INVESTIGAÇÃO
Dois ex-soldados que relataram humilhações e traumas psicológicos no 59º BI Mtz começam a ser ouvidos nesta quinta-feira
O Ministério Público Militar instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as denúncias de abuso sexual, tortura e agressões feitas por dois ex-soldados do Exército Brasileiro que serviram no 59º Batalhão de Infantaria Motorizado (59º BI Mtz), em Maceió.
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O caso veio à tona em abril, quando Pablo Vince e outro ex-militar detalharam à imprensa episódios de violência e humilhação que, segundo eles, ocorreram durante o serviço militar. Entre os relatos, Vince afirmou que teve o pênis de um colega encostado em seu rosto enquanto dormia e que passou a enfrentar consequências psicológicas após o episódio.
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Os dois ex-soldados serão os primeiros a prestar depoimento nesta quinta-feira (14).
Segundo o advogado das vítimas, Alberto Jorge, a instauração do procedimento representa um avanço importante após o resultado de uma sindicância interna do Exército, considerada insuficiente pela defesa.
“O Ministério Público Militar determinou a abertura imediata do inquérito para apurar os fatos e, ao final, decidir sobre o oferecimento de denúncia”, afirmou.
De acordo com o advogado, sete militares citados nas denúncias também deverão ser convocados para prestar esclarecimentos. A defesa sustenta que os envolvidos já admitiram, em depoimentos anteriores, as condutas relatadas, classificadas por alguns deles como “brincadeiras”.
As acusações incluem ainda um episódio em que um dos ex-soldados teria sido despido, imobilizado e agredido dentro de uma câmara fria da unidade, caso que a defesa enquadra como prática de tortura.
Investigação pode resultar em denúncia à Justiça Militar
Com a conclusão do Inquérito Policial Militar, o Ministério Público Militar poderá decidir pelo oferecimento de denúncia à Justiça Militar da União.
Em nota divulgada anteriormente, o Exército informou que instaurou procedimento administrativo para apurar os fatos e que militares envolvidos foram punidos e desligados do serviço ativo. A instituição também reiterou que não admite condutas incompatíveis com seus princípios e valores.



