Vice-presidente da AMA concedeu entrevistas à TV Gazeta e à rádio CBN nesta terça-feira e destacou papel da imprensa para dar visibilidade à situação das famílias
A sede, a falta de alimentos e a possibilidade de agravamento da seca com a influência do El Niño foram os principais pontos abordados pelo vice-presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), Jorge Dantas, em entrevistas concedidas nesta terça-feira (27). Prefeito de Pão de Açúcar, no Sertão alagoano, ele pediu a mobilização dos governos estadual e federal para apoiar os municípios no atendimento às famílias afetadas.
Jorge Dantas participou ao vivo, no estúdio da TV Gazeta, do programa Bom Dia Alagoas. Em seguida, concedeu entrevista à rádio CBN Maceió, com o radialista Elias Ferreira. Nas duas oportunidades, chamou a atenção para os impactos da estiagem sobre a população rural, especialmente os agricultores familiares que dependem da produção agrícola e da criação de animais para viver.
“A sede, na verdade, é quase uma constante. As pessoas já têm como, de alguma forma, se virar, mas este ano se junta com a fome, porque não houve produção agrícola. O agricultor familiar, aquele que mora na zona rural, vive basicamente do que produz ou de um animal que cria”, afirmou.
Segundo o vice-presidente da AMA, a escassez de água também atinge os animais, levando famílias a dividirem com a criação a água destinada ao consumo doméstico.
“Quando eu coloco uma carga d’água para uma família, não é para os animais. Mas quem tem sua cabra, sua ovelha, sua vaca, não vai deixar o animal morrer de sede. Então, acaba dividindo a água que era para a família para salvar esses animais”, relatou.
Receio de agravamento
Jorge Dantas ressaltou que a preocupação vai além de Pão de Açúcar e alcança outros municípios do Semiárido. Ele também manifestou preocupação com a possibilidade de agravamento da estiagem diante da influência do El Niño.
De acordo com o Monitor de Secas, divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), a seca atingiu 100% do território alagoano em setembro de 2026. No mês anterior, a área afetada era de 69%. A seca grave alcançou 22% do estado.
Para o vice-presidente da AMA, os municípios precisam de apoio para ampliar medidas emergenciais, como o abastecimento por carros-pipa e a distribuição de cestas básicas, além de ações contínuas que fortaleçam a segurança hídrica.
Entre as iniciativas citadas estão a perfuração de poços, a limpeza e a construção de barreiros e açudes, as barragens subterrâneas e a ampliação de estruturas de armazenamento e distribuição de água, como adutoras.
Ele também destacou a importância das cisternas para as famílias, mas observou que, diante de longos períodos sem chuva, é necessário garantir o abastecimento desses reservatórios.
Mobilização e papel da imprensa
Durante as entrevistas, Jorge Dantas reforçou a importância da imprensa para mostrar à população e às autoridades o que está acontecendo, especialmente no Sertão alagoano. Ele afirmou que a dimensão do problema exige uma atuação conjunta.
“A AMA e as entidades municipalistas estão pedindo espaço à imprensa para levar essa questão à população e para que as autoridades estaduais e federais possam tomar providências. O que o prefeito quer é alguém que ajude a dividir esse problema com a gente”, disse.
Jorge Dantas informou ainda que há uma previsão de mobilização de prefeitos em Brasília para buscar apoio junto ao Governo Federal e à Defesa Civil. Ele também reconheceu o envolvimento do Governo de Alagoas na questão e defendeu a continuidade das ações de perfuração de poços no estado.


