?”:Quem eu preciso me tornar para viver aquilo que desejo?

Nós passamos muito tempo tentando mudar as circunstâncias externas sem perceber que, muitas vezes, continuamos sendo a mesma pessoa internamente. Queremos prosperidade, mas carregamos uma crença de não merecimento. Queremos um relacionamento saudável, mas ainda acreditamos que seremos abandonados. Queremos ser respeitados, mas aceitamos migalhas porque, em algum lugar dentro de nós, acreditamos que é isso que merecemos.

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E isso aconteceu comigo durante muitos anos, e foi aí que eu decidi encarar as minhas crenças limitantes, meus traumas, minhas sombras e reprogramar tudo isso, pra de fato manifestar, sem me sabotar uma vida que eu sonhava.

Então eu percebi que querer uma vida nova com uma identidade antiga, nunca ia dar certo

Nos meus longos estudos percebi que as nossas crenças funcionam como filtros. Elas influenciam a maneira como interpretamos acontecimentos, fazemos escolhas, estabelecemos limites e nos relacionamos com o mundo. Não basta repetir “eu sou abundante” pela manhã se, no fundo, existe uma voz dizendo: “dinheiro não é para mim”.

Não adianta afirmar “eu sou amada” se toda rejeição é imediatamente interpretada como prova de que não somos suficientes. Não adianta desejar uma vida extraordinária enquanto continuamos nos comportando como alguém que precisa pedir permissão para existir.

A transformação começa quando aquilo que eu digo que sou começa a se tornar aquilo que eu acredito que sou. A energia muda e assim que você começa a mudar a energia, o comportamento e atrair o que deseja.

É por isso que as afirmações fazem parte do meu trabalho diário, faço na minha vida e coloca todos todos os dias no Instagram essa reprogramação mental tão poderosa. Não acredito que uma frase isolada tenha o poder mágico de transformar a vida de alguém. Acredito no poder de direcionar conscientemente a atenção, questionar pensamentos antigos e construir, repetidamente, uma nova narrativa sobre quem somos.

Quando digo “eu sou”, não estou apenas pronunciando palavras.Estou praticando uma identidade. E existe uma passagem bíblica que sempre me chama atenção: “Porque, como imagina em sua alma, assim ele é” (Provérbios 23:7). (Bíblia Online)

Para mim, essa passagem conversa profundamente com aquilo que estudo sobre mente e comportamento: aquilo que penso repetidamente pode se tornar uma lente através da qual passo a enxergar a mim mesma e a minha realidade. Mas existe uma diferença fundamental na forma como enxergo isso.

Eu não acredito em uma manifestação que exclui Deus.

Pelo contrário. A minha fé transformou completamente a maneira como compreendo esse assunto.

Não acredito que eu seja Deus. Acredito que fui criada por Deus, que Ele pode habitar em mim e que existe uma dimensão espiritual na transformação da minha vida que não pode ser reduzida ao pensamento positivo. Por isso, quando falo em cocriar, não estou falando em ocupar o lugar de Deus. Estou falando sobre alinhar aquilo que penso, sinto, escolho e faço com aquilo que acredito que Deus está me chamando para viver.

Deus não é um gênio da lâmpada que existe para realizar todos os meus desejos. E fé não é uma técnica para controlar o resultado da vida. Para mim, fé é confiança. É agir antes de enxergar.É acreditar que uma realidade pode começar dentro de mim antes de aparecer diante dos meus olhos. É entender que Deus não precisa diminuir os meus sonhos para que eu seja espiritual. Muitas vezes, quem diminui os nossos sonhos somos nós mesmas, por medo, culpa, rejeição, abandono, por não merecimento, por uma identidade construída a partir das dores que vivemos.

E talvez essa seja uma das maiores prisões humanas: transformar aquilo que aconteceu conosco em uma definição permanente de quem somos. Eu fui rejeitada, então acredito que não sou escolhida. Fui abandonada, então acredito que as pessoas sempre vão embora. Passei por dificuldades financeiras, então acredito que dinheiro é difícil para mim. Fui diminuída, então acredito que preciso provar o meu valor. Meu pai me abandonou, como na minha própria história de vida, então eu acho que não sou merecedora do amor. Mas uma experiência não precisa se transformar em identidade.

O que aconteceu comigo faz parte da minha história. Não precisa ser o limite da minha história. O vitimismo não tira a gente do lugar, pelo contrário, nos paralisa.

É nesse ponto que, para mim, a cura da identidade se torna tão importante. Porque não adianta apenas tentar “atrair” algo novo. Eu preciso investigar por que, muitas vezes, quando aquilo que eu digo que quero finalmente chega, eu mesma encontro uma maneira de afastar. É a autossabotagem. É escolher o conhecido porque o conhecido parece seguro, mesmo quando dói.É abandonar uma oportunidade porque, no fundo, existe medo de não dar conta. É permanecer em relações que oferecem pouco porque receber muito parece estranho ou sentir culpa quando prospera, se esconder quando começa a crescer, é ter medo de ser vista.

E muitas dessas escolhas não acontecem conscientemente. Por isso, eu acredito que a verdadeira manifestação começa muito antes do desejo. Ela começa na consciência. Começa quando eu consigo olhar para dentro e perguntar:

“Que crença em mim está criando os limites que eu atribuo à vida?”

Essa pergunta mudou a minha maneira de enxergar tudo. Porque talvez a vida não esteja dizendo “não” para mim o tempo inteiro. Talvez, em algumas áreas, eu esteja dizendo “não” para mim mesma antes mesmo de tentar.

E é aí que entra o conceito que mais repito: ser antes de ter.

Eu não preciso esperar ter dinheiro para começar a me sentir próspera. Não preciso esperar ser escolhida para me tratar como alguém digna de amor, não preciso esperar uma conquista para reconhecer o meu valor, não preciso esperar chegar ao destino para começar a viver como a mulher que desejo ser.

Eu começo hoje.

Não porque estou fingindo que já tenho aquilo que não tenho. Mas porque decido não permitir que a ausência de algo determine a minha identidade.

Eu sou antes de ter.

Eu me comporto de acordo com quem estou me tornando, cuido de mim, estabeleço limites, mudo a maneira como falo comigo, observo meus pensamentos, escolho minhas palavras, agradeço pelo que já existe, oro, ajo, persisto. E, principalmente, eu paro de negociar com crenças que me mantiveram pequena.

Foi assim que comecei a enxergar a chamada “lei da atração” de uma maneira muito mais profunda.Para mim, não se trata simplesmente de pensar em algo e esperar que o universo entregue. Existe comportamento, existe percepção, identidade, emoção, decisão, existe ação, e existe fé.

A energia que eu levo para uma situação muda a maneira como entro nela. A maneira como me enxergo influencia aquilo que aceito. Aquilo que aceito influencia as escolhas que faço. E escolhas repetidas constroem uma vida. Por isso, quando falo sobre energia, não estou falando apenas de algo místico.

Estou falando também da presença que carregamos, da maneira como nos posicionamos, daquilo que transmitimos e da coerência entre aquilo que dizemos querer e aquilo que estamos dispostos a sustentar.

Eu não quero apenas ensinar alguém a repetir “eu sou rica”.

Quero ensinar essa pessoa a perguntar:

“Por que uma parte de mim ainda acredita que não pode prosperar?”

Não quero apenas ensinar “eu sou amada”.

Quero perguntar:

“Por que eu continuo aceitando aquilo que contradiz essa afirmação?”

Não quero apenas dizer “eu sou poderosa”.

Quero saber:

“Onde eu ainda estou entregando o meu poder para alguém?”

Porque a verdadeira transformação acontece quando a afirmação deixa de ser apenas uma frase bonita e começa a confrontar a antiga identidade.

E talvez seja justamente por isso que eu acredito tanto na frase:

“Sinta que é até ser.”

Não como uma negação da realidade. Mas como uma decisão de não permitir que a realidade atual seja a única fonte daquilo que acredito sobre mim. A fé vem antes da realidade. Antes de Abraão ver a promessa, houve uma promessa. Antes de alguém construir algo extraordinário, existiu uma visão. Antes de uma mudança externa, existe quase sempre uma mudança interna.

E eu acredito que Deus trabalha justamente nesse lugar invisível: no coração, na consciência, na identidade, na fé.

Romanos 12:2 nos convida à renovação da mente. Para mim, isso é muito mais profundo do que pensar positivo. É permitir que pensamentos antigos sejam confrontados, que crenças sejam examinadas e que uma nova maneira de viver seja construída.

No fim, talvez manifestação não seja sobre fazer o mundo obedecer aos meus desejos.

Talvez seja sobre me tornar tão consciente de quem sou, tão alinhada com aquilo que acredito e tão entregue a Deus, que minhas escolhas começam a mudar e, consequentemente, minha vida também.

Porque talvez o maior bloqueio entre nós e a vida que desejamos não seja a falta de capacidade. Talvez seja uma identidade que ainda não entendeu o próprio valor. E é exatamente por isso que eu continuo repetindo todas as manhãs:

Eu sou.

Antes de ter.

Antes de provar.

Antes de conquistar.

Antes de ser reconhecida.

Antes de qualquer evidência externa.

Porque quando eu mudo a forma como me vejo, começo a mudar a forma como vivo.

E quando mudo a forma como vivo, a minha realidade inevitavelmente começa a responder às minhas novas escolhas.

A vida que eu quero não começa quando tudo muda.

Ela começa quando eu decido não ser mais a mesma pessoa diante daquilo que ainda não mudou.

Amanda Bosa Camargo

Médica veterinária

Trabalho com cura de identidade e raizes da infância no Instagram, te ajudando a enxergar e reprogramar tudo aquilo que te trava hoje. Comece sua cara me seguindo e afirmando coisas positivas sobre você:

Instagram: @amadamanifestacao

*Os artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores, não representando, necessariamente, a opinião da Organização Arnon de Mello.



Fonte: Gazetaweb