A eleição para governador de Alagoas pode terminar nas urnas, mas a disputa deve continuar na Justiça. A avaliação é do advogado eleitoral Marcelo Brabo, em entrevista ao Fala, Líder (veja aqui), programa apresentado por Edivaldo Junior na CBN Maceió.
Com 32 anos de atuação na advocacia e participação em 16 campanhas eleitorais, Brabo acredita que Alagoas terá uma eleição fortemente judicializada.
“Eu tenho dito em todo local que aqui em Alagoas nós não teremos para governador um segundo turno. É praticamente impossível, mas certamente teremos um terceiro turno”, afirmou.
O terceiro turno ao qual ele se refere será nos tribunais. Segundo Brabo, a eleição deste ano já ultrapassou a marca de 400 processos em Alagoas, muitos deles envolvendo pesquisas eleitorais, veículos de comunicação, jornalistas e disputas entre candidaturas.
Para o advogado, o número tende a aumentar com o avanço da campanha, o início do guia eleitoral e o crescimento da propaganda nas redes sociais. “Quanto maior o volume, menor o resultado. É inversamente proporcional”, disse.
Brabo avalia que o excesso de ações pode dificultar o julgamento de todas as demandas ainda durante o período eleitoral e defende que o TRE busque formas de organizar melhor os processos.
A judicialização também pode avançar em questões mais graves. Segundo ele, casos envolvendo abuso, uso irregular de inteligência artificial, deepfakes ou outras irregularidades podem resultar em ações com potencial para discutir cassação de registro, diploma ou inelegibilidade.
Brabo também chama atenção para possíveis disputas envolvendo registros e substituições de candidaturas. Na avaliação do advogado, mesmo depois da definição das chapas, ainda há espaço para novos capítulos jurídicos até o fechamento definitivo do processo eleitoral.
Por isso, a previsão é direta: em Alagoas, a eleição pode até ser resolvida nas urnas, mas dificilmente termina nelas.
Veja a entrevista:




