Responsável por fazer ponte entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o advogado Ciro Rocha Soares é conhecido em Brasília pela facilidade de circular entre diferentes grupos de poder.
Entre amigos, há quem diga que Ciro é capaz de “vender até vento” e de marcar audiência com praticamente qualquer autoridade do Judiciário , inclusive durante as pontes aéreas que faz entre Salvador, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília.

Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro
Foto: Divulgação

Depoimento de Vorcaro à PF sobre servidores do BC
Reprodução

Nesta semana, seu nome entrou no radar da crise que envolve o Supremo Tribunal Federal depois que conversas de Vorcaro revelaram tentativas de intermediar encontros do banqueiro, hoje preso, com autoridades.
Ciro foi, ao lado do advogado Roberto Podval, um dos primeiros defensores de Vorcaro quando a crise do Banco Master começou. Deixou o caso depois que o banqueiro decidiu negociar uma delação premiada, método que contraria sua forma de atuar na advocacia.
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do Metrópoles
Mas a saída não significou o rompimento da relação. Ciro diz aos mais próximos que continua amigo de Vorcaro e que não abandonaria o banqueiro justamente no momento mais difícil.
Os dois se conheceram há cerca de seis anos, em um camarote do Mineirão, durante um jogo entre Atlético-MG e Athletico-PR. Na época, Vorcaro era dono de uma das faixas de patrocínio do Atlético. A apresentação foi feita por Saulo Wanderley, empresário do setor da construção civil.
A amizade rapidamente se transformou em relação profissional. Ciro passou a advogar para Vorcaro e se tornou um de seus interlocutores em Brasília.
A relação com o banqueiro é apenas um capítulo da rede construída pelo advogado ao longo de décadas. Antes de chegar a Vorcaro, Ciro já havia feito seu caminho entre tribunais, políticos, empresários e escritórios de advocacia.
As primeiras conexões
Meio mineiro, meio baiano, Ciro começou a se aproximar do Tribunal de Justiça da Bahia apadrinhado pelo então desembargador Carlos Alberto Dultra Cintra, que presidiu a Corte e morreu no ano passado.
Cintra havia estudado com o pai de Ciro, o advogado Angelo Soares. A amizade entre os dois ajudou a abrir as primeiras portas para o filho no Judiciário baiano.
Formado em Direito, Ciro passou por diferentes sociedades de advocacia e ganhou espaço principalmente na defesa de prefeitos e políticos. Entre seus clientes e aliados esteve o senador Otto Alencar (PSD-BA), de quem se tornou amigo pessoal e vizinho por pelo menos 15 anos.
Foi também por essa rede que começou a chegar a Brasília, inicialmente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Justiça Eleitoral se tornou uma espécie de porta de entrada para uma circulação que, com o tempo, alcançaria políticos, magistrados, advogados e empresários.
No ano passado, essa rede apareceu em uma cerimônia na Assembleia Legislativa da Bahia. Ciro esteve na entrega da Medalha de Cidadão Baiano a Gonet, concedida pelo deputado estadual Niltinho (PSD-BA). O evento reuniu, além de Otto Alencar, nomes como o ex-líder do governo no Senado Jaques Wagner.
Wagner também aparece nos desdobramentos políticos relacionados ao Banco Master, embora em outro contexto, ligado a Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.
As conexões empresariais
Entre os empresários de seu círculo está Marcelo Pessoa, executivo do mercado financeiro e sócio-sênior da Galapagos Capital. O nome de Pessoa também aparece em mensagens de celular de Vorcaro anexadas a relatórios da Polícia Federal.
Segundo as mensagens, Ciro chegou a tentar incluir Pessoa em uma viagem a Londres, mas a ideia teria sido barrada por Vorcaro.
Pessoa é dono da Ilha Parapituba, administrada pela Prime You, empresa de compartilhamento de bens de luxo. A ilha faz parte do circuito de Ciro, que costuma frequentá-la, e foi vendida por Pessoa em 2023.
Na negociação, Pessoa manteve duas cotas e vendeu outras duas, uma delas para o médico Gabriel Almeida.
Almeida também entrou no radar da Polícia Federal em uma investigação relacionada à comercialização de substâncias clandestinas. Segundo a PF, a ilha teria sido utilizada para apresentações e divulgação dessas substâncias, entre elas tirzepatida manipulada, princípio ativo do Mounjaro.



