Belo Horizonte – O deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) está entre os 48 indiciados pela Polícia Federal nesta terça-feira (14/7) por suspeita de envolvimento em um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e outros benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O parlamentar é presidente do Republicanos em Minas e um dos responsáveis pela pré-campanha do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) ao governo do estado.
Pettersen, segundo apurou o Metrópoles, é suspeito de ser uma das peças-chave da articulação a nível parlamentar do esquema de desvios que está sendo investigado. O parlamentar mineiro agiria para a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), envolvida no esquema, e teria recebido propina, diz o relatório da PF.
O que diz o deputado
Em nota enviada à reportagem, Euclydes Pettersen negou qualquer participação no esquema.
“Não tenho qualquer participação nos fatos apurados na Operação Sem Desconto e nunca indiquei ninguém para cargo no INSS. O indiciamento é ato unilateral da autoridade policial. Ele encerra uma investigação; não abre um processo. Suas conclusões foram formadas sem contraditório e sem que ainda se tenha examinado uma única linha da defesa. Não há denúncia, não há ação penal, não há julgamento”, diz a manifestação.
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do Metrópoles
“Minha defesa se manifestará nos autos, onde a versão da investigação será confrontada com documentos. Sigo trabalhando no exercício do mandato”, concluiu o presidente do Republicanos em MG, que é pré-candidato à reeleição na Câmara dos Deputados.
Os indiciamentos
A PF indiciou o ex-presidente do INSS Alessandro Antônio Stefanutto, o ex-procurador-geral da autarquia Virgílio Antônio Ribeiro Filho, Antônio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como “Careca do INSS”, e outros 45 investigados por suspeita de envolvimento na fraude ao INSS e seus segurados.
O indiciamento faz parte do primeiro relatório final apresentado pela PF no âmbito da Operação Sem Desconto, investigação que apura fraudes relacionadas a cobranças não autorizadas feitas em benefício de segurados do INSS.
Farra do INSS
O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.
As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do então ministro da Previdência, Carlos Lupi.


