Na reta final, Renan Filho e JHC começam a receber reforços que podem mexer na eleição. Para o bem e para o mal. Faltando apenas 20 dias para a votação, o cenário continua equilibrado e indefinido tanto para o governo, quanto par ao Senado em Alagoas. Os reforços agora serão ainda mais decisivos.
Do lado de Renan Filho, o maior deles será Lula. A visita do presidente a Alagoas está prevista para a segunda quinzena de setembro, com agenda ainda em montagem entre PT e MDB. A ideia é colocar Lula ao lado de Renan Filho, Renan Calheiros e outros candidatos da base.
“Lula virá a Alagoas com certeza, mas a data só será anunciada doi ou três dias antes, por questões de segurança”, explica o presidente estadual do PT, deputado Ronaldo Medeiros.
Em Alagoas, onde Lula lidera as pesquisas para presidente, a aposta é óbvia. Renan Filho já colocou o presidente no guia, no rádio e nas redes. A visita deve levar essa associação também para as ruas. É uma ajuda importante, mas também aumenta a nacionalização da campanha e facilita a reação do outro lado, que tentará vincular ainda mais JHC ao campo bolsonarista.
Paulo Dantas trabalha por outro caminho. O governador tem usado a agenda de governo e, principalmente, a articulação política para reforçar Renan Filho. Conversa com prefeitos, deputados, vereadores e lideranças em todo o Estado. Em Maceió, ajudou a manter ou aproximar nomes como Lelo Maia e Zé Márcio Filho e vem ampliando contatos também entre evangélicos e lideranças da capital.
No interior, Paulo também participa diretamente de entendimentos com prefeitos e grupos locais. O resultado dessa articulação aparece no placar de apoios municipais: no fim de agosto, levantamentos do blog apontavam Renan Filho com apoio de quase 90 prefeitos, enquanto JHC ainda tentava ampliar uma base bem menor.
JHC, por sua vez, ganhou um reforço que demorou a entrar por inteiro: Arthur Lira. Durante boa parte da pré-campanha, Lira priorizou sua própria candidatura ao Senado e chegou a liberar aliados para apoiar quem quisessem ao governo. Depois da composição fechada, passou a ter papel mais ativo na campanha de JHC. A aliança já ajudou o candidato do PSDB a conquistar novos prefeitos e ampliar sua presença no interior.
Outros nomes da oposição também começam a aparecer com mais força. Marx Beltrão, por exemplo, integra o grupo político de Lira e circula ao lado dele em agendas pelo Estado. A tendência é que, nas últimas semanas, deputados, prefeitos e lideranças da direita e da Federação União Progressista entrem de forma mais aberta na campanha de JHC.
É aí que entra o “para o bem e para o mal”. Lula pode ajudar Renan Filho a crescer onde o presidente é muito forte, mas também pode empurrar eleitores mais conservadores para JHC. Paulo Dantas entrega estrutura política e uma rede enorme de aliados, mas também coloca a gestão estadual dentro da campanha, com seus acertos e seus problemas.
Lira ajuda JHC a reduzir a diferença de estrutura no interior, abre portas com prefeitos e deputados e aumenta o peso político da chapa. Ao mesmo tempo, leva seu próprio desgaste e aproxima ainda mais JHC do campo da direita e da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Numa eleição apertada, nenhum desses reforços é neutro. Eles trazem votos, estrutura e militância. Mas também trazem rejeição. E, nas últimas semanas, a disputa entre Renan Filho e JHC pode passar tanto pelo que cada um consegue fazer sozinho quanto por quem estará ao lado deles no palanque.



