O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), candidato à reeleição, afirmou que a suposta relação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com o escândalo do Banco Master deve ser explicada. “Não tem problema as pessoas fazerem doações para a campanha; a lei permite, pessoa física, não jurídica. Agora, o que não pode é vincular isso a benefícios de governo, então cabe a investigação”, disse, em entrevista ao Metrópoles publicada neste domingo (6/9).
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro relatou em proposta de delação premiada que a doação de R$ 5 milhões para as campanhas do governador de São Paulo, Tarcísio, e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – sendo R$ 2 milhões para o governador paulista e outros R$ 3 milhões para o ex-presidente –, em 2022, foi uma negociação de propina com Gilberto Kassab, presidente do PSD e ex-secretário de Governo e Relações Institucionais na gestão Tarcísio. Naquele ano, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também investigado na Operação Compliance Zero, foi o maior doador dos políticos.
Na entrevista, Alckmin classificou como “muito triste” a atual crise no Supremo Tribunal Federal (STF), com ministros envolvidos no caso do banco. “Acho que tem que ter o que a sociedade espera, a população brasileira espera. Espera que haja investigação e que a investigação traga a verdade. Traga a verdade e que tenha consequências. Ninguém está acima da lei”, disparou.
“Quanto mais alto o cargo, mais alta a responsabilidade, maior o dever de cumprir a lei e de dar exemplo. Então, defendo que se apure, doa quem doer. Quero fazer aqui um destaque ao trabalho do governo do presidente Lula, que trabalha com espírito republicano. Ninguém da Polícia Federal é ameaçado. Nenhum diretor é substituído porque investigou A, B ou C. O Ministério Público tem total liberdade”, acrescentou o vice-presidente.
Alckmin fez referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que trocou a direção-geral e cargos da Polícia Federal (PF) sob alegações oficiais de falta de interlocução e ajustes administrativos, enquanto investigações e vídeo de reunião ministerial de 2022 apontaram motivações políticas e tentativas de proteção a familiares.
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do Metrópoles SP

Na campanha ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin avaliou que Fernando Haddad (PT) tem pontuado as fragilidades do principal adversário, o governador Tarcísio. “Tem o caso da Sabesp, que não é o fato de ter privatizado, mas você tem uma das melhores e maiores
empresas do mundo, não tem um concorrente, é uma coisa estranha. Uma piora da segurança pública, do feminicídio, roubos de celular, da educação. Enfim, eu acho que ele [Haddad] está caminhando”, destacou.
Em relação ato convocado por Flávio Bolsonaro (PL) e apoiadores para este 7 de Setembro, na avenida Paulista, em São Paulo, o vice-presidente condenou possíveis manifestações antidemocráticas. “Que as pessoas façam campanha, isso é natural. Faz campanha, faz congresso, defende as suas teses, nenhum problema. O que não pode é no dia da Pátria, que e é o 7 de Setembro, você ter saudade de golpe militar, isso não é possível“, argumentou.
“O que diferencia mesmo na vida pública é quem tem apreço pela democracia e quem não tem apreço pela democracia. E não é possível você fazer campanha no exterior contra o país, torcendo contra o emprego no Brasil, a economia, as empresas; o tarifaço”, completou Alckmin.
Pesquisa eleitoral
A última pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada nessa quinta-feira (3/9), mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem 38% das intenções de voto no primeito turno contra 33% de Flávio Bolsonaro. Além disso, Lula aparece com 46% e Flávio com 44% das intenções de voto em um eventual segundo turno entre os dois.
No último levantamento realizado pelo mesmo instituto e divulgado no dia 21 de agosto, Lula liderava com 47% das intenções de voto para o 2º turno; seguido por Flávio Bolsonaro que tinha 43%.



