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antiga Fábrica da Saúde renasce e se transforma em centro de pesquisa da Embrapa


Complexo industrial que marcou a história de Ipioca e empregou centenas de trabalhadores está sendo restaurado para abrigar a nova sede da Embrapa Alimentos e Territórios

Por décadas, os galpões silenciosos da antiga Fábrica da Saúde, em Ipioca, carregaram as marcas do abandono e da passagem do tempo. Agora, um dos mais importantes símbolos da industrialização alagoana vive um novo capítulo. O complexo, que abrigou a Companhia de Fiação e Tecidos Norte-Alagoas e chegou a empregar centenas de trabalhadores, está sendo transformado na nova sede da Embrapa Alimentos e Territórios, devolvendo à comunidade um patrimônio que marcou gerações.

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A mudança tem emocionado antigos funcionários, como seu Luiz, que trabalhou na fábrica há mais de 50 anos e acompanha com orgulho a restauração do prédio. “Aqui tinha muito trabalho, muitas máquinas. Cada setor tinha sua função. Era uma fábrica que movimentava toda a comunidade”, recorda. Durante décadas, o empreendimento foi responsável por gerar emprego e renda para moradores de Ipioca e de localidades vizinhas.

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Fundada em 1923, a Companhia de Fiação e Tecidos Norte-Alagoas foi uma das últimas grandes indústrias têxteis a se instalar em Alagoas. Em uma época de expansão dos setores algodoeiro e têxtil, a empresa investiu na modernização dos equipamentos e ampliou sua produção. O crescimento impulsionou o surgimento de uma verdadeira vila operária, com cerca de 150 casas destinadas aos trabalhadores, além de posto médico, igreja e espaços de convivência.

O auge da fábrica transformou a realidade da região. Na década de 1980, o complexo chegou a empregar cerca de 700 operários. Mas a crise que atingiu a indústria têxtil brasileira também alcançou a unidade alagoana. Em 1983, as atividades foram encerradas, deixando um vazio econômico e social que ainda permanece vivo na memória dos moradores. Com o fechamento, vieram as demissões, o abandono das instalações e o enfraquecimento da vida comunitária construída em torno da fábrica.

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“Quando a fábrica fechou, o povoado foi junto”, resume seu Mário, outro ex-funcionário. Segundo ele, o encerramento das atividades impactou diretamente escolas, serviços e espaços de convivência da região. Muitas construções foram demolidas ao longo dos anos e a própria Igreja de Nossa Senhora da Saúde, que funcionava como ponto de encontro da comunidade, acabou sofrendo com a falta de manutenção.

O cenário começou a mudar em 2020, quando o Governo de Alagoas destinou a área para a instalação da Embrapa Alimentos e Territórios. O centro tem como missão integrar pesquisa, inovação agropecuária, cultura alimentar, saúde, turismo e valorização da agricultura familiar. As obras de recuperação tiveram início em 2024 e buscaram preservar as características arquitetônicas originais da antiga fábrica, respeitando sua importância histórica.

A nova estrutura também incorpora elementos da identidade cultural alagoana. Em algumas áreas, foram utilizadas conchas coletadas por marisqueiras do Vergel do Lago para compor acabamentos e cobogós, em uma homenagem ao sururu, patrimônio cultural do estado. O projeto ainda valoriza comunidades tradicionais, incluindo referências a quilombolas, indígenas e pescadores artesanais.

Além da recuperação do patrimônio, o empreendimento promete impulsionar o desenvolvimento científico e econômico da região. Dois complexos laboratoriais estão sendo construídos para apoiar pesquisas voltadas ao desenvolvimento regional e nacional. A expectativa é que a nova sede da Embrapa seja inaugurada no próximo semestre e passe a receber pesquisadores, estudantes, eventos e visitas do público.

Para quem viveu os tempos áureos da Fábrica da Saúde, a transformação representa mais do que uma obra de restauração. É a oportunidade de ver renascer um espaço que ajudou a construir a história de Ipioca e que agora se prepara para contribuir com o futuro de Alagoas.



Fonte: Gazetaweb